Mais um subsídio para a história da resistência ao PREC.
O Zé de novo, com letra de D. Vasco Teles da Gama
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terça-feira, abril 11, 2006
En el pozo Maria Luísa
Santa Bárbara bendita
patrona de los mineros...
Mais uma canção popular usada pelos anarquistas das Astúrias. Não deixa de ser irónico que ao mesmo tempo que penduravam católicos em ganchos de carne, apelassem a santa Bárbara...
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patrona de los mineros...
Mais uma canção popular usada pelos anarquistas das Astúrias. Não deixa de ser irónico que ao mesmo tempo que penduravam católicos em ganchos de carne, apelassem a santa Bárbara...
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segunda-feira, abril 10, 2006
Até amanhã, em Jerusalém...
Meu caro Jans
Hesitei em escrever este postal, sobretudo para evitar contrariar os teus desejos de não voltar a mexer no assunto. Mas o sentido da Justiça e da Verdade está de tal maneira inculcado em mim que não pude resistir ao ímpeto.
*Sabes como ninguém que nunca fui, não sou, não quero ser (e tenho pó a quem o é) nacional-socialista. Não precisei, contudo, para assumir essa convicção de ser influenciado pelas revelações de genocídios provocados pelos alemães; bastava-me a ideologia apregoada, nomeadamente a sua essência e substância...
*Far-me-ás a justiça de acreditar de que tampouco sou anti-semita; sendo militantemente não racista e procurando fazer crescer no meu coração a semente que o Deus de Abraão, pela vida e paixão, do seu Ungido, lá me colocou só por pura miopia poderia ter uma posição contrária.
*Os genocídios provocados pela Guerra, tenham sido pelos alemães, russos, romenos, japoneses, ingleses ou americanos são factos históricos e só uma pequeníssima franja de historiadores (ou equiparados) os contesta (sobretudo no que diz respeito aos alemães e romenos porque quantos aos outros ninguém abre a boca). Parece-me normal se atendermos à chamada distribuição uniforme do tratamento da informação.
É natural que a indignação provocada pelo desequilíbrio ético na condenação de todos os fenómenos de repressão, segregação, humilhação, tortura e execução de seres humanos leve a atitudes exacerbadas que tocam o limiar do admissível.
*Lamento (como poderia ser de outra forma?) o assassínio de grande quantidade de judeus (os seis milhões não são mais do que um cliché como o é o milhão de mortos da GCE), como de ciganos, de católicos e sobretudo de eslavos que pereceram às mãos dos alemães. Como não posso deixar de lamentar os seres humanos que foram violados, torturados e assassinados por comunistas, por ingleses e por franceses. Na morte, não lhes destingo o sangue, a fé, a cor ou as razões.
Dito isto, como prmio, e face ao manifesto exagero que tem havido na monopolização das vítimas dos genocídios como sendo eminentemente judaicas (como se a vida de um judeu valesse mais do que a de um não judeu) não posso deixar de manifestar a minha repulsa, em nome da Justiça e da Verdade pelo facto de terem transformado num crime a simples reflexão sobre se o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra mundial foi resultado das circunstâncias adversas da guerra e, obviamnete, dos vectores ideológicos que enformavam o regime nazi ou correspondeu de facto a uma sistematizada e projectada Solução Final para o chamado problema judaico do Centro da Europa. Para os mortos e seus familiares e para os sobreviventes a questão é porventura despicienda mas para o registo histórico honesto ela é importante. Impor dogmas em História é, à partida, permitir a mentira e o triunfo do Oblivion.
Porque é que se não pode perguntar porque é que que Rudolf Hess que praticamente não fez a guerra, foi condenado como criminoso de guerra? Ou terá sido por delito de opinião ?
Porque se fala à boca pequena de Katyn, de Trieste e da entrega dos exércitos de Vlasov? Dos criminosos bombardeamentos de Dresden e Hamburgo ? Da sistemática violação de mulheres alemãs, austríacas, polacas, romenas e húngaras pelos russos e pelos americanos (as francesas que o digam)? Justiça Væ Victis?
Muita dessa insistência na Shoa como essencialmente orientada para os Judeus acaba por se virar contra eles como muito bem percebeu Norman Finkelstein e o denunciou na Indústria do Holocausto.
E depois, pela empatia com as vítimas assinadas do genocídio nazi, se concluir que tudo lhes é devido e permitido, parece-me um disparate igualmente grave. Os palestinianos, igualmente semitas e seres humanos, têm o mesmo direito a existir que os judeus como estes o tinham em relação aos alemães.
