sexta-feira, janeiro 27, 2006

Marcha Triunfal Cavaquista III

No remanso do avoengo lar, o Avô Cantigas acariciava nervosamente a sua amada viola, confidente de tantes combates, companheira de tantas glórias. Estava ainda a remoer o desaguisado que tinha tido com o presidente da mesa da 3ª secção a quem havia solicitado a devolução do boletim de voto, pois tinha-se esquecido de acrescentar ao Viva o Rei que escrevera no papelito um Viva o Senhor D. Duarte .
Hesitara; pensara em pôr Viva o Senhor D. Miguel mas, realista e cosmopolita, achou que talvez não fosse perceptível e, zás!, não pôs mais nada. Mas o remorso fê-lo voltar atrás porque naquele curto hiato tinha-se decidido. E o estupor do presidente da Mesa a dizer-lhe que não, que não podia ser, só com autorização do Dr. Soares ou do Xô Nabeiro. Zé Cantigas, irritado e contristado, regressou a casa e pegou na banza. Aconchegando-se no sofá de orelhas próximo da lareira, procurou acalmar a mágoa, cantando baixinho:

Senhor capitão
Sou dos primeiros
Da Revolução
Militei na Banca
Estive na prisão
Agarrei um facho
Quero agora um tacho
Não diga que não
Senhor capitão

Senhor capitão
Está um belo dia
E a Revolução
É uma alegria
Passeei seu cão
Trago o seu almoço
Coma com cuidado
Olhe algum caroço
Senhor capitão

Trago o seu jantar
Coma devagar
Olhe a digestão
Não berre não grite
Peço que não se excite
Olhe o coração

Senhor capitão
Dizem que é quem manda
No que p’r aí anda
É preciso pôr-lhe a mão
Não vá isto descambar
E a gente perder o lugar
Na chefia da Nação
Senhor capitão

Senhor capitão
Trago a sua ceia
E uma lista
De homens p’ra cadeia
E da reacção
Muita, muita pista
Muita, muita teia
Mas que bela ideia
Senhor capitão

Senhor capitão
Olhe a reacção
Espreita nas janelas
Espia nas esquinas
Pára nas vielas
E vai às meninas !
É uma aflição
Senhor capitão

Senhor capitão
O país é um osso
Escave com cuidado
Roube bem fardado
Pois a reacção
Anda a abrir um poço
Venda as suas casas
Compre um par de asas
Salve o seu pescoço

Senhor capitão !




Powered by Castpost

E uma enternecedora lágrima de saudade desceu-lhe pela face e perdeu-se no infinito do seu enobrecido Ser.

Marcha Triunfal Cavaquista II

No conhecido areópago do desestruturalismo, a sala de teatro do Grupo Reich-Brecht (um antigo ring de box dos anos 30, ao Poço dos Negros), meia dúzia de espectadores preparam-se para assistir a mais uma representação teatral experimental interactiva.
O conhecido actor Zecamano, anuncia a função:

quero agracer a todos vocês a vossa presença, só possível pelo generoso subsídio do Ministério da Cultura, tam-a-ver, e convidá-los desde já a comungarem (eh!, eh!)com os profissionais que stamos a pisar este palco que é de todos nós e assim fazer um mingle como dizia o P ao cubo, o Piero Paolo Pasolinni. Queremos fazer uma cena baril e para isso contamos com vocês. Improvisem, libertem-se dos restos de espírito burguês e, sobretudo agora, que os fascistas ressuscitaram o gajo de Boliqueime, a Cultura vai ficar ameaçada. Fd..., bora Vamos começar.

No centro do palco quadrado, dois imigrantes africanos colocam uns painéis de madeira a dar ares de confessionário. No improvisado interior, um jovem Loução senta-se e entre salmúdicos cochichos, prepara-se para receber uma pecadora. Avental Dias ajoelha-se e, qual filha pródiga, diz:

Apalpai-me, Mestre que pequei!

Como penitência, Loução manda-a fazer sexo com a assistência para se libertar dos demónios.

O enurético Fernandinho Rosas mija-se e, com excepção do Chico Matumbo e da Ana Milmulheres, o resto da assistência retira-se apressadamente para intervalo.

Prudentemente, alguém espreita para a sala e como a Avental não está à vista, voltam todos para o lugar. Surge em palco novo personagem (aplausos). É o viril Herman. Baixa o profile e pede de beber ao Mestre. Este manda-o logo para Monchique, para desenfastiar. Mas proibe-o de ingerir garotos que lhe fazem mal ao fígado...


