segunda-feira, maio 08, 2006

Ainda a propósito do Kamarada Lino...

Não sou daqueles que têm por hábito barafustar contra tudo o que é ou cheira a espanhol. Entendo que estamos condenados a entendermo-nos quanto mais não seja por razões geográficas. É verdade que Portugal se está a tornar um vazadouro de produtos espanhóis de baixa qualidade; mas a culpa reside, provavelmente, mais na subserviência, pusilanimidade e terceiro-mundismo dos agentes do nosso Estado do que em Espanha. Há muito que se sabe que as Nações e os países agem em função dos interesses e não das amizades. Mas creio que já basta de tanta arrogância ignorante dos nossos governantes.
No passado, não pude deixar de me indignar quando ouvi a ex-Ministra dos Negócios Estrangeiros do país do lado afirmar perante as Cortes que os espanhóis estão em Ceuta desde 1415! A gaffe até seria desculpável se ela não correspondesse à informação que os espanhóis têm já inculcada. A título de exemplo, é possível ler-se numa publicação da RBA Coleccionables que Ceuta e Tânger, entre outras, foram conquistadas durante a regência de Fernando, o Católico. Se, como se comprova no resto da obra, o autor Gabriel Cardona é absolutamente medíocre, já mais dificuldade se tem em perceber como é que o tradutor (Miguel Côrte-Real) e os Revisores(Fernando Moser e Pedro Alçada Baptista) deixaram passar estas alarvidades. Tanto mais que não são únicas. Noutro fascículo, a intervenção fundamental das tropas portuguesas comandadas por D. Afonso IV, na batalha do Salado é completamente ignorada. A publicação acompanha soldadinhos de chumbo de colecção e foi vendida em quase todas as bancas de jornais por esse país fora.
A talho de foice e estimulados por estas atitudes, não podemos deixar de falar do caso de Olivença. Se a sua posse efectiva não constitui hoje um crítico problema para a Segurança Nacional, já a reivindicação da nossa Soberania, para além de uma justa questão de Direito, é um ponto fulcral na coesão anímica que consolida a nossa Identidade Nacional. Abdicar dessa acção, por pusilanimidade, falta de convicção ou subserviência aos Espanhóis, é não só uma tremenda deslealdade para com a Nação como um erro grave em Política Internacional. Olivença pode não ser hoje uma terra portuguesa, pela vontade dos seus habitantes, como certamente Gibraltar não é espanhola mas o que não pode haver dúvidas é que ela é de Portugal tanto quanto o Rochedo o pode ser de Espanha. Ceder nesse ponto é, na prática, entregar simbolicamente a nossa Alma à insinuante vizinha. E não nos esqueçamos de que Espanha está em Olivença há cerca de cem anos menos do que Inglaterra está em Gibraltar...

terça-feira, maio 02, 2006

La canción del ausente

Para Ricardito, em homenagem ao seu bravo e desassombrado livro que tanto honra a memória do pai assassinado pela ETA. Obrigado pela dedicatória; podias tê-la posto no texto, sin problema...

Letra de Sergio Fiallo e música de De Raymond, com um agradecimento muito especial ao Nonas e ao Zé Carlos C.L..



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O cair das máscaras...

Intervenção do Ministro Mário Lino na Galiza:


Mientras España lleva meses sacudida por los debates sobre los estatutos de autonomía o si el Estado se desmembra y se "rompe" como nación, el ministro de Obras Públicas, Transportes y Comunicaciones de Portugal se confesó ayer en Santiago profundamente "iberista",convencido de que España y Portugal tienen por delante un futuro en común porque su historia es también común y su lengua, similar. Ante unas 150 personas, en su mayoría cargos directivos de la Caixa Geral de Depósitos y de su filial el Banco Simeón, Mario Lino impartió una conferencia obre "El papel de las infraestructuras en el desarrollo del Noroeste Peninsular" y el eje de su discurso fue resaltar la importancia de las relaciones que Portugal debe mantener con España para diseñar su red de infraestructuras.
"Soy iberista confeso. Tenemos una historia común, una lengua común y una lengua común. Hay unidad histórica y cultural e Iberia es una realidad que persigue tanto el Gobierno español como el portugués. Y si hay algo importante para estas relaciones son las infraestructurasde transporte", comentó el ministro, tres horas después de reunirse con Pérez Touriño y en un almuerzo-conferencia.
Mario Lino justificó la demora en definir los plazos del AVE entre Vigo-Oporto porque es "absolutamente necesario" asegurar que esta infraestructura "sea un éxito", por lo que se trabaja con el "máximo rigor". Pero no dio más detalles. Alguien del público le preguntó por los plazos y el ministro se puso a la defensiva: "Ésta es la pregunta de un periodista para ver si doy un plazo y me equivoco. La respuesta se sabrá a final de año, en la cumbre luso-española". Pero la cuestión no fue planteada por ningún periodista, sino por un directivo del Grupo Caixa Geral de Depósitos.
Otro cargo de la multinacional financiera portuguesa intentó poner en apuros al ministro al inquirirle por qué el AVE Vigo-Oporto no se llamaba Vigo-Braga si es un proyecto portugués y la mayor parte del trazado discurre por Portugal.
Mario Lino dio vueltas a los argumentos, que si la línea principal era Lisboa-Oporto, que si se buscaba enlazar al mayor número de poblaciones...
pero dejó sin contestar la pregunta.
Lino defendió la competencia entre todas las infraestructuras gallegas y las del norte de Portugal, pero advirtió de que se deben "concebir en conjunto para sacar mayores provechos" para ambos territorios. Acompañando a ministro estuvieron el delegado del Gobierno en Galicia, Manuel Ameijeiras, la conselleira de Política Territorial, María José Caride, o el presidente de la patronalgallega, Antonio Fontenla.

Texto Original
X. A. Taboada / SANTIAGO


Há quem pense que estas declarações são uma infracção às leis portuguesas. Sê-lo-ão ?
Artigo 308.º (CP)
Traição à Pátria

Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania:
a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou
b) Ofender ou puser em perigo a independência do País; é punido com pena de prisão de 10 a 20 anos.



Como diria o Misantatropo Calmado: Ihihihihihihihihihihihihih!

quarta-feira, abril 19, 2006

A NOSSA PÁTRIA


"Se amanhã, os espúrios filhos bastardos de raça tentassem, como ciganos de alborque, vender o património santo que nos legou o montante invencível de D. Afonso Henriques, Os Lusíadas seriam um tremendo libelo acusatório, trovejando cóleras épicas, estigmatizando a traição, chorando perpetuamente sobre as ruínas da nossa glória..."
Olímpio César


Abandonando o seu velhinho "berço",
Na vetusta e histórica Guimarães,
A Pátria de nossos pais,
De nossas mães,
De nossos avós,
De todos nós,
Caminha, alquebrada
(De idade secular),
Ao longo de montes e vales,
E pára, exausta e triste,
Junto ao mar.
Ali uma vez,
Perscrutando o horizonte atlântico,
O que foi o Mar Português,
Ajoelha, e recolhe-se a rezar...
E, quando ao Sol posto,
Se ergue lentamente,
E se queda, de olhar vago, distante,
Naquele nostálgico e imenso areal
- Correm-lhe pelas faces,
Enrugadas
E retesadas,
Lágrimas amargas como o sal!...


João Patrício(1979)

terça-feira, abril 11, 2006

Chama-me camarada

Identificada muitas vezes no Cancioneiro fetista pelo título em epígrafe, tem letra de José María García-Cernuda Calleja e música de Agustín Paíno Mendicoague.

Cubre tu pecho de azul



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Maria da Fonte

Mais um subsídio para a história da resistência ao PREC.
O Zé de novo, com letra de D. Vasco Teles da Gama



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En el pozo Maria Luísa

Santa Bárbara bendita
patrona de los mineros...

Mais uma canção popular usada pelos anarquistas das Astúrias. Não deixa de ser irónico que ao mesmo tempo que penduravam católicos em ganchos de carne, apelassem a santa Bárbara...



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segunda-feira, abril 10, 2006

Eu tinha um camarada...

De novo: Ich hatt'einen Kameraden de ludwig Uhland8 (1786-1862)



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Até amanhã, em Jerusalém...