Tenho-me (ponho de lado qualquer falsa modéstia) por ser um entendido curioso nas coisas judaicas que sempre me apaixonaram (provavelmente por ascendência de que muito me orgulho)e seria dos últimos a considerar-me anti-judaico. Mas não aceito racismos velados nem duplicidade de pesos e medidas.
E creio que nem tu nem o P.C.P. gostariam de estar na mesma fotografia que o caricato Rato mas por vezes o vosso raciocínio é demasiado maniqueista para o meu gosto.
Brevemente iniciarei a postagem de canções da diáspora judaica portuguesa...
Hesitei em escrever este postal, sobretudo para evitar contrariar os teus desejos de não voltar a mexer no assunto. Mas o sentido da Justiça e da Verdade está de tal maneira inculcado em mim que não pude resistir ao ímpeto.
*Sabes como ninguém que nunca fui, não sou, não quero ser (e tenho pó a quem o é) nacional-socialista. Não precisei, contudo, para assumir essa convicção de ser influenciado pelas revelações de genocídios provocados pelos alemães; bastava-me a ideologia apregoada, nomeadamente a sua essência e substância...
*Far-me-ás a justiça de acreditar de que tampouco sou anti-semita; sendo militantemente não racista e procurando fazer crescer no meu coração a semente que o Deus de Abraão, pela vida e paixão, do seu Ungido, lá me colocou só por pura miopia poderia ter uma posição contrária.
*Os genocídios provocados pela Guerra, tenham sido pelos alemães, russos, romenos, japoneses, ingleses ou americanos são factos históricos e só uma pequeníssima franja de historiadores (ou equiparados) os contesta (sobretudo no que diz respeito aos alemães e romenos porque quantos aos outros ninguém abre a boca). Parece-me normal se atendermos à chamada distribuição uniforme do tratamento da informação.
É natural que a indignação provocada pelo desequilíbrio ético na condenação de todos os fenómenos de repressão, segregação, humilhação, tortura e execução de seres humanos leve a atitudes exacerbadas que tocam o limiar do admissível.
*Lamento (como poderia ser de outra forma?) o assassínio de grande quantidade de judeus (os seis milhões não são mais do que um cliché como o é o milhão de mortos da GCE), como de ciganos, de católicos e sobretudo de eslavos que pereceram às mãos dos alemães. Como não posso deixar de lamentar os seres humanos que foram violados, torturados e assassinados por comunistas, por ingleses e por franceses. Na morte, não lhes destingo o sangue, a fé, a cor ou as razões.
Dito isto, como prmio, e face ao manifesto exagero que tem havido na monopolização das vítimas dos genocídios como sendo eminentemente judaicas (como se a vida de um judeu valesse mais do que a de um não judeu) não posso deixar de manifestar a minha repulsa, em nome da Justiça e da Verdade pelo facto de terem transformado num crime a simples reflexão sobre se o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra mundial foi resultado das circunstâncias adversas da guerra e, obviamnete, dos vectores ideológicos que enformavam o regime nazi ou correspondeu de facto a uma sistematizada e projectada Solução Final para o chamado problema judaico do Centro da Europa. Para os mortos e seus familiares e para os sobreviventes a questão é porventura despicienda mas para o registo histórico honesto ela é importante. Impor dogmas em História é, à partida, permitir a mentira e o triunfo do Oblivion.
Porque é que se não pode perguntar porque é que que Rudolf Hess que praticamente não fez a guerra, foi condenado como criminoso de guerra? Ou terá sido por delito de opinião ?
Porque se fala à boca pequena de Katyn, de Trieste e da entrega dos exércitos de Vlasov? Dos criminosos bombardeamentos de Dresden e Hamburgo ? Da sistemática violação de mulheres alemãs, austríacas, polacas, romenas e húngaras pelos russos e pelos americanos (as francesas que o digam)? Justiça Væ Victis?
Muita dessa insistência na Shoa como essencialmente orientada para os Judeus acaba por se virar contra eles como muito bem percebeu Norman Finkelstein e o denunciou na Indústria do Holocausto.
E depois, pela empatia com as vítimas assinadas do genocídio nazi, se concluir que tudo lhes é devido e permitido, parece-me um disparate igualmente grave. Os palestinianos, igualmente semitas e seres humanos, têm o mesmo direito a existir que os judeus como estes o tinham em relação aos alemães.
Tenho-me (ponho de lado qualquer falsa modéstia) por ser um entendido curioso nas coisas judaicas que sempre me apaixonaram (provavelmente por ascendência de que muito me orgulho)e seria dos últimos a considerar-me anti-judaico. Mas não aceito racismos velados nem duplicidade de pesos e medidas.