O enurético Rosas faz chichi, de novo, e já tresanda.

Michael Portas, afectado pelo atrasadismo familiar, só então chega e, sentando-se ao lado de Rosas, exclama em voz alta :

Porra pá! Vê lá se tomas banho !


E o enurético Rosas urina-se mais uma vez.

No palco, sozinho, acabrunhado, sem clientela, Loução propõe que cantem em conjunto a Internacional.

Cumprida a função, Zecamano regressa ao palco para anunciar:

Para a próxima há mais !

Entediada, a assistência retira-se...

No aftermath da Triunfal Marcha Cavaquista

Em, surdina, muito ao longe ouve-se um bater ritmado de botas cardadas, sincronizado com o Grândola Vila Morena.

No purgatório, Mário Cesarinny de Vasconcelos grita desalmadamente pelo Serviço de Quartos: Tragam-me lápis e papel ! Tragam-me lápis e papel !

Satisfeito o gracioso pedido, desata a escrevinhar, surrealisticamente:

Pim ! Pam ! Pum !
E agora já só fala um !

Blog, Leitão da Meta
O Alegre é um pateta !

Blog, oblog, Oblast
E, afinal, o Soares é um traste !



Enquanto isso, noutra dimensão, no cinzento twilight do nosso crepuscular inverno, Medeiros Ferreira, com uma grossura de fazer vir lágrimas aos olhos do Velho Cenoura, rolando os olhos focados para o infinito, com todo o peso do simbolismo ilhéu do seu querido San Miguel, afaga as mágoas, cantarolando a modinha Ponha aqui o sê pezinho:

Não há Vila como ela
tan corisca e tan cadela
cuma Vila d' Alcaïns
deu à lüz nüma grande grüta
o maïor filhe de püta
q'já teve este païs


No antro neo-realista que é o Cabaret de Dámeumcoxe, Jerónimo de Sousa, revoluciona na pista ao som de um Pasodoble vermelho, alapado ao generoso corpo da camarada Odete.
A um canto, um jovem velho (porra !, como é que se chama ? é qualquer coisa como chefe da bancada para lamentar, não sei...)faz exercícios de multiplicação num moderno ábaco, produto da mais moderna indústria nortecoreana, que o camarada Kim Il Sung lhe mandara uns natais atrás.
De supetão, rangem os gonzos da porta que o Jaquim da Bia tinha instalado nos tempos heróicos da Cintura Industrial, recuperada de um casarão de um Legionário que fugira para o Brasil. Um embuçado, coberto de um escarlate manto diáfono que deixa entrever um alvo roupão que já tivera melhores dias, penetra e senta-se atento e vigilante ao que o rodeia.
Será PIDE ?, será agente ?, agente não é certamente que um agente não se veste assim, interrogam-se os presentes.
O barista, o T'Zé Chouriço repara subitamente na imagem que surgia no écran da velha televisão a preto e branco. Na Praça Vermelha, junto ao Kremlin, uma multidão agita-se e ondulam bandeiras. Zé Chouriço, emocionado e saudoso grita : Chiu ! camaradas.
Na pantalha, surge um jovem que sobe para cima de um tanque e canta num megafone, aplaudido pela multidão. Extasiados, os clientes param, alguém desliga o gramofone, e prestam atenção. Aqui e ali, alguns rostos deixam verter uma lágrima de nostalgia.
E eis que surge, em primeiro plano da imagem, o repórter correspondente Ievgueni Serpavitch que procura traduzir para português a tão aplaudida canção:

Um kumunistaa vuava, vuava, duma janhiela du dezimu andar
Cume él, cume él, ainda ya muiitos par'þ atirar


Como se todos tivessem levado um murro colectivo no estômago rebentam, em uníssono a berrar:

Morte ao faxismu ! Morte ao faxismu ! Morte ao faxismu !


Inácio Lãbranca, desempregado desde que nascera e que, entornado , dormitava a um canto, acorda e grita :

Foi golo ? Foi golo ?