Meu caro Jans

Hesitei em escrever este postal, sobretudo para evitar contrariar os teus desejos de não voltar a mexer no assunto. Mas o sentido da Justiça e da Verdade está de tal maneira inculcado em mim que não pude resistir ao ímpeto.
*Sabes como ninguém que nunca fui, não sou, não quero ser (e tenho pó a quem o é) nacional-socialista. Não precisei, contudo, para assumir essa convicção de ser influenciado pelas revelações de genocídios provocados pelos alemães; bastava-me a ideologia apregoada, nomeadamente a sua essência e substância...
*Far-me-ás a justiça de acreditar de que tampouco sou anti-semita; sendo militantemente não racista e procurando fazer crescer no meu coração a semente que o Deus de Abraão, pela vida e paixão, do seu Ungido, lá me colocou só por pura miopia poderia ter uma posição contrária.
*Os genocídios provocados pela Guerra, tenham sido pelos alemães, russos, romenos, japoneses, ingleses ou americanos são factos históricos e só uma pequeníssima franja de historiadores (ou equiparados) os contesta (sobretudo no que diz respeito aos alemães e romenos porque quantos aos outros ninguém abre a boca). Parece-me normal se atendermos à chamada distribuição uniforme do tratamento da informação.
É natural que a indignação provocada pelo desequilíbrio ético na condenação de todos os fenómenos de repressão, segregação, humilhação, tortura e execução de seres humanos leve a atitudes exacerbadas que tocam o limiar do admissível.
*Lamento (como poderia ser de outra forma?) o assassínio de grande quantidade de judeus (os seis milhões não são mais do que um cliché como o é o milhão de mortos da GCE), como de ciganos, de católicos e sobretudo de eslavos que pereceram às mãos dos alemães. Como não posso deixar de lamentar os seres humanos que foram violados, torturados e assassinados por comunistas, por ingleses e por franceses. Na morte, não lhes destingo o sangue, a fé, a cor ou as razões.
Dito isto, como prœmio, e face ao manifesto exagero que tem havido na monopolização das vítimas dos genocídios como sendo eminentemente judaicas (como se a vida de um judeu valesse mais do que a de um não judeu) não posso deixar de manifestar a minha repulsa, em nome da Justiça e da Verdade pelo facto de terem transformado num crime a simples reflexão sobre se o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra mundial foi resultado das circunstâncias adversas da guerra e, obviamnete, dos vectores ideológicos que enformavam o regime nazi ou correspondeu de facto a uma sistematizada e projectada Solução Final para o chamado problema judaico do Centro da Europa. Para os mortos e seus familiares e para os sobreviventes a questão é porventura despicienda mas para o registo histórico honesto ela é importante. Impor dogmas em História é, à partida, permitir a mentira e o triunfo do Oblivion.
Porque é que se não pode perguntar porque é que que Rudolf Hess que praticamente não fez a guerra, foi condenado como criminoso de guerra? Ou terá sido por delito de opinião ?
Porque se fala à boca pequena de Katyn, de Trieste e da entrega dos exércitos de Vlasov? Dos criminosos bombardeamentos de Dresden e Hamburgo ? Da sistemática violação de mulheres alemãs, austríacas, polacas, romenas e húngaras pelos russos e pelos americanos (as francesas que o digam)? Justiça Væ Victis?
Muita dessa insistência na Shoa como essencialmente orientada para os Judeus acaba por se virar contra eles como muito bem percebeu Norman Finkelstein e o denunciou na Indústria do Holocausto.
E depois, pela empatia com as vítimas assinadas do genocídio nazi, se concluir que tudo lhes é devido e permitido, parece-me um disparate igualmente grave. Os palestinianos, igualmente semitas e seres humanos, têm o mesmo direito a existir que os judeus como estes o tinham em relação aos alemães.
Tenho-me (ponho de lado qualquer falsa modéstia) por ser um entendido curioso nas coisas judaicas que sempre me apaixonaram (provavelmente por ascendência de que muito me orgulho)e seria dos últimos a considerar-me anti-judaico. Mas não aceito racismos velados nem duplicidade de pesos e medidas.
E creio que nem tu nem o P.C.P. gostariam de estar na mesma fotografia que o caricato Rato mas por vezes o vosso raciocínio é demasiado maniqueista para o meu gosto.

Brevemente iniciarei a postagem de canções da diáspora judaica portuguesa...

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA !

sexta-feira, abril 07, 2006

Quando se têm dois amores...si us plau

Com Alfonso XIII, à espreita, Hitler à esquerda e Iossif Vissarionovitch Djugatchvilli à direita...



A síntese irónica do marketing da imagem


Buñuel e o pintor numa pose muito almodoveriana...


o Pintor e o amante...

segunda-feira, abril 03, 2006

O BIG BROTHER NUM SONHO DE TARDE DE FIM-DE-SEMANA

Num destes dias, depois de um invulgarmente pesado repasto e enquanto relaxava defronte do écran televisivo, senti-me invadir por um não menos invulgar sonho, que, gradualmente, me foi anestesiando o consciente.
Comecei a sentir-me nauseado e esganado...Uma sensação de desfalecimento invadiu-me...
Focando instintivamente o subconsciente para sincronizar as sensações, senti-me enforcado no nó da gravata e, no sufoco, vi perpassar por mim as últimas imagens da vida que sentia fugir-me.
No meio de toda a agitação, pareceu-me ouvir na televisão o som esganiçado da voz da apresentadora do incontornável Big Brother, deixando denunciar o evidente à-vontade com que se move nos entrefolhos rascas do pseudo-concurso.
A verdade é que essa aparição me distraiu do inventário mental com que no fim contabilizamos os nossos pecados e virtudes e devo confessar que foi com agrado que pus de lado as contas que me conduziriam a um mais que esperado saldo negativo, levando-me a reflectir, em alternativa, sobre o fenómeno. Espelho actual do estado e ambição cultural da nossa sociedade, o espectáculo em causa fidelizou multidões de seres que, fugindo às apagadas e vis tristezas da sua vida real, se deixaram envolver nas teias pegajosas daquela pobreza de espírito. Outros, ou porque se assumam como pertença de classes mais intelectualizadas, ou porque tenham ainda algum resquício de pudor, desculpavam a sua adictividade com o interesse da observação de uma experiência de cariz sociológico ou, mais francamente, com a atracção que o sórdido sempre provoca.
De novo, o pequeno écran atraiu a minha atenção subliminar; numa curta interrupção das cenas, para apresentação do noticiário, um qualquer ministro, votado para abandonar uma outra comuna do Big Brother, vociferava vingativo – Hadem pagá-las todas!!!
Com o crescente aperto da gravata senti, talvez como consequência da maior irrigação sanguínea, o regresso do estado analítico e pus-me, de novo, a reflectir obcecadamente sobre o assunto. Ao relembrar a ficção de Orwell-1984 que dera o mote à iniciativa televisiva, todo o enquadramento me parecia essencialmente pavloviano, mas era obrigado a reconhecer nas expressões de cultura suburbana que caracterizavam o pograma, os primórdios da Novilíngua. Se calhar, sabe-se lá, na sua génese estaria já uma produção menor da Pornosec, uma das subsecções do Ministério da Verdade da Grande Fraternidade.
Com a tarracha final à vista, deu-se um mergulho num outro universo de delírio e os reflexos dos écrans passaram a trazer-me boschianas imagens de degradação e inferno. Vislumbrei então, por entre névoas e sombras, um país sem nome, rebaixado e adormecido, sucedâneo espanhol de uma Nação antiga, contraditória e insegura mas orgulhosa e digna, agora subrepticiamente dissolvida num acidulado banho nihilista, agitado por incontáveis borboletas, esvoaçando invertidas sobre o resultado dessa lenta mas inexorável auto-degradação.
Via a deslealdade ser premiada, a honradez e a abnegação ridicularizadas, a corrupção desvalorizada e a pusilanimidade acarinhada. Via as elites servirem-se em vez de servirem, o compadrio sobrepor-se ao mérito e a mediocridade alinhada grassar. Via o herói ser considerado vilão, o crente mentecapto, o honesto incómodo.
Quebrando a monocromia da imagem, eis que surgiu na visão, em tom pastel, uma esfuziante manifestação de onde sobressaíam os casacos de pele de raposa de algumas senhoras que gritavam desalmadamente: Sim à liberalização do aborto!!! Abaixo os touros de morte!!!
À medida que a Salvatore Ferragamo se ia retesando no pescoço, pude ainda ver senhores com ar cinzento e austera compostura dizerem, ao ver-me soçobrar: - um tolo; é a prova evidente dos falhados, dos que querem “o longe, o Mistério, a Aventura, sinal de todo o impossível querer”. Mas, ao contrário do navio do poeta Couto Viana, não vi “o rapazio vir sonhar as linhas ideais de um outro navio, em busca de outras praias, em busca de outro Mar.”. Entrevi, isso sim, na languidez do desfalecimento que precede a morte, uns quantos mitras a fumar umas legais ganzas terapêuticas, curtindo uma boa e disfarçando na conversa sincopada e abstrusa, o despeito por não poderem tripar com a coca com que, mais além, um grupo de queques socialmente se recreavam.
Subitamente, aparecendo sem que me apercebesse de onde, eis que surge o Zé Eduardo Moniz a pedir-me, in extremis, que tentasse conseguir para a TVI, junto do Demo, a cobertura exclusiva da saddamização de Bush pelo rapaz Osama Bin Laden; oferecer-me-ia em troca, numa vida futura, e obviamente em caso de sucesso, um opíparo jantar no Maxims. Pois não é que minhas orelhas ruborizaram, incrédulas e escandalizadas, ao ouvirem os meus já desfalecidos lábios balbuciar: - Qual deles? O de Paris ou o da Praça da Alegria?...
Entretanto, o ruído do camião do lixo do Carmona acordou-me ao passar e pude erguer-se-me do sofá, combalido e confuso...

Mais Memórias do PREC


Maria Paula foi uma inesquecível voz nas noites de Lisboa dos tempos da resistência à ditadura do MFA. Quando lhe chamavam reaccionária, de direita e outros epítetos semelhantes, a Paulinha respondia: Qual mulher de Direita, qual carapuça... Sempre fui uma mulher livre e é assim que quero continuar a ser; não tenho qualquer inclinação especial pela direita, pela esquerda ou pelo centro.
Habituada, no passado, a pisar os palcos e a Ribalta dos estúdios, nem por isso parecia pouco à vontade no seu papel de entertainer no Botequim ou no Ibéria. Para além de um reportório clássico, adequado a esse tipo de espaços, Maria Paula interpretava canções satíricas, de cunho político, dando-lhes uma feição original, a que não faltava a crítica mordaz e a graça elegante. Acompanhada por personalidades como Natália Correia, Carlos Vilaret, António Vilar, Fernando Teixeira (que escrevia muitas das letras), entoava com vivacidade cançonetas ligeiras como O Cunhal caíu ao mar..., Os Suínos, O Nabo, Ó Zé Povinho, vem à janela... que ficaram célebres na reacção lisboeta (facilmente exportada para o Porto) à MFAda e ao PREC.
Que saudades...