E creio que nem tu nem o P.C.P. gostariam de estar na mesma fotografia que o caricato Rato mas por vezes o vosso raciocínio é demasiado maniqueista para o meu gosto.
Brevemente iniciarei a postagem de canções da diáspora judaica portuguesa...
sexta-feira, abril 07, 2006
Quando se têm dois amores...si us plau
segunda-feira, abril 03, 2006
O BIG BROTHER NUM SONHO DE TARDE DE FIM-DE-SEMANA
Num destes dias, depois de um invulgarmente pesado repasto e enquanto relaxava defronte do écran televisivo, senti-me invadir por um não menos invulgar sonho, que, gradualmente, me foi anestesiando o consciente.
Comecei a sentir-me nauseado e esganado...Uma sensação de desfalecimento invadiu-me...
Focando instintivamente o subconsciente para sincronizar as sensações, senti-me enforcado no nó da gravata e, no sufoco, vi perpassar por mim as últimas imagens da vida que sentia fugir-me.
No meio de toda a agitação, pareceu-me ouvir na televisão o som esganiçado da voz da apresentadora do incontornável Big Brother, deixando denunciar o evidente à-vontade com que se move nos entrefolhos rascas do pseudo-concurso.
A verdade é que essa aparição me distraiu do inventário mental com que no fim contabilizamos os nossos pecados e virtudes e devo confessar que foi com agrado que pus de lado as contas que me conduziriam a um mais que esperado saldo negativo, levando-me a reflectir, em alternativa, sobre o fenómeno. Espelho actual do estado e ambição cultural da nossa sociedade, o espectáculo em causa fidelizou multidões de seres que, fugindo às apagadas e vis tristezas da sua vida real, se deixaram envolver nas teias pegajosas daquela pobreza de espírito. Outros, ou porque se assumam como pertença de classes mais intelectualizadas, ou porque tenham ainda algum resquício de pudor, desculpavam a sua adictividade com o interesse da observação de uma experiência de cariz sociológico ou, mais francamente, com a atracção que o sórdido sempre provoca.
De novo, o pequeno écran atraiu a minha atenção subliminar; numa curta interrupção das cenas, para apresentação do noticiário, um qualquer ministro, votado para abandonar uma outra comuna do Big Brother, vociferava vingativo – Hadem pagá-las todas!!!
Com o crescente aperto da gravata senti, talvez como consequência da maior irrigação sanguínea, o regresso do estado analítico e pus-me, de novo, a reflectir obcecadamente sobre o assunto. Ao relembrar a ficção de Orwell-1984 que dera o mote à iniciativa televisiva, todo o enquadramento me parecia essencialmente pavloviano, mas era obrigado a reconhecer nas expressões de cultura suburbana que caracterizavam o pograma, os primórdios da Novilíngua. Se calhar, sabe-se lá, na sua génese estaria já uma produção menor da Pornosec, uma das subsecções do Ministério da Verdade da Grande Fraternidade.
Com a tarracha final à vista, deu-se um mergulho num outro universo de delírio e os reflexos dos écrans passaram a trazer-me boschianas imagens de degradação e inferno. Vislumbrei então, por entre névoas e sombras, um país sem nome, rebaixado e adormecido, sucedâneo espanhol de uma Nação antiga, contraditória e insegura mas orgulhosa e digna, agora subrepticiamente dissolvida num acidulado banho nihilista, agitado por incontáveis borboletas, esvoaçando invertidas sobre o resultado dessa lenta mas inexorável auto-degradação.
Via a deslealdade ser premiada, a honradez e a abnegação ridicularizadas, a corrupção desvalorizada e a pusilanimidade acarinhada. Via as elites servirem-se em vez de servirem, o compadrio sobrepor-se ao mérito e a mediocridade alinhada grassar. Via o herói ser considerado vilão, o crente mentecapto, o honesto incómodo.
Quebrando a monocromia da imagem, eis que surgiu na visão, em tom pastel, uma esfuziante manifestação de onde sobressaíam os casacos de pele de raposa de algumas senhoras que gritavam desalmadamente: Sim à liberalização do aborto!!! Abaixo os touros de morte!!!
À medida que a Salvatore Ferragamo se ia retesando no pescoço, pude ainda ver senhores com ar cinzento e austera compostura dizerem, ao ver-me soçobrar: - um tolo; é a prova evidente dos falhados, dos que querem “o longe, o Mistério, a Aventura, sinal de todo o impossível querer”. Mas, ao contrário do navio do poeta Couto Viana, não vi “o rapazio vir sonhar as linhas ideais de um outro navio, em busca de outras praias, em busca de outro Mar.”. Entrevi, isso sim, na languidez do desfalecimento que precede a morte, uns quantos mitras a fumar umas legais ganzas terapêuticas, curtindo uma boa e disfarçando na conversa sincopada e abstrusa, o despeito por não poderem tripar com a coca com que, mais além, um grupo de queques socialmente se recreavam.