Com toda a assistência em estado de choque, à beira de um ataque de nervos, de novo se houvem os gonzos ranger. E o espectral embuçado clama:

'Até amanhã camaradas !

terça-feira, janeiro 24, 2006

Meu caro Immanuel Cornelius

Não precisavas de confirmar. Como te disse, fiquei muito contente e podes estar descansado que não porei a boca na corneta. Como é óbvio, não és nenhum gálico estrangeirado e só não te peço desculpa porque fez tudo parte de um jogo de denúncia. Até em termos de hermenêutica, tinha reduzido os possíveis candidatos a três. Confesso que acertei à primeira. O Misantropo não me largava, sempre com a sua curiosidade feminina, e como a minha ainda é porventura maior, resolvi de uma vez por todas tirar a prova dos nove. Um grande abraço amigo. Vamos deixá-los continuar a roer-se...
Qualquer dia, quando estiver mais repousado, abordarei contigo a obra de um tipo de que gosto muito e que é geograficamente próximo do local de nascimento da tua emanação fotográfica -Levinas, o outro Emmanuel.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Contribuição para o arquivo do Azinhal



O Manel tem falado dos antigos 10 de Junho. Os veteranos continuam a reunir-se...

Fotos de antigos 10 de Junho

Camarada Azinhal

Devido a um longo afastamento da blogosfera, por razões profissionais, alertou-me o Enjaulado para umas photos de uns longínquos 10 de Junho. Gostei de rever a força e capacidade de mobilização do único e verdadeiro movimento nacionalista que desde os anos setenta existiu em Portugal. Confesso que na última foto apenas reconheço o Goularzinho e o Rodrigo (que Deus tenha...).
Se porventura a tua douta argúcia detectou mais alguém, gostaria que o indicasses.
Saudações

Os ursos da guerra maçónica

Habituados durante muito tempo à actuação eficaz mas discreta da Maçonaria, íamos dando como adquirido o controlo quase monopolista pela mesma das administrações da Empresas Públicas e dos órgãos de comunicação social. Nos últimos tempos, quiçá picados pelas demonstrações de força da Igreja (ultrapassando até as expectativas da passiva e contemporizante hierarquia, cada vez mais desajustada face aos anseios dos fiéis, influenciados, convertidos e reintegrados por João Paulo II)a Maçonaria entrou em desvario e forçou o Governo a enveredar por uma rançosa e trauliteira campanha crucifixofóbica. Para re-afirmação dos seus pergaminhos maçónicos, vieram chafurdar num problema há muito resolvido pela separação da Igreja e do Estado, aceite por todos.
A paranóia atingiu tal amplitude que a Administração do Metropolitano de Lisboa chegou ao ridículo de, durante o período natalício, montar na estação da Alameda, uma cena em que a Sagrada Família se encontrava substituída por ursos polares.
Ninguém os obriga a comemorar o Natal que é uma festa religiosa, convencionada para recordar e rejubilar com o nascimento de Jesus, o Cristo. É óbvio que se espera que sejam suficientemente coerentes e se recusem a receber os chorudos subsídios de Natal, pagos por todos nós.

O Centrão ecológico

Neste querido país cada vez mais acéfalo e insípido, o povão votou no Centrão. O grupo dos chinocas levou um abanão mas ainda lá restou a Leonor agarradinha ao novo leader para salvar os interesses do Polvo.
O Eanito ficou por casa a esfregar as mãos de contente e mandou logo a Manela tirar os velhos fatos para ver se ainda lhe servem, para aparecer a devido tempo na fotografia de família. Rocha Vieira, impaciente por se vingar das canalhas humilhações do Cenoura, não resistiu e por lá andou feliz e contente, no CCB. Qualquer deles não é grande preocupação, sobretudo o Vasco Rocha Vieira de quem o país ainda é credor. Mas confesso que me irritou ver tantos transfugas das anteriores comissões de apoio a Soares e a Sampaio. Eram resmas, a fazer-se à fotografia como lesmas a agarrarem-se ao talo.
Sinceramente, gostava muito que Cavaco tivesse aprendido com os erros do passado, nomeadamente sobre o tipo de pessoas de que se rodeia... Cá ficamos a aguardar...
Com esta eleição tecnocrática (o que será isso?), o cinzentismo e a abstrusão ideológica vão seguramente campear e o caciqueiro condicionamento da nossa liberdade não será interrompido. Quer os que se reveem num contrato político sobrejacente à comunidade histórica de mais de oito séculos quer os que apenas o invocam nas circunstâncias do Presente, nomeadamente através dos seus impostos, não podem esperar qualquer alteração posicional do mainstream da cultura política dominante. A promoção do aborto continuará, o roubo da inocência infantil com o estímulo da actividade sexual precoce e invertida evoluirá sem rebuço, a defesa dos direitos do infractor em detrimento da vítima ou a perseguição à liberdade de pensamento, em nome do comportamento politicamente correcto, não sofrerão inflexão.O prestígio das FA levará apenas um tratamento cosmético mas os dossiers essenciais (o que é óbvio, pois são da estrita competência do Governo mafio-socialista)continuarão a arrastar-se ao sabor dos interesses corporativos e/ou inconfessáveis.