Mais uma peça de museu...

Vinda do baú do Pedro Guedes, (e tão limpo quanto possível pela vetusta idade do registo, com a sua autorização) um exemplar de cante que dedico a um jovem teórico do novo nacionalismo (ver o seu texto publicado sobre o assunto na revista Resistência), um tal José Lúcio. Por onde andará esse alentejano duma figa?


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segunda-feira, março 27, 2006

Sobre um artigo de José M. Júdice

Li com gosto um artigo do meu querido amigo Zé Miguel no segundo número da bem retornada revista Mama Sume. Com a clarividência que o caracteriza, Júdice elenca as três principais razões que, em seu entender, levaram ao sucesso do 25 de Novembro, a saber: os Comandos e os seus convocados, o escapulir do PC e a atitude dos militares auto intitulados moderados (Costa Gomes?, Pezarat?, Charais? moderados?)
Eanes costuma dar mais ou menos a mesma explicação, variando porventura a hierarquia, em importância, dos argumentos. Zé Miguel, quiçá por falta de espaço (ou de tempo) não explica a situação sócio-política do país que esteve seguramente subjacente às leituras que levaram àquelas posições. Como Eanes, ignora (ou, pelo menos, não menciona) a revolta popular que grassava em largas zonas de Portugal, em parte estimulada pelo trabalho de organizações com que ele colaborava.
Por outro lado, não posso deixar de lembrar que o que se seguiu ao 25 de Novembro não foi mais que o velho equívoco da paz podre que degenera sempre num golem centralão. À direita e à extrema esquerda foi dada ordem para rebaixar a voz, e do PS e do partido irmão-alternativo saíu a nomenklatura que até hoje tem governado, em cículo fechado iniciático, este pobre país. O desmembramento, intitulado eufemisticamente descolonização, estava concluído no essencial, pelo que Portugal e os seus lameiros podiam ser deixados ao governo dos feitores e caseiros indígenas. Quanto mais dóceis mais mamariam... O PC continuou instalado nas empresas públicas, de onde nunca foi desalojado, e o PS iniciou a conquista do aparelho da administração pública. Entre conversões e aggiornamenti gente daqui e d'acolá foi-se juntando ao festim, calcando sobre os pés verdades, liberdades e qualidades. A Kulturkampf deixou de existir por falta de comparência de um dos adversários, aprisonado em casa sob chantagem e promessas vãs.
Pois é, ele há coisas que são o que são...

sexta-feira, março 24, 2006

E esta ein?! Once a fritz always a fritz...

A Bandiera Rossa com sonoridade germânica...


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Os soldados dos pântanos das Brigadas Interncionais Anti-fascistas (para alemã a voz parece um pouco brokeback


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quinta-feira, março 23, 2006

Para o Jans sobre o Ay Carmela!

Por qualquer estranha razão, não consigo postar comentários. Por isso aqui te deixo um sobre o teu relativo ao Ay Carmela! O problema é que afinal parece que o bom senso das tuas palavras não tem sido considerado pela nomenklatura espanhola e até europeia. Como ignorantes que são continuam a não aprender com a História e insistem em profanar o repouso dos mortos. E nem sempre de ambos os lados. Para os escribas da história oficial houve mortos bons e mortos maus...

É impressionante a obsessão que os cães de fila do neo-frentepopulismo têm sobre a condição mítica do pessoal de direita (seja lá o que isso for) de carneiros ansiosos pelo matadouro. Revoltam-se? Protestam? Atirem-lhes os cães!

Já agora, uma nota final: tal como aconteceu com o Ich hatt' einen Kameraden , criado em 1809 por Ludwig Uhland (1789-1862)também o Ay carmela! foi cantado por ambas as partes: Em relação a este último, mercê do favorecimento que os frentepopulistas sempre mereceram da Comunicação Social, em grande parte ignorante e/ou afecta ao esquerdismo sem fronteiras,ficou mais conhecida como ligada ao amigos do Carrillo enquanto que a outra, talvez pela sua conotação germânica surge associada aos sublevados.

quarta-feira, março 22, 2006

De um mero pombo-correio, para o Ricardo Ynes...

Cântico


Em cada flor
Que dia a dia renasce,
o canto negro de uma saudade presente:
esta foi uma carta escrita
ao amanhecer, depois do fuzilamento.
Uma bandeira desfraldada,
crianças, e crianças correndo,
os amados amando-se,
os anciães rindo e sorrindo
- na palma da mão,
o testemunho imenso e vermelho,
que não morre:
essa foi a cidade de todos os tempos,
o amor e o canto das bocas sadias,
a espuma de todas as ondas
o mar de toda a navegação.
(Onde está a barca da alegria,
dos amados amando-se,
das crianças e jovens mulheres
de todas as idades? Onde está?
Onde dorme a barca das manhãs despertas?)
Dia a dia renascem os beijos dados à noite,
em Toledo.

Meu caro Amigo, eu vou morrer,
mas comigo levo a luz de Abril
e as flores de Maio,
e as medalhas dos camaradas
mortos em combate.
Os dias passam pela morte dos tempos.
(Oh, como o tempo passa!)
Ao lado de cada flor da manhã,
uma camisa negra aguarda o corpo do mundo.

José Valle de Figueiredo

O tango antes da tanga...

Na voz de Luís Rocha, Adeus...vou partir para o Ultramar. Para coleccionadores...


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Jota e coplas para el Ausente




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terça-feira, março 21, 2006

Ay Carmela! Si hubieras pasado...



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La marcha del 5 regimiento



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Jans, coño que bully estás!

Resolvi cair gostosamente na armadilha montada pelo Jansenista. Não é nem o Aye Carmela! nem o Quinto ainda mas dá para divertir. (Caramba, tinhas que escolher Toledo como isco?)



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segunda-feira, março 20, 2006

Do Joaquim Azinhal Abelho para tutti quanti...

No Fado os Deuses regressam legítimos
e longínquos. É esse o segundo sentido
da figura de D. Sebastião.


Fernando Pessoa


Balada Arraiana

Com um abraço a Juan Pablo Alba Lopes

Oh, rio Guadiana! Oh, rio
De águas mansas e voz plana…
Aonde irás tu, oh rio
Guadiana, Guadiana?...

Subi ao castelo de Elvas,
Vi Badajoz ao luar
Debruçado em seus reflexos,
Sonhando um doce fitar.
Dois grupos de cavaleiros
-Grande coisa de pasmar! –
Dando-se as mãos sobre o leito
Das águas que iam correndo,
Correndo tão devagar…
Um vestia de armas brancas,
Outro andava a cavalgar
Sob corcéis cor de fogo,
Bem mais leves do que o ar.
Oh! Cavaleiros, cavaleiros!
Aonde é que ides parar?
- Vamos Guadiana abaixo
Sem tenção de descansar.
- Nós viemos pelas Espanhas
(Disse o mais veloz que o ar)
Dona de coisas tamanhas
Que nem as posso contar…
Vivendo as gestas do Cid,
Campeador de longadas,
Chegamos a José António,
Capitão dos camaradas.
- José António, o da camisa,
Azul com flechas bordadas.


- Nós por terras portuguesas
Banhadas por sal do mar,
Irmão das vossas raízes
Gémeas do vosso cantar…
- Os de El-Rei D. Sebastião
Que ainda há-de um dia voltar. –


Terçando as espadas de oiro
Foram num coro a gritar
- Europa, madre e madrinha!
De quem fomos já cabeça
Nós viemos-te a salvar:
Salvar de caíres por terra;
Salvar de poderes tombar…
Tu que foste alicerce
Ai, não podes fraquejar.
Em frente ao castelo de Elvas,
Com Badajoz ao luar,
Juramos pela fé que somos
Que hemos de morrer ou matar.
Lá foram os cavaleiros,
Lá foram no seu cantar,
Colhendo cravos e rosas;
Lá foram no seu correr;

Fulgindo o brilho das armas
Que hão-de matar ou morrer.
Porque foram ou não foram
Ninguém poderá saber.
Quem é que os mandou partir?
Quem os mandará correr?

Oh! Rio Guadiana! Oh, Rio!
Foi este o meu meditar,
Quando te vi por te ver,
Por te ver e por te amar
Correndo tão calmamente
Talvez não chegues ao mar…
Talvez fiques em nós todos:
Talvez lá vão cavaleiros
Que te ocupem o lugar
E fiques em nossos olhos
Quando estamos a chorar.

Lágrimas de Portugal

Quando os caminhos do mar surgem, de novo, envoltos em bruma artificial...
Quando as canadas para nordeste surgem falaciosamente abertas para ratinhos e malteses irem oferecer a sua mão-de-obra aos terratenentes e burgueses dessa Velha Senhora Europa...
Quando as procissões de OPAs já mal disfarçam que os núcleos de decisão financeira estão bem longe de Portugal (será que alguma vez por cá se encontraram? E qual a diferença? Terá o Capital Pátria ou Nação?)...
Oiçamos Fernando Pessoa, na voz do Zé e libertemos a alma, deixemo-la roçar ao de leve por toda essa espuma marulhante que, oceano a oceano, tantas memórias carrega da nossa Pátria errante. Sonhemos com El-rei D.Sebastião e com os toques a rebate dos sinos das aldeias que num dia de fero nevoeiro nos juntem a todos em frente das Novas Muralhas de Barad-dûr para a conquista definitiva de Mordor...