Subitamente, aparecendo sem que me apercebesse de onde, eis que surge o Zé Eduardo Moniz a pedir-me, in extremis, que tentasse conseguir para a TVI, junto do Demo, a cobertura exclusiva da saddamização de Bush pelo rapaz Osama Bin Laden; oferecer-me-ia em troca, numa vida futura, e obviamente em caso de sucesso, um opíparo jantar no Maxims. Pois não é que minhas orelhas ruborizaram, incrédulas e escandalizadas, ao ouvirem os meus já desfalecidos lábios balbuciar: - Qual deles? O de Paris ou o da Praça da Alegria?...
Entretanto, o ruído do camião do lixo do Carmona acordou-me ao passar e pude erguer-se-me do sofá, combalido e confuso...
Comecei a sentir-me nauseado e esganado...Uma sensação de desfalecimento invadiu-me...
Focando instintivamente o subconsciente para sincronizar as sensações, senti-me enforcado no nó da gravata e, no sufoco, vi perpassar por mim as últimas imagens da vida que sentia fugir-me.
No meio de toda a agitação, pareceu-me ouvir na televisão o som esganiçado da voz da apresentadora do incontornável Big Brother, deixando denunciar o evidente à-vontade com que se move nos entrefolhos rascas do pseudo-concurso.
A verdade é que essa aparição me distraiu do inventário mental com que no fim contabilizamos os nossos pecados e virtudes e devo confessar que foi com agrado que pus de lado as contas que me conduziriam a um mais que esperado saldo negativo, levando-me a reflectir, em alternativa, sobre o fenómeno. Espelho actual do estado e ambição cultural da nossa sociedade, o espectáculo em causa fidelizou multidões de seres que, fugindo às apagadas e vis tristezas da sua vida real, se deixaram envolver nas teias pegajosas daquela pobreza de espírito. Outros, ou porque se assumam como pertença de classes mais intelectualizadas, ou porque tenham ainda algum resquício de pudor, desculpavam a sua adictividade com o interesse da observação de uma experiência de cariz sociológico ou, mais francamente, com a atracção que o sórdido sempre provoca.
De novo, o pequeno écran atraiu a minha atenção subliminar; numa curta interrupção das cenas, para apresentação do noticiário, um qualquer ministro, votado para abandonar uma outra comuna do Big Brother, vociferava vingativo – Hadem pagá-las todas!!!
Com o crescente aperto da gravata senti, talvez como consequência da maior irrigação sanguínea, o regresso do estado analítico e pus-me, de novo, a reflectir obcecadamente sobre o assunto. Ao relembrar a ficção de Orwell-1984 que dera o mote à iniciativa televisiva, todo o enquadramento me parecia essencialmente pavloviano, mas era obrigado a reconhecer nas expressões de cultura suburbana que caracterizavam o pograma, os primórdios da Novilíngua. Se calhar, sabe-se lá, na sua génese estaria já uma produção menor da Pornosec, uma das subsecções do Ministério da Verdade da Grande Fraternidade.
Com a tarracha final à vista, deu-se um mergulho num outro universo de delírio e os reflexos dos écrans passaram a trazer-me boschianas imagens de degradação e inferno. Vislumbrei então, por entre névoas e sombras, um país sem nome, rebaixado e adormecido, sucedâneo espanhol de uma Nação antiga, contraditória e insegura mas orgulhosa e digna, agora subrepticiamente dissolvida num acidulado banho nihilista, agitado por incontáveis borboletas, esvoaçando invertidas sobre o resultado dessa lenta mas inexorável auto-degradação.
Via a deslealdade ser premiada, a honradez e a abnegação ridicularizadas, a corrupção desvalorizada e a pusilanimidade acarinhada. Via as elites servirem-se em vez de servirem, o compadrio sobrepor-se ao mérito e a mediocridade alinhada grassar. Via o herói ser considerado vilão, o crente mentecapto, o honesto incómodo.
Quebrando a monocromia da imagem, eis que surgiu na visão, em tom pastel, uma esfuziante manifestação de onde sobressaíam os casacos de pele de raposa de algumas senhoras que gritavam desalmadamente: Sim à liberalização do aborto!!! Abaixo os touros de morte!!!