Haja Saúde e Fraternidade

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Caminhando sobre estilhaços

Tantos tombaram ao longo do caminho!
Tantos caíram inertes, ingloriamente,
Sem nada a recordá-los!

Pelo mesmo caminho vou agora,
Olhos postos na vida e no triunfo.
E quando penso naqueles que tombaram
E para sempre ficaram esquecidos,
Eu sinto uma ânsia enorme de vencer ...

Sei!: o caminho é longo e difícil.
E dizem que os ladrões, altas horas da noite,
Espreitam nos pinhais.
Mas também sei
Que trago nos meus olhos as distâncias
Que me deram as noites em luar.
Mas também sei que poderei chegar ao fim
E alcançar a vitória ambicionada.

E então,
Verei que não foi nulo o meu esforço,
Ante a certeza do triunfo
E a apoteose dos deuses a esperar-me!

Júlio Evangelista

O advento do Salvador


A Visitação, Jakob ou Hans Strüb, c. 1505

Strüb representa Maria no seu encontro com sua prima Santa Isabel, deixando literalmente transparecer, em imagem, as vidas de que ambas eram veículo de criação.
Reconhecimento, no dealbar do séc. XVI, de uma realidade ainda hoje contestada em nome de interesses, ideológicos e materiais, incofessáveis. A abstrusa negação do natural em nome de uma obtusa e abstracta igualdade entre sexos, ou como eles dizem, entre géneros. Porque raio não fomos criados (ou evoluimos) hermafroditas ?

quarta-feira, novembro 30, 2005

Justicia cubana



No paraíso cubano, tão em voga, o Comandante Raul Castro, irmão do tiranosauro, e Che Guevara executam um prisioneiro.

terça-feira, novembro 29, 2005

A Tide que lava mais branco

Durante décadas a macacada que nos controla tem vindo persistentemente a branquear factos e procedimentos de natureza política que condicionaram e condicionam a nossa história e a nossa vivência diária. Fazem-nos crer que somos sidadãos livres e soberanos mas obrigam-nos a comer um caldo de lentilhas feita com os seus dejectos diarreicos com que há muito garantem uma generalizada lavagem ao cérebro. Vem isto a propósito do 25 de Novembro e das suas pífias comemorações, do género todos iguais todos diferentes. Ficamos a saber pelo napoleónico Eanes que não fora ele e sus muchachos e tudo teria continuado na mesma. (parece-me, aliás, que a sua contribuição de bastidores foi para que tudo continuasse na mesma, livrando-se apenas de uma extrema esquerda de difícil controlo bem assim como, num soberbo passe de mágica, dos spinolistas e da direita que remeteram para um ghetto de onde nunca mais saíram). A generalizada indignação popular que levou a movimentações contra a ditadura social-comunista parece que, afinal, foi uma miragem e é colocada na prateleira da agitação marginal. A Rosa e as Setas da II Internacional social-democrata que viriam a dar origem à União Central, não estavam murchas nem acabrunhadas, escondidas nas saias da mamãcia mas, segundo rezam os manuais, viçosas e na frente do combate pela Santa Liberdade. Comandos ? gente rufia e brigona, sem valor acrescentado. Padre Melo ? um sotaina perigoso de má-catadura, dado a iniciativas individualistas e marginais. MDLP ? um bando de criminosos de delito comum (que outros haverá?) que procuravam desestabilizar o regime democrático propugnado pelo MFA; segundo reza a estória, a eles e às suas provocações se deve, aliás, a agitação exacerbada da extrema esquerda. Pff...
Qualquer dia sairá uma biografia do Mário Soares com uma G3 nas mãos, como aquela do camarada Agostinho Neto que pôs os angolanos todos a rir.
Enfim, marés de branqueamento da nossa história recente para proteger conluios, interesses e compromissos que nada têm a ver com a Verdade histórica. Mas são eles que têm o poder para a escrever e ponto, ókapa e prontos, pá !
Avui, ouvi que afinal em Timor os culpados foram os americanos. O envio propositado pelo MFA de um grupo de estudantes maoístas para fundarem a Fretilin ( Abílio Araújo, do you remenber him ?) assessorados pelos inefáveis majores Mota e Jónatas foi apenas um passo grande para a liberdade do povinho timor. Claro que a atitude tíbia e racista do hoje general comentador Lemos Pilatos Pires foi apenas um equívoco ou um erro de casting, como soe dizer-se. Não, os americanos é que foram os culpados da invasão indonésia.
Ouvi, para gáudio meu, o premiozinho Nobel da Paz, o rapaz Avental Horta, afirmar que a descolonização portuguesa foi, quiçá, precipitada ! Vale mais tarde do que nunca ! Pena é que seja no seio daqueles que mais de perto viveram as consequências dessa vergonha que continuem a surgir vãsglórias pela participação de alguns dos seus membros na dita. Refiro-me a alguns padrecos de pacotilha, desavergonhados desabridos que são capazes de vender pai e mãe para que as luzes da ribalta lhe lambam gratamente o perfil. Uns safardanas...