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Se alguém me puder fazer chegar a marcha Heróis de Mucaba (a Banda da GNR gravou)ficaria mui agradecido.

Fabulário potpourrido

Era uma vez um macho latino, de bigodón e meia-branca, que descobrira o segredo de cultivar um feijão branco especial no recôncavo dos pneus. O feijão crescia e multiplicava-se com uma velocidade estonteante, geradora de grandes proventos na cultura do relvado. Cresceu tanto, tanto que a certa altura o ingricultor resolveu comprar uma veiga para com ela fazer um lameiro de luxo. Fugindo do apito das aves e do Ogre dragão, um ganso que punha ovos de ouro, resolveu fazer o ninho à sombra do feijoal e com as coisaetalminas passou a aumentar a produção.

Comenta o génio da Floresta: Quando é que Gato lança o Apito dourado no Sul? Ou estão à espera que chegue a gripe das Aves?

quarta-feira, março 15, 2006

Zé do Povo

No desenrolar do processo político que sucedeu ao PREC, foram envidados todos os esforços, umas vezes de forma subtil, outras com grande descaramento, para branquear os acontecimentos histórico-políticos que se sucederam ao 25 de Abril. A nomenklatura que então se assenhoreou do Poder fez sempre passar a mensagem (comunicação social, sistema educativo, etc.) de que, com o 25 de Novembro, se havia reposto a legalidade inerente a um Estado de Direito e que tal havia sido conseguido exclusivamente pela acção corajosa dos oficiais agrupados à volta do denominado Grupo dos 9. Num só passe de mágica, limpava o curriculum torcionário de oficiais como Pezarat Correia, atribuía ao PREC o qualificativo de excessos expectáveis numa revolução (ilibando de responsabilidades os seus principais actores) e atirava para o oblívio histórico o papel fundamental desempenhado pelas revoltas populares, mais ou menos enquadradas por patriotas atirados para a clandestinidade ou por alguns elementos do Clero. Basta ouvir as declarações do futuro Marechal Eanes nas comemorações do 25º aniversário do 25 de Novembro para perceber o que esconde a minimização do papel desempenhado por pessoas como o Cónego Melo ou por movimentos como o MDLP que, apesar de liderado pela figura emblemática do 25 de Abril, o Gen. Spínola, foi rapidamente classificado como de extrema direita e bombista. Francamente, de tanto papaguear o marxismo e o leninismo esqueceram-se do conteúdo das suas teses para apenas reterem os métodos de conquista do Poder. Cabe-nos a nós desmistificar o historial oficial e repor a verdade para memória das gerações futuras. É nesse sentido que resolvi continuar a postar mais músicas, sobretudo as que se enquadrem nos registos históricos dessa época. Vindos do baú do VL, eis quatro musiquitas, na altura, amplamente cantadas nas feiras do Norte e Centro do país por um cantador de intervenção (como então se dizia) intitulado Zé do Povo.


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Quem me arranja a cassette do Quim Barreiros, lançada durante o PREC?

terça-feira, março 14, 2006

Sai mais um Sardinha para o Azinhal e o F.Santos



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Para o Manel Azinhal (do homónimo e patrício poeta)

Cantiga do Camarada

Camarada! Camarada!
Aqui tens a minha mão,
O meu cavalo e esta espada;
Eu sem ti não sou ninguém
E tu sem mim não és nada.

Camarada! Camarada!
Brilha no Céu uma estrela!
Vamos lá em cavalgada.
Ah! quem pudera vencê-la,
Quem me dera conquistá-la.

Camarada! Camarada!
Antes da Lua surgir,
Antes bem da madrugada
Já a estrela refulgia
No gume da minha espada.

Camarada! Camarada!
Toma lá esta certeza,
Dum irmão que tem uma espada:
Sem ti não será ninguém
E tu sem ele não és nada.

Camarada! Camarada!
A minha espada e a tua
Fecham numa encruzilhada;
A minha é a tua fé
Que não tem medo de nada.

Camarada! Camarada!
Se tu caíres na batalha
Inda fica a minha espada.
E se nós ambos morrermos
Fica outro camarada.

Que há-de findar a batalha
Por nós ambos começada.

Azinhal Abelho

Parabéns atrasados para a Filipa


Como prometido, no 4º aniversário da Filipa, As Quatro Padroeiras, de Diogo Pacheco de Amorim e José Campos e Sousa.


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quinta-feira, março 09, 2006

Fernando Tavares Rodrigues...ainda

Com a inestimável ajuda do Nonas, eis as capas de três dos livros editados do FTR





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quarta-feira, março 08, 2006

I have a dream...

Imagino o hemiciclo do Plenário da A. R. cheio e os seus membros, de pé, a cantar a plenos pulmões esta raríssima jóia:


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Rimance da rosa



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Cabo da Boa Esperança



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E o grande Miguel Seabra a dizer...

Trova Dor



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Comício

A pedido de várias famílias, e sem rebuço de me contradizer, resolvi postar mais quatro objectos de veneração dos velhos nacionalistas. São resultado de uma bela parceria entre os fortes poemas do António Manuel Couto Viana e a límpida voz do Nené Sobral Torres. Fi-lo com a ajuda dos sempre generosos préstimos do Nonas.
Emendei a mão, depois de ler os comentários do Manel Azinhal. Tenho por ele uma grande amizade e respeito. Conhece-me desde o dia 8 de Agosto de 1975...


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MEMORABILIA- Fase I

Após um impulso inelutável que me levou a vomitar em catadupa um conjunto de músicas que fazem parte de um acervo que tenho conservado e tratado, resolvi mudar de agulha e parar. Abro uma excepção, contudo: as Quatro Padroeiras. Se o ímpeto inicial resultou de uma vontade de partilhar o espólio (que espero que cada um divulgue no seu espaço de influência para que não se perca e alimente a chama), progressivamente fui-me dando conta de que a análise estatística dos acessos me permitiria fazer um pequeno estudo de natureza para-sociológica. Se o Ressurreição foi escutado (e descarregado, espero) cerca de 300 vezes, seguido pelo Requiem por Jan Palach, com 165, as canções, daquilo que poderemos designar por Cancioneiro da Resistência ao PREC, como o Senhor Capitão por exemplo, pouco ultrapassaram a meia-centena, com excepção do Quem não viria de arma na mão (será o carácter bélico do título ?) com 85. Se o Angola é nossa chegou aos 100, todas as outras canções, suportadas por belíssimos e significativos poemas, do que poderia ser um Cancioneiro da Revolta do Ocidente contra a dominação esquerdista, mal atingiram os 50. Qual o significado disto ? Desinformação ou desinteresse geracional ? Desconhecimento afectivo e racional pelos combates contra a dominação comunista que julgam ter acabado com a queda do Muro ? Não sei, ao certo, quais as causas mas seria interessante debatê-las porque tal como uma Nação, uma geração que ignora o Passado nunca terá Futuro!
Importa compreender que o único combate possível é aquele que nos permite usar toda a panóplia de canais de comunicação para que divulguemos o nosso pensamento e o nosso ideário. É do combate cultural que falo; o político está, ab initio , condenado ao fracasso pois pretende lutar contra um adversário que é simultaneamente contendedor e árbitro.
Tornam-se cada vez mais evidentes, as abstrusas ligações entre altos responsáveis do Estado e alguns lobbies capazes de movimentar grandes quantidades de dinheiro como o são a construção civil, os fabricantes e distribuidores de medicamentos, os negociantes de armamento, o mundo do desporto profissional, algumas enigmáticas e pseudo-filantrópicas sociedades e Fundações, etc.. As relações entre estes grupos evoluem geralmente em espiral, aumentando o seu Poder potencial através da simples regra do coça as minhas costas que eu coçarei as tuas. E, amiúde, quer o mundo do espectáculo quer o da comunicação social, muitas vezes propriedade sua, ou sob o seu controlo, são usados para denunciar ou para esconder, para desgastar ou promover, para condenar ou incensar os adversários ou os membros afectos ao círculo, respectivamente.
Por isso, quem está de fora tem de saber surfar a onda , cavalgar o tigre, para poder aspirar a levar a água ao moinho.
Saibamos acabar com o mitificado monopólio da Esquerda sobre a Cultura.

terça-feira, março 07, 2006

Ion Moţa e Vasile Marin

Legionários da guarda de Ferro mortos na Guerra Civil de Espanha, estes dois nacionalistas romenos foram um símbolo da entrega dos seus correligionários à causa comum contra o anti-clericalismo e o comunismo. Moţa era cunhado de Corneliu Codreanu, o mítico dirigente do movimento barbaramente assassinado às ordens do gen. Antonescu. A maioria dos quadros da Guarda de Ferro foi enviada pelos alemães para o campo de concentração de Bunchenwald...


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Composto por Ion Mânzatu sobre versos de Radu Gyr

Em busca da Guarda de Ferro

Para o CBM e para o NR como recordação pelas suas juvenis aventuras transilvânicas e carpáticas em busca do Conde Vlad, o Empalador.
O 30º Batalhão Romeno dos Cárpatos


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Praga, Berlim, Budapest...

Mais outra de Leo Valeriano, anos 60


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Foi tudo un engano...

Com especial memória do Zé Reis, Un ragazzo do Leo...


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Prenúncios da Queda...

Para o Nonas, em homenagem ao seu incansável labor pela construção de baluartes culturais.
Do Rodrigo, com a sua notável parceria com o Zé, a Polonesa


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Fome de Futuro e escárnio no Presente

De Marques Bessa, cantado por José de Campos e Sousa e dito por Diogo Pacheco do Amorim. Para o Roberto de Moraes


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Quando o telefone toca

Para o grande Cajó, inquebrável e semper fi, devolvo-a como m'a deste há cerca de 30 anos.