À medida que a Salvatore Ferragamo se ia retesando no pescoço, pude ainda ver senhores com ar cinzento e austera compostura dizerem, ao ver-me soçobrar: - um tolo; é a prova evidente dos falhados, dos que querem “o longe, o Mistério, a Aventura, sinal de todo o impossível querer”. Mas, ao contrário do navio do poeta Couto Viana, não vi “o rapazio vir sonhar as linhas ideais de um outro navio, em busca de outras praias, em busca de outro Mar.”. Entrevi, isso sim, na languidez do desfalecimento que precede a morte, uns quantos mitras a fumar umas legais ganzas terapêuticas, curtindo uma boa e disfarçando na conversa sincopada e abstrusa, o despeito por não poderem tripar com a coca com que, mais além, um grupo de queques socialmente se recreavam.
Subitamente, aparecendo sem que me apercebesse de onde, eis que surge o Zé Eduardo Moniz a pedir-me, in extremis, que tentasse conseguir para a TVI, junto do Demo, a cobertura exclusiva da saddamização de Bush pelo rapaz Osama Bin Laden; oferecer-me-ia em troca, numa vida futura, e obviamente em caso de sucesso, um opíparo jantar no Maxims. Pois não é que minhas orelhas ruborizaram, incrédulas e escandalizadas, ao ouvirem os meus já desfalecidos lábios balbuciar: - Qual deles? O de Paris ou o da Praça da Alegria?...
Entretanto, o ruído do camião do lixo do Carmona acordou-me ao passar e pude erguer-se-me do sofá, combalido e confuso...
Mais Memórias do PREC

Maria Paula foi uma inesquecível voz nas noites de Lisboa dos tempos da resistência à ditadura do MFA. Quando lhe chamavam reaccionária, de direita e outros epítetos semelhantes, a Paulinha respondia: Qual mulher de Direita, qual carapuça... Sempre fui uma mulher livre e é assim que quero continuar a ser; não tenho qualquer inclinação especial pela direita, pela esquerda ou pelo centro.
Habituada, no passado, a pisar os palcos e a Ribalta dos estúdios, nem por isso parecia pouco à vontade no seu papel de entertainer no Botequim ou no Ibéria. Para além de um reportório clássico, adequado a esse tipo de espaços, Maria Paula interpretava canções satíricas, de cunho político, dando-lhes uma feição original, a que não faltava a crítica mordaz e a graça elegante. Acompanhada por personalidades como Natália Correia, Carlos Vilaret, António Vilar, Fernando Teixeira (que escrevia muitas das letras), entoava com vivacidade cançonetas ligeiras como O Cunhal caíu ao mar..., Os Suínos, O Nabo, Ó Zé Povinho, vem à janela... que ficaram célebres na reacção lisboeta (facilmente exportada para o Porto) à MFAda e ao PREC.
Que saudades...
Mais uma peça de museu...
Vinda do baú do Pedro Guedes, (e tão limpo quanto possível pela vetusta idade do registo, com a sua autorização) um exemplar de cante que dedico a um jovem teórico do novo nacionalismo (ver o seu texto publicado sobre o assunto na revista Resistência), um tal José Lúcio. Por onde andará esse alentejano duma figa?
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segunda-feira, março 27, 2006
Sobre um artigo de José M. Júdice
Li com gosto um artigo do meu querido amigo Zé Miguel no segundo número da bem retornada revista Mama Sume. Com a clarividência que o caracteriza, Júdice elenca as três principais razões que, em seu entender, levaram ao sucesso do 25 de Novembro, a saber: os Comandos e os seus convocados, o escapulir do PC e a atitude dos militares auto intitulados moderados (Costa Gomes?, Pezarat?, Charais? moderados?)
Eanes costuma dar mais ou menos a mesma explicação, variando porventura a hierarquia, em importância, dos argumentos. Zé Miguel, quiçá por falta de espaço (ou de tempo) não explica a situação sócio-política do país que esteve seguramente subjacente às leituras que levaram àquelas posições. Como Eanes, ignora (ou, pelo menos, não menciona) a revolta popular que grassava em largas zonas de Portugal, em parte estimulada pelo trabalho de organizações com que ele colaborava.
Por outro lado, não posso deixar de lembrar que o que se seguiu ao 25 de Novembro não foi mais que o velho equívoco da paz podre que degenera sempre num golem centralão. À direita e à extrema esquerda foi dada ordem para rebaixar a voz, e do PS e do partido irmão-alternativo saíu a nomenklatura que até hoje tem governado, em cículo fechado iniciático, este pobre país. O desmembramento, intitulado eufemisticamente descolonização, estava concluído no essencial, pelo que Portugal e os seus lameiros podiam ser deixados ao governo dos feitores e caseiros indígenas. Quanto mais dóceis mais mamariam... O PC continuou instalado nas empresas públicas, de onde nunca foi desalojado, e o PS iniciou a conquista do aparelho da administração pública. Entre conversões e aggiornamenti gente daqui e d'acolá foi-se juntando ao festim, calcando sobre os pés verdades, liberdades e qualidades. A Kulturkampf deixou de existir por falta de comparência de um dos adversários, aprisonado em casa sob chantagem e promessas vãs.