segunda-feira, novembro 14, 2005

Enquanto houver Portugueses....

Salvé, Nobre Padroeira

Ó glória da nossa terra
Que tens salvado mil vezes,
Enquanto houver portugueses
Tu serás o seu Amor

Ave maria
Ave Maria, tão pura
Virgem nunca maculada
Ouvide a prece tirada
No meu peito de margura.

Vós que sois cheia de graça
Escutai minha oração,
Conduzi-me pela mão
Por esta vida que passa.

Oh! Senhor, que é vosso filho
Que seja sempre connosco,
Assim como é convosco
Eternamente seu brilho

Bendita sois vós, Maria,
Entre as mulheres da Terra,
E voss'alma só encerra
Doce imagem d'alegria.

Mais radiante do que a luz
E bendito, oh Santa Mãe!
É o fruto que provém
Do vosso ventre, Jesus!

Ditosa Santa Maria,
Vós que sois a Mãe de Deus
E que morais lá nos céus
Orai por nós cada dia.

Rogai por nós, pecadores,
Ao vosso filho, Jesus,
Que por nós morreu na cruz
E que sofreu tantas dores.

Rogai, agora, oh Mãe querida!
E (quando quiser a sorte)
Na hora da nossa morte
Quando nos fugir a vida.


Fernando Pessoa

sexta-feira, novembro 11, 2005

Jornal do Crimideia: Pe. Nuno S. Pereira em Tribunal

Começa a sistematiza-se a perseguição à livre expressão. Desta vez é o Pe. Nuno Serras Pereira que vai responder em Tribunal por num artigo publicado num Jornal regional. Nesse artigo, o Pe. Nuno põe a nu as relações pouco claras da vanguarda caceteira da APF (Associação de Promoção das Fodas, perdoem-me o vernáculo)com os lobbies das farmaceuticas produtoras de materiais abortivos. Realce-se que a APF é generosamente subsidiada pelos nossos impostos para explicar aos nossos filhos, explicitamente, que há várias alternativas na orientação sexual para além das naturais (ditas heterosexuais ou, na prática, homofóbicas) que reputam de antiquadas e castradoras. Que pena não ter sido no meu tempo de liceu; se calhar ainda me tinha calhado uma ou outra aula prática com uma inesquecível professora de História. Claro, porque as sapatonas frustradas da APF nem com almofada...

Começa de facto a ser extremamente inquietante a conivência do Sistema com organizações que mais não são que pontas de lança de interesses pouco claros em que a ideologia niilista se associa com os mais desbragados interesses capitalistas. Ou então, organizações fantoches como o SOS Racismo cujo comportamento e postura até dá vontade aos mais entranhada e convictamente não racistas virarem racistas.

E a Comunicação Social, com a sua cúmplice cortina de silêncio, lá os vai ajudado a moldar a opinião pública através da hegemónica e tirânica opinião que se publica...

Pela Santa Liberdade, lutar, lutar até vencer....