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Para a melancolia do Misantropo

Com letra do António Pinho e música do José de Campos e Sousa


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O futuro, na Palestina e em Israel

Excelente post de Euroultramarino sobre um ensaio do politólogo argentino Vicente Massot. A não perder...

Premonição

Muitos se têm perguntado quem era Fernando Tavares Rodrigues.
Não cabe aqui descrever o seu vasto curriculum. Apenas deixar um pequeno apontamento sobre a sua sôfrega poesia; deixemos para mais tarde uma análise crítica da sua obra literária... Do seu livro MEMÓRIAS DE CORPO INTEIRO, editado pela Cognitio, em 1983


SINTO

Sinto que sinto demais...
Se eu sentisse que morria,
Não morria.
Mas quero sentir que morro
porque entre estar morto
e não estar vivo
não há nada.




EPITÁFIO

Quando eu morrer para o mundo
quero que me enterrem fundo
para não ouvir mais passos
nem sentir falsos abraços.
Mas não tão fundo
que se esqueçam que vivi...

Embrulhem-me num lençol
e deixem-me dormir em paz
mesmo que esteja sol
que a mim já tanto me faz.

Se houver lágrimas, saudade
escrevam-me, então, um poema
mas que não seja eu o poema
nem fale da minha idade.

Senão deixem-me dormir,
que as flores hão-de florir
mesmo sem mim.
E, por fim,
afastem-se devagar
não vá de novo acordar.

segunda-feira, março 06, 2006

Para a Cristina e para o João Paulo....

Para que saibam manter bem firme e aceso o facho da Verdade!
Com letra do Luís Sá Cunha e música de...adivinhem!


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Para o António Oliveira Martins

Mais um característico poema do Rodrigo, musicado pelo Zé. Em plena resistência ao PREC! Mais um pedaço da História que nos querem esconder...


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Para os meus filhos e para tutti quanti...

Que nesta sociedade acolhedora de melosidades panascas e promotora de uma cultura da Morte saibam, rebeldemente, responder bem alto Não!
Poema e música de Leo Valeriano


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sábado, março 04, 2006

Para o Padraig

Dia duit, Padraig!

Conas tá tú?
Tabhair dhom email seoladh. Mé cuirim mp3

Slan agat

Repto...

Para o Delfim, companheiro de tantos combates, o poema de Marques Bessa na voz do Zé.


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Para o FG Santos

Não é o Cântico Negro, não é Régio mas sim Junqueiro. Oiça um excerto da Pátria dita pelo saudoso Filomeno, da maralha de Coimbra. O outro, virá qualquer dia.


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Para o João Miguel Guedes

O João Miguel completou ontem cinquenta primaveras. Para ele, com grande amizade e carinho, Venham todos...

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Para o Fernando Tavares Rodrigues

Na semana que passou, o corpo do poeta abandonou-nos. Que Deus, Nosso Senhor, na sua infinita misericórdia, acolha a sua alma e lhe conceda a paz eterna!
De Diogo Pacheco do Amorim (seu irmão em Poesia) e pela voz do seu grande amigo Zé Campos e Sousa, Tragam rosas brancas...


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sexta-feira, março 03, 2006

Saudades do PREC...e da Resistência

Quem for ao meu post de 27 de Janeiro, Marcha Triunfal Cavaquista III, tem um brinde, dedicado muito especialmente ao António Marques Bessa...

Ressurgimento

Para o Pipinho, amigo de sempre e camarada de prova dada. Para o ajudar a passar o testemunho ao Bernardo e à Mariana.
Com feliz letra de Diogo Pacheco do Amorim e música do incontornável Zé.


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Quem passar ali pela Avenidas Novas talvez consiga ver o braço, ao alto, do Ramires da Torre...

AMOR DE MÃE...

Para o Alcides, esse celtill, por vezes tão esquecido pela tribo.
O ADEUS GUINÉ, na versão do Conjunto Típico Armando Campos.


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IN MEMORIAM Gilberto Santos e Castro

Mesmo se se quiser chutar a nostalgia e a saudade para canto, esta preciosidade não deixa de ser um autêntico viagra para a alma. A força, a cadência entranham-se de tal maneira que nos apetece pôr as colunas à janela e partilhá-lo com todo o mundo.
Para os aggiornati sugiro-lhes que substituam Angola por A Pátria e verão como tudo permanece válido. Porque não recuperá-lo assim, já que o seu autor medrosamente se desvinculou dele após a dita Coisa ?


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quinta-feira, março 02, 2006

Meio-século passa sobre a revolta húngara!



No próximo dia 23 de Outubro, ter-se-ão passado 50 anos sobre a revolta dos patriotas húngaros contra o jugo soviético. Perante a cobardia das democracias ocidentais, cúmplices do genocídio, cerca de 50.000 caíram para sempre e 250.000 escolheram o caminho do exílio. As tropas do Pacto de Varsóvia, comandadas por Yuri Andropov (do you remember him?), trucidaram milhares de húngaros, cuja vanguarda era a União Central dos Trabalhadores da Budapest metropolitana.

Talvez alguns se recordem ainda da Operação Hungria Livre executada pelo MN em 1976. Dezenas de eléctricos em circulação foram pintados por várias equipas de dois elementos: enquanto um desencaixava a ligação à catenária e distraía o condutor, o outro pintava slogans do tipo VIVA A HUNGRIA LIVRE ! Teve sucesso, era apenas um balão de ensaio para algo de maior difusão, mas infelizmente não houve continuidade. Fica a memória...

Leo Valeriano resolveu honrar a coragem húngara com a seguinte canção:


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A Primavera de Praga

Em 25 de Fevereiro passado, fez 37 anos que um estudante checo de 18 anos, de nome Jan Zajic, se imolou pelo fogo, em protesto contra a ocupação da sua pátria pelos comunistas. Deixou quatro cartas e um poema dedicado ao primeiro dos 26 que se tentaram suicidar (7 morreram) ritualmente, entre 20 de Janeiro de 1969 e o fim de Abril desse ano - Jan Palach, estudante como ele. Jan Zajic intitulou-se o Facho nº 2.
Em Portugal dois militantes nacionalistas ( José Valle de Figueiredo e Manuel Rebanda) criariam aquela que viria a ser uma das mais emblemáticas canções de resistência à onda dominante do esquerdismo caceteiro que desde meados dos anos 50, cavalgando os denominados católicos progressistas, dominavam as nossas academias.
Ei-lo,o Requiem por Jan Palach, numa versão de VL acompanhado à viola por José de Campos e Sousa...


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A ÁRVORE DE GUERNICA

Agur !
A árvore de Guernica, a tal que resistiu às bombas italianas e alemãs para ser afinal destruída pelas canetas sinistras do esquerdismo sem fronteiras. Cantada por combatentes (bascos e norte-navarros, obviamente) de ambos os lados, no início da Guerra Civil de Espanha, foi objecto da mais abjecta demagogia esquerdófila.


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quarta-feira, março 01, 2006

Algumas das ameaças à Nação

Motivou-me o texto do FGSAntosa postar (ou se calhar repostar)uns fragmentos sobre o tema do nacionalismo, nomeadamente sobre algumas ameaças à identidade nacional, nomeadamente os de alguns disparatados zelotas.

Apesar destas complexas dimensões, há, na realidade, duas weltanschauung ou mundovisões base que há muito se digladiam. Entendem uns que o papel do Homem é ser senhor do seu próprio destino, de modo a contribuir para oferecer à humanidade o bem estar físico através da conquista do mundo material, sem necessidade de qualquer força, anseio ou poder espiritual, no que reputam de obscurantismo. Recusam aceitar a interferência da fé e do sobrenatural pretendendo demonstrar tudo através da razão. Outros concebem os humanos como filhos de Deus, abandonados à gestão do mundo material, em que se devem guiar pelo amor ao próximo e a si mesmo, praticando as virtudes espirituais da fé, da esperança e da caridade. Acreditam numa dimensão sagrada da vida pelo que, para eles, os outros fundam a sua lógica numa admiração egoísta pelo Eu pessoal; mesmo que entre eles existam almas generosas, a maioria apenas espera obter benefícios pessoais, trabalhando por apetite à recompensa terrena.

No desenrolar desse conflito permanente, a Igreja Católica foi especialmente fustigada e causticada, mormente nos últimos séculos. A semente dessa perseguição pode encontrar-se já nos próprios movimentos da Reforma pós-humanista, no século XVI. Por permanente radicalização e refinamento, as ideias por eles engendradas vieram a incubar no século XVII, germinaram no século XVIII, desenvolveram-se no XIX, atingindo, finalmente, a maturação no século XX. Hoje, é notório que alguns sectores da Igreja, no remanso aparentemente protegido das sociedades do pós-guerra, rapidamente perdoaram e esqueceram as depredações, as humilhações e os seus mártires. Prenhes de benevolência e de misericórdia, de convencimento de conversão e de tolerância, trataram mesmo de proteger e acoitar os seus perseguidores de outrora. Talvez tenha também contribuído para isso a eterna tentação de abraçar o Filho Pródigo que leva a que, por vezes, se honre e acarinhe mais o inimigo de Deus que o próprio crente. No entanto, superando essas parciais inclinações, a portentosa figura de João Paulo II procurou sobrepor-se às tentações positivistas e de pretenso aggiornamento de alguma hierarquia eclesiástica demonstrando, pelo exemplo, pela abnegação e pela humildade, o caminho para a Concórdia, a Justiça e a Paz no Mundo.