Pois é, ele há coisas que são o que são...
Eanes costuma dar mais ou menos a mesma explicação, variando porventura a hierarquia, em importância, dos argumentos. Zé Miguel, quiçá por falta de espaço (ou de tempo) não explica a situação sócio-política do país que esteve seguramente subjacente às leituras que levaram àquelas posições. Como Eanes, ignora (ou, pelo menos, não menciona) a revolta popular que grassava em largas zonas de Portugal, em parte estimulada pelo trabalho de organizações com que ele colaborava.
Por outro lado, não posso deixar de lembrar que o que se seguiu ao 25 de Novembro não foi mais que o velho equívoco da paz podre que degenera sempre num golem centralão. À direita e à extrema esquerda foi dada ordem para rebaixar a voz, e do PS e do partido irmão-alternativo saíu a nomenklatura que até hoje tem governado, em cículo fechado iniciático, este pobre país. O desmembramento, intitulado eufemisticamente descolonização, estava concluído no essencial, pelo que Portugal e os seus lameiros podiam ser deixados ao governo dos feitores e caseiros indígenas. Quanto mais dóceis mais mamariam... O PC continuou instalado nas empresas públicas, de onde nunca foi desalojado, e o PS iniciou a conquista do aparelho da administração pública. Entre conversões e aggiornamenti gente daqui e d'acolá foi-se juntando ao festim, calcando sobre os pés verdades, liberdades e qualidades. A Kulturkampf deixou de existir por falta de comparência de um dos adversários, aprisonado em casa sob chantagem e promessas vãs.
Pois é, ele há coisas que são o que são...
sexta-feira, março 24, 2006
E esta ein?! Once a fritz always a fritz...
quinta-feira, março 23, 2006
Para o Jans sobre o Ay Carmela!
Por qualquer estranha razão, não consigo postar comentários. Por isso aqui te deixo um sobre o teu relativo ao Ay Carmela! O problema é que afinal parece que o bom senso das tuas palavras não tem sido considerado pela nomenklatura espanhola e até europeia. Como ignorantes que são continuam a não aprender com a História e insistem em profanar o repouso dos mortos. E nem sempre de ambos os lados. Para os escribas da história oficial houve mortos bons e mortos maus...
É impressionante a obsessão que os cães de fila do neo-frentepopulismo têm sobre a condição mítica do pessoal de direita (seja lá o que isso for) de carneiros ansiosos pelo matadouro. Revoltam-se? Protestam? Atirem-lhes os cães!
Já agora, uma nota final: tal como aconteceu com o Ich hatt' einen Kameraden , criado em 1809 por Ludwig Uhland (1789-1862)também o Ay carmela! foi cantado por ambas as partes: Em relação a este último, mercê do favorecimento que os frentepopulistas sempre mereceram da Comunicação Social, em grande parte ignorante e/ou afecta ao esquerdismo sem fronteiras,ficou mais conhecida como ligada ao amigos do Carrillo enquanto que a outra, talvez pela sua conotação germânica surge associada aos sublevados.
É impressionante a obsessão que os cães de fila do neo-frentepopulismo têm sobre a condição mítica do pessoal de direita (seja lá o que isso for) de carneiros ansiosos pelo matadouro. Revoltam-se? Protestam? Atirem-lhes os cães!
Já agora, uma nota final: tal como aconteceu com o Ich hatt' einen Kameraden , criado em 1809 por Ludwig Uhland (1789-1862)também o Ay carmela! foi cantado por ambas as partes: Em relação a este último, mercê do favorecimento que os frentepopulistas sempre mereceram da Comunicação Social, em grande parte ignorante e/ou afecta ao esquerdismo sem fronteiras,ficou mais conhecida como ligada ao amigos do Carrillo enquanto que a outra, talvez pela sua conotação germânica surge associada aos sublevados.
quarta-feira, março 22, 2006
De um mero pombo-correio, para o Ricardo Ynes...
Cântico
Em cada flor
Que dia a dia renasce,
o canto negro de uma saudade presente:
esta foi uma carta escrita
ao amanhecer, depois do fuzilamento.
Uma bandeira desfraldada,
crianças, e crianças correndo,
os amados amando-se,
os anciães rindo e sorrindo
- na palma da mão,
o testemunho imenso e vermelho,
que não morre:
essa foi a cidade de todos os tempos,
o amor e o canto das bocas sadias,
a espuma de todas as ondas
o mar de toda a navegação.