sexta-feira, novembro 04, 2005

A RR e a padralhada que a controla

Não é segredo para nenhum observador isento que o principal órgão de comunicação da Igreja Católica em Portugal, a Rádio Renascença, sempre se comportou um pouco como um órgão oficioso socialista; pelo menos, a subserviência é manifesta. Se o equívoco que dá pelo nome de Guterres permitia justificar superficialmente tal posicionamento, no passado, já a evolução subsequente é escabrosa. Vem isto a propósito de numa das raras vezes em que a sintonizei (normalmente oiço a Class FM do Montijo)ter sido surpreendido com uma lição da abortista Miss Piggy Star, a ensinar-nos como falar correctamente a nossa língua.
Confesso que já há muito me habituei às absonâncias da Igreja Portuguesa, face ao rumo que seria de esperar. Bispos complexados pela sua humilde extracção social?, carreiras assentes em seminarismo à força sem vocação? Ignorância? Aggiornamentos saloios ? Alinhamento com a opinião que se publica ? A verdade é que o que o crente pretende é um pastor, orientador espiritual, e não um tecnocrata da religião com homilias redondas e abstractas que mais não merecem que um bocejo.
Aliás, a constatação do disfarce da condição de sacerdote adoptado pela maioria da padralhada é aquilo que, na gíria da aplicação das Normas técnicas dos sistemas de Qualidade, se designaria por uma não conformidade. Como falar em Nova Evangelização se quem deveria dar o exemplo em manifestar em todas as circunstâncias a sua condição de católico o não faz ? Fica-se por vezes com a sensação que alguns gastam mais tempo no cabeleireiro ou nas Tie Rack do que a pastorear os respectivos rebanhos; a excepção vai para os sacerdotes mais novos e geralmente ditos de vocação tardia (que eufemismo !)

quinta-feira, novembro 03, 2005

Sobre o tempo que passa

Como os meus estimados amigos já devem ter percebido a minha fluidez e conhecimento bloguístco é inconstante e desequilibrada. Por isso, sempre que alguém me chama a atenção para um blog especial lá vou eu a correr, como quem vai a um restaurante novo. Vem isto a propósito da sugestão do Paulo Porto para visitar o blog em epígrafe que descubri ser do meu conhecido de longa data (desde o Círculo de Estudos Ultramarimos)Zé Adelino, ou melhor, o Senhor Prof. Doutor Maltez. Fiquei encantado com as iguarias; partilho com ele o radicalismo da Liberdade...embora não, numa primeira impressão, os eufemismos do liberalismo.
A Censura... Pois é quando se tem na Constituição limitações claras à liberdade de expressão e de pensamento, quando a polarização política, a mentira descarada e as cortinas de fumo fazem parte do dia a dia da Comunicação Social (deles)pouco mais há a acrescentar. Quando, num regime que se afirma de liberdade, partidários declarados e contumazes dos atentados a essa mesma liberdade como o são os comunistas da III (PC) e IV (Bloco de Esq.)Internacional são geralmente divulgados (na Comunicação Social e no Ensino) como os seus grandes defensores nada pode espantar.
Espantado estou eu pela brandura da repressão censória...
No regime anterior quando alguém era demitido da Função Pública ou de uma empresa do Estado, apenas pelas ideias que professava logo encontrava um capitalista cosmopolita ou a solidariedade maçónica (envolvendo o próprio regime)e internacionalista que lhe dava a mão e protecção. Hoje esse tipo de perseguição existe como nunca, escondida numa cínica cortina de fumo de liberdade fingida; gestos solidários não se vislumbram, por medo das consequências nos negócios, na clientela e até face à pressão social do politicamente correcto.

O Centralão de hoje que abarca PS e PSD é constituído pelos mesmos que suportaram o salazarismo e o marcelismo. A nomenklatura que os dirige e ilumina não varia muito em espírito, atitude e interesses. A geração é outra (hoje são os filhos) mas o carneirismo é o mesmo.

quarta-feira, novembro 02, 2005

O Quarto Estado....de espírito


Nesta gravura futurista italiana, na volta do séc. XIX par o XX, concentro toda a minha frustração pelo actual momento nacional e anseio pelo dia em que os descamisados defenestrem os fanqueiros dos Palácios ocupados e em vez deles homens verdadeiros sejam monges, poetas e soldados...

SÓ ARES: pela paz contra a guerra

O Novo Banco de Dados do MNE

CANÇÕES DA PIQUENA PÁTRIA,
AFONSO LOPES VIEIRA

(EXTRACTO DO POEMA MOUZINHO)


Contemplando a memória do Bernardo Guedes da Silva
...
Foram eles, os novos Amadises,
gentilíssimos ânimos
de modernos lusíadas
(alguns já nos morreram,
outros, o que é mais triste, envelheceram,
mas há um sempre moço e sempre bravo!)
foram esses rapazes
que, numa Europa chata de caixeiros
e lojistas de Estado,
resgataram a nossa decadência
em tempo tão mesquinho,
e fizeram com que esse
César do férreo norte
que amava as artes bélicas
a seus braços chamasse
o capitão Mousinho!