Contudo, no meio dessa agitada dinâmica de afirmação espiritual, importa não perder de vista, como ameaça à Identidade Nacional, a acção pró-internacionalista de grupos religiosos, católicos, islâmicos, etc., que, demasiado embrenhados na sua militância, esquecem facilmente as referências axiais pátrias. Com a obediência interna a sobrepor-se à humildade, a auto-estima à caridade e a sobranceria à piedade transformam-se rapidamente em grupos virados para si próprios, de confrangedora atracção centrípeta, uniformizadora e tendencialmente auto-sustentada. Manifestam preocupação pelos Outros, em abstracto, mas quanto ao amor ao Próximo, concreto e imediato, ignoram ou passam ao lado. Com um tipo de caracterização que faz lembrar as seitas, e onde não falta por regra um guru, confundem abstrusamente os planos do religioso e do político, manifestando tendência para um comportamento que poderíamos designar por autismo social. E, como sempre acontece nestas organizações, os neófitos são os mais atentos zelotas quais cães de guarda que auxiliam o pastor na condução do rebanho. O seu caminho é, geralmente, considerado o mais válido quando não o único para atingir a pertença ao Povo universal. Para eles, toda a realidade e construção colectiva da Nação está abaixo do internacionalismo religioso a que importa obedecer em nome de Deus. Afirmam que a Nação é História enquanto que Deus é Eterno e, como tal, a escolha e hierarquização das relações de pertença são fáceis de definir. São versões modernas das muitas falácias teocráticas que ao longo dos tempos foram surgindo e que se esquecem amiúde do significado da expressão: a César o que é de César...

Para a ilustre Torre de Ramires


Se não fosse esta certeza,
Que nem sei de onde me vem,
Não comia, nem bebia,
Nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
No mais escuro que houvesse,
Punha os joelhos à boca ...
E viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
Do ingénuo adolescente,
A chuva das penas brancas
A cair, impertinente;
Não fosse o incógnito rosto
Pintado em tons de aguarela,
Que sonha, no frio encosto
Da vidraça da janela;
Não fosse a fome e a sede
Dessa Humanidade exangue,
Roía as unhas e os dedos
Até os fazer em sangue.

António Gedeão

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Alvíssaras, gajeiro!

Para o Pedro e para a Inês :

MINHA PÁTRIA


Onde estás minha Pátria
Que mal te vejo
Se não fosse de ti a lembrança e o desejo
Do brilho que de longe me vem
Onde estás minha Pátria …
Se hoje te pressinto perturbada
E tal sentir, com tristeza, me inunda
Onde 'stás Pátria moribunda
Daquela altivez que de ti fez
Uma terra de heróis fecunda
Onde está a tua face adorada
Escondida na bandeira inclinada
Erguida, em sonhada alvorada ….
Onde estás, minha Pátria?
Sonho-te ainda mais bela e corajosa
Que uma caravela, há séculos, partida para o mar
Sonho e aquém e além Torre de Belém
Ouvindo, no silêncio da História
O Mosteiro dos Jerónimos, soluçar
Sonho-te, porque sem ti, somos ninguém
Sonho-te mais alto e mais nobre
Como a bandeira que te cobre
Sonho-te sempre, de novo
Numa certeza concreta
Nos versos de um Poeta
Na alma do teu Povo


CRISTINA SALGADO (Maria de Lurdes Cristina Neves Pereira Salgado)

RONDEL DO ALENTEJO

Para o Manel Azinhal:

RONDEL DO ALENTEJO


Em minarete
mate
bate
leve
verde neve
minuete
de luar.

Meia-noite
do segredo
no penedo
duma noite
de luar.

Olhos caros
de Morgada
enfeitada
com preparos
de luar.

Rompem fogo
pandeiretas
morenitas
bailam tetas
e bonitas,

bailam chitas
e jaquetas,
são as fitas
desafogo
de luar.

Voa o xaile
andorinha
pelo baile
e a vida
doentinha
e húmida
ao luar.

Laçarote
escarlate
de cocote
alegria
de Maria
La-ri-rate
em folia
de luar.

Giram pés
giram passos
girassóis
e os bonés,
e os braços
destes dois
giram laços
ao luar.

O colete
desta Virgem
endoidece
como o S
do foguete
em vertigem
de luar.

Em minarete
mate bate
leve
verde neve
minuete
de luar


JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Buñuel ainda...

Para o Paulo, o de boa memória



Luis e Hitchcok, com Robert Wise e Jean-Claude Carrière em casa de George Cukor.

Não esqueçam o magnífico documentário Las Hurdes, considerada na altura a região mais atrasada de Espanha e que se localiza a norte da Serra da Gata, para lá do enclave lusófono de Xálima. O impacto foi na altura tão grande que o governo republicano proibiu a exibição do filme, em 1933. Esta obra faz parte da 1º fase curricular do realizador e argumentista Buñuel.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Porque sou nacionalista (Proemio)

Mon chère Jans


Por certo não levarás a mal que me dirija a ti pelo diminutivo tão engraçado com que o teu reflexo Játeatendo te trata. As minhas limitadas capacidades de tempo e diligência não me permitiram dar pela tua resposta ao meu desafio. Quando li os teus telefunken, bosch e volkswagen, fiquei intimamente intimidado pelo peso da tua sapiência catedral. Vi invocar eflúvios de nacionalismo romântico novecentista, ao jeito republicano-gnóstico-maçónico, tão ao gosto centro-europeu. Não é isso, não é isso! como diria D. Miguel (o de Salamanca).

Provavelmente com a pressa e o rebuço face ao tempo, apressaste a estocada, e bateste no osso. Como podes misturar o plano da mensagem universal e fraterna de Cristo com o da organização estrutural da sociedade ?(já sei, são conceitos de engenheiro). São planos diferentes e tu deslizaste de um para outro forçando um plano inclinado. Concedo que as concepções invocadas na primeira parte do texto (e sobre as quais tenho uma opinião muito próxima da tua)possam conduzir a uma Weltanschauung (ups!)diferente da que decorre do cristianismo (quando considerado na sua expressão total e não apenas na que afirmaste a qual me cheirou a relativismo new age).
Para mim, como já anteriormente escrivi, ser nacionalista hoje em dia é pugnar fundamentalmente pela promoção da Nação (entidade construída, afirmada e reconhecida no cenáculo internacional), enquanto comunidade politicamente organizada de cidadãos que de forma mais consciente ou subconsciente se revêem num conjunto de laços de pertença, resultado de uma história consolidada, vivida em comunhão de interesses, afectos, memórias e ânsias de futuro. Embora não tão primicialmente natural quanto a Família, a Nação é um elemento de estabilidade política e de referência cívica cuja dissolução artificial, subversivamente lenta ou compulsivamente formalista, só pode levar a desequilíbrios e agitação na cena internacional.
Para o arquétipo Pátria, a Nação tornou-se a sua carne, o seu corpo e moldura. É a Nação que, consciente de si própria, permite manter a salvaguarda do Fogo sagrado da Pátria, garantindo a sobrevivência do ideal colectivo. Renovada sob os auspícios da verdadeira liberdade, da igualdade de deveres e da fraternidade mais pura, a ideia nacional foi sempre cultivada como um ideal que podia exigir, em caso de extrema necessidade, o sacrifício da própria vida.
Já agora, não sabia que as fronteiras eram uma condição essencial para a existência da Nação... Vá lá, não te deixes cair em inevitabilidades maastrichtianas...

......

Confesso que ainda vou reler o teu texto-crítica ao do Jaime. Mas daquilo que li em diagonal creio estarmos em desacordo. Considerei o texto do JNP particularmente feliz (quando gostaríamos de ter sido nós a escrevê-lo é porque há uma comunhão total). Por vezes o Jaime quando tem de encher a burra, escreve redondo e acomodado. Mas não desta vez... Quanto a trincheiras, ele tem objectivamente o mesmo posicionamento que José António tinha em relação ao Alzamiento: desconfiava de uns e temia outros. Claro que quando é a vida que está em jogo, em última instância, temos de procurar a que fique mais à mão mas deixar-mo-nos manipular por um conflito e uma causa que não são nossos, isso é que não!

O arroto do Qureshi

Tribunal islâmico condena caricaturistas à morte
2006/02/20 | 20:41 DiarioDigital
Decisão é vinculativa para os muçulmanos, mas não tem base legal na Índia

Um tribunal islâmico de Lucknow, cidade do norte da Índia, lançou hoje uma «fatwa» (decreto religioso), condenando à morte os 12 autores das caricaturas do profeta Maomé publicadas no final de Setembro no diário dinamarquês Jyllands-Posten.

A «fatwa» foi lançada pelo chefe do tribunal Idar-e-Sharia Daroul Kaza de Lucknow, a capital do Estado indiano de Uttar Pradesh (norte).

«A morte é a única sentença para os autores das caricaturas sacrílegas do profeta», declarou hoje Maulana Mufti Abul Irfan, o responsável do tribunal.

Segundo este responsável, está claramente indicado no Alcorão que aquele que ofende o profeta merece uma punição e que a sentença é aplicável em qualquer parte onde vivam fiéis.

Esta decisão do tribunal é vinculativa para os muçulmanos, mas ela é contestável no quadro da lei indiana.

Segundo Jaffaryab Zilany, um religioso membro do Conselho da lei muçulmana, uma autoridade composta por altos dignitários muçulmanos, advertiu que embora esta «fatwa» seja legítima para os muçulmanos, ela não tem base legal na Índia.