(Onde está a barca da alegria,
dos amados amando-se,
das crianças e jovens mulheres
de todas as idades? Onde está?
Onde dorme a barca das manhãs despertas?)
Dia a dia renascem os beijos dados à noite,
em Toledo.
Meu caro Amigo, eu vou morrer,
mas comigo levo a luz de Abril
e as flores de Maio,
e as medalhas dos camaradas
mortos em combate.
Os dias passam pela morte dos tempos.
(Oh, como o tempo passa!)
Ao lado de cada flor da manhã,
uma camisa negra aguarda o corpo do mundo.
José Valle de Figueiredo
Em cada flor
Que dia a dia renasce,
o canto negro de uma saudade presente:
esta foi uma carta escrita
ao amanhecer, depois do fuzilamento.
Uma bandeira desfraldada,
crianças, e crianças correndo,
os amados amando-se,
os anciães rindo e sorrindo
- na palma da mão,
o testemunho imenso e vermelho,
que não morre:
essa foi a cidade de todos os tempos,
o amor e o canto das bocas sadias,
a espuma de todas as ondas
o mar de toda a navegação.
(Onde está a barca da alegria,
dos amados amando-se,
das crianças e jovens mulheres
de todas as idades? Onde está?
Onde dorme a barca das manhãs despertas?)
Dia a dia renascem os beijos dados à noite,
em Toledo.
Meu caro Amigo, eu vou morrer,
mas comigo levo a luz de Abril
e as flores de Maio,
e as medalhas dos camaradas
mortos em combate.
Os dias passam pela morte dos tempos.
(Oh, como o tempo passa!)
Ao lado de cada flor da manhã,
uma camisa negra aguarda o corpo do mundo.
José Valle de Figueiredo
O tango antes da tanga...
Na voz de Luís Rocha, Adeus...vou partir para o Ultramar. Para coleccionadores...
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terça-feira, março 21, 2006
Jans, coño que bully estás!
segunda-feira, março 20, 2006
Do Joaquim Azinhal Abelho para tutti quanti...
No Fado os Deuses regressam legítimos
e longínquos. É esse o segundo sentido
da figura de D. Sebastião.
Fernando Pessoa
Balada Arraiana
Com um abraço a Juan Pablo Alba Lopes
Oh, rio Guadiana! Oh, rio
De águas mansas e voz plana…
Aonde irás tu, oh rio
Guadiana, Guadiana?...
Subi ao castelo de Elvas,
Vi Badajoz ao luar
Debruçado em seus reflexos,
Sonhando um doce fitar.
Dois grupos de cavaleiros
-Grande coisa de pasmar! –
Dando-se as mãos sobre o leito
Das águas que iam correndo,
Correndo tão devagar…
Um vestia de armas brancas,
Outro andava a cavalgar
Sob corcéis cor de fogo,
Bem mais leves do que o ar.
Oh! Cavaleiros, cavaleiros!
Aonde é que ides parar?
- Vamos Guadiana abaixo
Sem tenção de descansar.
- Nós viemos pelas Espanhas
(Disse o mais veloz que o ar)
Dona de coisas tamanhas
Que nem as posso contar…
Vivendo as gestas do Cid,
Campeador de longadas,
Chegamos a José António,
Capitão dos camaradas.
- José António, o da camisa,
Azul com flechas bordadas.
- Nós por terras portuguesas
Banhadas por sal do mar,
Irmão das vossas raízes
Gémeas do vosso cantar…
- Os de El-Rei D. Sebastião
Que ainda há-de um dia voltar. –
Terçando as espadas de oiro
Foram num coro a gritar
- Europa, madre e madrinha!
De quem fomos já cabeça
Nós viemos-te a salvar:
Salvar de caíres por terra;
Salvar de poderes tombar…
Tu que foste alicerce
Ai, não podes fraquejar.
Em frente ao castelo de Elvas,
Com Badajoz ao luar,
Juramos pela fé que somos
Que hemos de morrer ou matar.
Lá foram os cavaleiros,
Lá foram no seu cantar,
Colhendo cravos e rosas;
Lá foram no seu correr;
Fulgindo o brilho das armas
Que hão-de matar ou morrer.
Porque foram ou não foram
Ninguém poderá saber.
Quem é que os mandou partir?
Quem os mandará correr?
Oh! Rio Guadiana! Oh, Rio!
Foi este o meu meditar,
Quando te vi por te ver,
Por te ver e por te amar
Correndo tão calmamente
Talvez não chegues ao mar…
Talvez fiques em nós todos:
Talvez lá vão cavaleiros
Que te ocupem o lugar
E fiques em nossos olhos
Quando estamos a chorar.
e longínquos. É esse o segundo sentido
da figura de D. Sebastião.