Esta sentença ocorre depois de Mohammed Yaqoob Qureshi, um ministro muçulmano de Uttar Pradesh, ter oferecido sexta-feira 510 milhões de rupias (cerca de nove milhões de euros) de recompensa em troca da decapitação de um dos caricaturistas.

A publicação das 12 caricaturas de Maomé na Dinamarca, seguida depois por numerosos jornais europeus, causou a cólera e actos de violência mortal no mundo muçulmano.

Se o f.d.p. do Mamede Jacob oferecesse os 9 milhões aos pobres do Uttar Pradesh este deixaria seguramente de ser um dos Estados mais pobres da Índia; ou então está apenas a fazer-se à fotografia...

A educação arco-íris...

Para os que não acreditam em conspirações sinistras e subversivamente anti-natura. Serão estes os Homens Novos a que os marxistas se referiam ?
Bom, em abono da verdade, a julgar pelos supositórios, até é preciso alguma coragem (não confundir com virilidade)...


O melhor é fugirmos para um qualquer Rohan antes que seja obrigatório! A APF já propôs experimentação sexual nas escolas para que as crianças possam livremente escolher.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Guerras «religiosas», não obrigado!

Brilhante, Jaime!
...........................................................
Os que temos fé - e aqueles que não a tendo, têm o sentido do sagrado e do respeito pelo sagrado dos que estão connosco nesta «civitas», que é o mundo - não nos podemos deixar, como nos Balcãs, arrastar para uma guerra «religiosa», provocada e chefiada por ateus!
Um tempo «pós-moderno» que quer acabar e acha que acabou com a religião, que desconstrói os mitos e os símbolos, que dessacraliza e desencanta o mundo e a História, não ao modo dos grandes revoltados, de Sade a Nietzsche e Marx, mas de uma forma pícara, ordinária, patética, de pensadores «soft», de sibaritas pedófilos, de humoristas boçais, vê-se, de repente, confrontado com o «choque das civilizações».

Bons, Maus e Vilões

E que civilizações? O cliché dos fazedores de «opinião» direitinhos é de um lado a civilização esclarecida, aberta, democrática, com todos os «valores bons» - o humanismo laico, a democracia participativa, a cidadania vigilante, os direitos do homem! E do outro os fanáticos do mundo árabe, mergulhados na Idade Média, no obscurantismo, na religião, governados por autocratas, a queimarem bandeiras da UE, a apedrejarem consulados, de barbas, mal vestidos, aos gritos de Alá é grande!
Contente, o comentador de serviço arranja os bons, os maus e os vilões da história:
• Os bons são os progressistas de todos os quadrantes, que têm o valor de não ter valor nenhum, que absolutizam o relativo; que não acreditam em nada. Mas incomodam-se por o Papa mandar na Igreja, por os «gays» não poderem adoptar, por o Inferno se manter.
• Os maus são os tais árabes tradicionalistas, religiosos, nacionalistas e todos os povos que ainda não abraçaram o modo de vida preconizado pelos bons.
• Finalmente, os vilões, os piores de todos, são os ocidentais - americanos, europeus, católicos, protestantes, agnósticos - que não seguem o pronto-a-pensar humanitário e globalizante do «só é proibido proibir». Os que entendem que para haver civilização e política - que vêm de cidade («civitas», «polis») - é preciso haver valores objectivos, mitos e ritos, convicções, hierarquias, fronteiras, exércitos. E que dizem que a utopia libertária é a receita para os demagogos, para a anomia, para o vale tudo e para a tirania que se lhe segue.
Mas a História não é um filme cor-de-rosa em que o que vem é sempre melhor que o que foi, como julgam os que se admiram de os Romanos pensarem e terem água corrente, acham que a razão começou no mundo com Voltaire e a Revolução Francesa e em Portugal com os capitães de Abril e o dr. Soares. Para trás, só trevas!
Os crentes no Deus do Livro - cristãos, muçulmanos, judeus - têm um sentido do sagrado que é, coerentemente, o seu primeiro valor. Respeitam e amam Deus sobre todas as coisas e os valores - políticos, de família, de amizade, de solidariedade - são para eles um reflexo e uma continuação dessa ligação ao divino. Por isso, uma ofensa à religião como representar Deus, Cristo ou Maomé grotescamente, é uma ofensa pessoal ao que têm de mais querido.

A terra e os céus

No Ocidente, a separação do Estado e da Igreja, do político e do religioso, vem da Reforma e da construção do Estado moderno, ficando o poder político desligado do poder espiritual como condição da paz civil. Foi assim de Nantes a Vestfália e até hoje. E demo-nos bem com a receita.
Mas a descristianização na Europa e o «progressismo» secularizante querem transformar a Igreja numa espécie de Liga do bem-fazer ou agência humanitária tipo UNESCO, retirando-lhe o seu papel de mediadora do sagrado, entre a Terra e o Céu. Para isto contam também a falta de coragem e os complexos de muitos cristãos. O que não se passa nos Estados Unidos, nem nas igrejas novas das Américas e de África ou nas igrejas perseguidas e de missão das comunidades minoritárias na Ásia.
No mundo islâmico, o renascimento religioso, aliado a um sentimento político de nacionalismo defensivo e solidário - na linha dos Irmãos Muçulmanos - está a levar ao poder grupos como o Hamas, com que os ocidentais vão ter que contar.
Porque a partir do fenómeno árabe corânico - das cidades da Síria e do Iémen e do nomadismo do centro da Península arábica - floresceram culturas fortes militarmente, que fundaram impérios, que chegaram à Península Ibérica, que tiveram a sua tecnologia e a sua literatura. A decadência política dos Estados islâmicos, a partir do século XVIII incapazes de enfrentar a dinâmica político-militar ocidental, é sentida pelas novas elites do mundo islâmico, como um estigma a superar. A ideia de que os ocidentais lhes querem impor os seus «não-valores», o secularismo e o hedonismo das massas que é o consumismo, torna-nos odiosos aos seus olhos!
Não percebemos estas reacções, porque no Ocidente nos habituámos a deixar agredir os nossos valores cristãos naqueles «media» públicos, pagos (também) com os nossos impostos, ou, ironia suprema em Portugal, num canal originalmente católico, onde hoje num programa de «soft-porno», a despropósito, se faz uma palhaçada patética do Pai Nosso!
Não podemos deixar que as manipulações da rua árabe - orientadas por radicais cínicos sem crença alguma - e as provocações dos fundamentalistas laicos do Oeste, nos envolvam, a cristãos e muçulmanos, numa guerra religiosa.
Os que temos fé - e aqueles que não a tendo, têm o sentido do sagrado e do respeito pelo sagrado dos que estão connosco nesta «civitas», que é o mundo - não nos podemos deixar, como nos Balcãs, arrastar para uma guerra «religiosa», provocada e chefiada por ateus!

Jaime Nogueira Pinto

fonte: Expresso, 18 de Fevereiro de 2005

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Assunto triste...

Meu caro Manel

Não foi bem desatenção. Apenas a minha fraca capacidade intelectual me não permitiu perceber a quem se dirigia a reflexão do Jansenista... Ou melhor, o que eu fiz foi um pedido de esclarecimento, se quiseres. Sabes que me ligam a todos os intervenientes na querela laços de amizade e, admito, camaradagem.
Estou em crer, como soe dizer-se, que não tentaste macular a imagem pública (da qual te digo que, quase por osmose, tenho muito orgulho) do fotografado. Umas semanas antes, quando arrumava a biblioteca, face à descoberta do exemplar do jornal em que aparece o documento, confrontara-me com a indecisão de o postar ou não, para memória futura, a incluir na História do nacionalismo pós-abrilista. Embora saiba que a maioria das pessoas fotografadas, entre as quais nos incluímos (tu, eu, o visado e, o zelota), no se olvidan, ni se arrepienten ni tampoco les da miedo la eternidad, resolvi não o fazer para que não fosse entendido como um acto de hostilidade a um amigo que muito prezo. Não estou pois de acordo com a tua decisão, sobretudo quando reduzes a fotografia à pessoa em causa...Já agora publica-a toda para que pelo menos os meus filhos me vejam de bigode.

Ora, dito isto não posso deixar de considerar ainda mais grave a velada, ou melhor, bem explícita, ameaça que outro amigo te faz. Só a posso enteder por algum excesso de libações que nos jantares das quartas ocorre ocasionalmente. Aquilo nem se quer se pensa quanto mais se diz...

Saibamos ter orgulho (aliás, assaz merecido) pelos nossos accomplishments colectivos e deixemos cada um em paz no caminho que soube (ou não) traçar para si próprio. Só Deus será o Juíz verdadeiro e único das nossas motivações, anseios e insuficiências... Cá em baixo, habituemo-nos à ideia de quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Nunca gostei de levitas, zelotas ou fariseus. Radical sim mas nos princípios... e na visão do Mundo e, em particular, de Portugal. Quantos aos caminhos escolhidos ou aceites, só são importantes se, em vez de defendermos os indefesos qual Cavaleiro Andante, nos tiverem condicionado de tal maneira que, esquecendo Honra, Solidariedade, Liberdade, ou seja a Verdade, nos tenhamos aliado aos salteadores, para sobreviver com o Poder. Em ignomínia, por supuesto...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Para o Joãosenista...

Lindo texto.