Fernando Pessoa
Balada Arraiana
Com um abraço a Juan Pablo Alba Lopes
Oh, rio Guadiana! Oh, rio
De águas mansas e voz plana…
Aonde irás tu, oh rio
Guadiana, Guadiana?...
Subi ao castelo de Elvas,
Vi Badajoz ao luar
Debruçado em seus reflexos,
Sonhando um doce fitar.
Dois grupos de cavaleiros
-Grande coisa de pasmar! –
Dando-se as mãos sobre o leito
Das águas que iam correndo,
Correndo tão devagar…
Um vestia de armas brancas,
Outro andava a cavalgar
Sob corcéis cor de fogo,
Bem mais leves do que o ar.
Oh! Cavaleiros, cavaleiros!
Aonde é que ides parar?
- Vamos Guadiana abaixo
Sem tenção de descansar.
- Nós viemos pelas Espanhas
(Disse o mais veloz que o ar)
Dona de coisas tamanhas
Que nem as posso contar…
Vivendo as gestas do Cid,
Campeador de longadas,
Chegamos a José António,
Capitão dos camaradas.
- José António, o da camisa,
Azul com flechas bordadas.
- Nós por terras portuguesas
Banhadas por sal do mar,
Irmão das vossas raízes
Gémeas do vosso cantar…
- Os de El-Rei D. Sebastião
Que ainda há-de um dia voltar. –
Terçando as espadas de oiro
Foram num coro a gritar
- Europa, madre e madrinha!
De quem fomos já cabeça
Nós viemos-te a salvar:
Salvar de caíres por terra;
Salvar de poderes tombar…
Tu que foste alicerce
Ai, não podes fraquejar.
Em frente ao castelo de Elvas,
Com Badajoz ao luar,
Juramos pela fé que somos
Que hemos de morrer ou matar.
Lá foram os cavaleiros,
Lá foram no seu cantar,
Colhendo cravos e rosas;
Lá foram no seu correr;
Fulgindo o brilho das armas
Que hão-de matar ou morrer.
Porque foram ou não foram
Ninguém poderá saber.
Quem é que os mandou partir?
Quem os mandará correr?
Oh! Rio Guadiana! Oh, Rio!
Foi este o meu meditar,
Quando te vi por te ver,
Por te ver e por te amar
Correndo tão calmamente
Talvez não chegues ao mar…
Talvez fiques em nós todos:
Talvez lá vão cavaleiros
Que te ocupem o lugar
E fiques em nossos olhos
Quando estamos a chorar.
Lágrimas de Portugal
Quando os caminhos do mar surgem, de novo, envoltos em bruma artificial...
Quando as canadas para nordeste surgem falaciosamente abertas para ratinhos e malteses irem oferecer a sua mão-de-obra aos terratenentes e burgueses dessa Velha Senhora Europa...
Quando as procissões de OPAs já mal disfarçam que os núcleos de decisão financeira estão bem longe de Portugal (será que alguma vez por cá se encontraram? E qual a diferença? Terá o Capital Pátria ou Nação?)...
Oiçamos Fernando Pessoa, na voz do Zé e libertemos a alma, deixemo-la roçar ao de leve por toda essa espuma marulhante que, oceano a oceano, tantas memórias carrega da nossa Pátria errante. Sonhemos com El-rei D.Sebastião e com os toques a rebate dos sinos das aldeias que num dia de fero nevoeiro nos juntem a todos em frente das Novas Muralhas de Barad-dûr para a conquista definitiva de Mordor...
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Se alguém me puder fazer chegar a marcha Heróis de Mucaba (a Banda da GNR gravou)ficaria mui agradecido.
Quando as canadas para nordeste surgem falaciosamente abertas para ratinhos e malteses irem oferecer a sua mão-de-obra aos terratenentes e burgueses dessa Velha Senhora Europa...
Quando as procissões de OPAs já mal disfarçam que os núcleos de decisão financeira estão bem longe de Portugal (será que alguma vez por cá se encontraram? E qual a diferença? Terá o Capital Pátria ou Nação?)...
Oiçamos Fernando Pessoa, na voz do Zé e libertemos a alma, deixemo-la roçar ao de leve por toda essa espuma marulhante que, oceano a oceano, tantas memórias carrega da nossa Pátria errante. Sonhemos com El-rei D.Sebastião e com os toques a rebate dos sinos das aldeias que num dia de fero nevoeiro nos juntem a todos em frente das Novas Muralhas de Barad-dûr para a conquista definitiva de Mordor...
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