O que ao filho aponta e ensina
os bons caminhos da vida,
que o anima, que o convida
a seguir senda segura
que o leve até à ventura;
que lhe mostra, reverente,
essa estrela peregrina,
da santa fé viva imagem,
estrela que ao inocente
e que ao adulto ilumina
pela espinhosa romagem
deste mundo, e que lhe ensina
essa escondida passagem
daqui à pátria divina;
mas que acha no coração,
para os seus erros perdão;
um homem tal encontrai,
e descobri-vos, que é pai.
...

fragmento de Sombras, do Canto III de D. Jaime, de Tomás Ribeiro


By the way, chegaste a responder-me à questão do nacionalismo?
E o que é que queres dizer com aquele assunto triste? Gostava que explicasses melhor o assunto

A nova namorada do VL




Chama-se Mircea Masha e veio da Transilvânia para cantar no São Carlos.
Toma lá que já almoçastes!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Não percas!

Se te queres manter informado sobre as manobras da hierarquia instalada da Igreja Católica que até parece que respirou de alivío com a morte de Karol Woytila, lê a New Oxford Review

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Gramsci

Rogo-lhes que leiam a feliz tradução do Benoist apresentada pelo Manel Azinhal.
São textos fundamentais para compreender a Crise do Mundo que nos rodeia.

A maior parte da parolada ratazânica que ocupa os púlpitos (consentidos) da Direita fica feliz e regalada coma a queda do Muro. Esquecem-se da outra estratégia comunista, a propugnada pelo António Gramsci e inteligentemente agarrada pelos trotskyistas que tantos sucessos tem conseguido por esse mundo fora (em Portugal a coisa é liderada pelo Bloco mas não só).
A não perder!

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Ricardo Ynestrillas em liberdade

Ricardito acaba de se livrar do fardo dos grilhões.
Com uma inteligente declaração, publicada no seu blog La Batalla de las ideas, em que renuncia a métodos violentos para se concentrar no Combate Cultural (finally!), Ricardo resolveu iniciar uma nova vida política. Agora advogado (aproveitou bem o tempo do cárcere), vai lutar por respeitabilidade sem desisitir dos princípios. Daí a feliz designação do blog.
Ricardo:

Agur! Ongi etorri, gizon

Maitego batean etxekoakekin.Jainko milesker. Zure osagarrirat.
Askatasuna edo herio!
Ikus arte.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

SONETO A JOSE ANTONIO XI

REGLADA ya tu luz blanca, beata,
más allá del saludo y los corales,
más alta y firme que las imperiales
cúpulas frías donde la cruz se ata;

pergamino de fe sin una errata
- joven lirio, sangrientas iniciales -
de la España en el tronco de sus males,
clavó con rosas, remachó con plata.

Movió su vuelo reposado y fuerte
herrumbre, costra, polvo, húmedo raso,
trocando el gris en sol, el hierro en ala;

y en acto de servicio hacia la muerte
¡la Falnge de amor que se abre paso
por esa luz que tu mirar señala!


Juan Sierra

SONETO A JOSE ANTONIO IX

SONETO A JOSE ANTONIO,
QUE DESCUBRIO, EXPRESO Y DEFENDIO
LA VERDAD DE ESPAÑA.
MURIO PO ELLA.

TU amaste el ser de España misionera
frente al peligro y por la luz unida.
el ser de la evidencia enaltecida
del mar latino en la ribera entera;

tú la verdad de España duradera
de la esperanza y del dolor nacida.
verdad de salvación al tiempo asida.
verdad que hace el destino verdadera;

tú la unidad que salva del pecado.
la unidad que nos logra y nos descubre
en los ojos de Dios como alabanza;

¡ya no tienes la vida que has salvado!.
la tierra te defiende y no te cubre
como el vivir defiende la esperanza.


Luís Rosales

SONETO A JOSE ANTONIO VIII

NO sé decír tus obras: no el riente
fruto de tu pensar claro y tranquilo:
porque me lleva el corazón en vilo
la inmensa humanidad de la simiente.

Tu obra es sonora, exacta y evidente.
Tu vida es un recóndito sigilo.
Tu obra es dureza: y es tu vida un hilo
frágil que, aun vivo, te hizo ya el Ausente.

Y esa es la gran verdad: esa que llena
tu vida de tu ser más hondo y serio.
Esa: la duda, la ilusión, la pena,

la palmera, la sangre, el cementerio.
La obra tuya, ¡qué clásica y serena!
La obra de Dios en ti... ¡qué hondo misterio!


José Maria Pemán

SONETO A JOSE ANTONIO VII

SOLEDAD absoluta y oro fino
del aire de noviembre en la alborada.
y el don de la verdad en la mirada
con el vasto milagro del camino.

Ya velas en el cielo cristalino
de España, y en la noche desvelada,
ardiente de jazmín, recién nevada
sobre la claridad de tu destino.

No ver, pero tamblar. No ver la muerte
y sentir en la noche su eficacia
y el olor de la tierra de Castilla.

Hablar sin palabra, ver sin verte,
y buscarte en la niebla de la gracia
hacia la luz remota de la orilla.

Leopoldo Panero

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

SONETO A JOSE ANTONIO VI

La voz que urdió al gentil de las Españas
tambores de hermandad, santiaga tropa.
Y se escanció, ya sangre, en cada copa.
Asaltando los dientes vuelta entrañas:

aquella que alanceó ínsulas extrañas
- eres tú. ¡oh, Patria!, en taparrabos u hopa,
marca africana y no arrabal de Europa -,
duerme hoy bajo un poniente de guadañas.

José Antonio: va a reír la primavera
y sólo tú nos faltas en la risa;
pero tu voz nos llega como antaño.

Convertida en colérica bandera.
Restalla sus mensages todo el año
y el vuelo de tus flecha nos avisa.

Felix Ros

SOARES EM 79

terça-feira, janeiro 31, 2006




THE TRUTH

Here, in this little bay,
Full of tumultuous life and great repose,
Where, twice a day,
The purposeless, glad ocean comes and goes,
Under high cliffs, and far from the huge town,
I sit me down.
For want of me the world's course will not fail;
When all its work is done, the lie shall rot.
The truth is great, and shall prevail,
When none cares whether it prevails or not.
Coventry Patmore (1823-1896)








MAGNA EST VERITAS

A VERDADE


Aqui, nesta pequena baía,
Cheia de bulício de vida e grande serenidade,
Onde, duas vezes ao dia,
O alegre Oceano vai e vem, sem finalidade,
Sob altas falésias, e longe do burgo opulento,
Aqui me sento.
Não é por mim que o Mundo desfalecerá;
Quando a Obra estiver acabada, a Mentira irá apodrecer.
A Verdade é grande e prevalecerá,
Quando ninguém se preocupar que ela possa ou não prevalecer.
Coventry Patmore

Sobretítulo pedido emprestado à tradução para francês do mesmo poema, feita por Paul Claudel.

SONETO A JOSE ANTONIO V

SONETOS EN LAS HONRAS A JOSE ANTONIO


El rastro de la Patria, fugitivo
en el aire sin sales ni aventura,
fue arrebatado, en fuego, por la altura
de su ágil corazón libre y cautivo.

De la costra del polvo primitivo
alzó la vena de su sangre pura
trenzando con el verbo su atadura
de historia y esperanza, en pulso vivo.

Enamoró la luz de las espaldas,
armó las almas, sin albergue, frías,
volvió sed a las aguas olvidadas.

Dio raíz a la espiga y a la estrella,
y, por salvar la tierra con sus días,
murió rindiendo su hermosura en ella.


Dionisio Ridruejo

Um país de parolos

Se não fosse consistente com toda a sua prática histórica, seria surpreendente ver a forma ridícula (teria dito saloia mas o Sobre o tempo que passa não me perdoaria. Aliás, como também me considero saloio na significação que o termo étnico (socio-cultural) adquiriu na snóbica Lisboa, até prefiro o regionalismo da minha terra com indêntica conotação: sagorro)com os súcias da nossa praça celebram a vinda aos seus domínios do homem mais rico do Planeta. A fraternal associação, embevecida pelo altruísmo do homem, rejubila e resfolega como mula ajoujada, desejando-lhe saúde e mais proventos. O Grande Samaritano que tanto tem feito pelos mais desfavorecidos (sobretudo desfavorecê-los ainda mais) é como todos sabemos um fervoroso adepto do malthusianismo; concomitantemente, tem financiado campanhas de esterilização (que não de germes)por esse mundo fora bem como a promoção e efectivação do aborto. Adorador do Bezerro d'Ouro, Gates mal pode conceber que a felicidade na vida não advenha da sua posse. Em África, tem apoiado as chamadas campanhas humanitárias que, a serem conduzidas da forma que o são, demagógicas, para a fotografia, e pontuais, apenas contribuem para o empobrecimento geral das populações e para a sua dependência de produtos importados. A intervenção centrada nos cuidados de saúde primários conduz efectivamente à diminuição da taxa de natalidade e ao aumento da esperança de vida; como, no entanto, a população activa não aumenta porque não há incremento da actividade económica o ratio entre activos e não activos piora e com ele o empobrecimento. As medidas eficazes mas difíceis passam por correr com as oligarquias cleptocráticas que enriquessem à medida que os povos empobrecem. Só que isso significava cortar com os amigos e irmãos, de onde surgem quase sempre boas maquias para financiar campanhas de conquista ou, mais recentemente, manutenção do Poder. Projectos de extensão rural, infra-estruturas de irrigação, redes de frio e silagem, projectos comunitários de criação de gado ou produção e transformação de bens primários... Bah ! para que é que isso interessa ? E os gajos até não são capazes !
Que triste o nosso embasbacamento e subserviviência; transformados numa República das Cenouras, ele é dar condecorações a trouxe mouxe. O Comendador Gates agradece e se calhar até envia uns centuriões do Ministério da Fraternidade para ajudar no controlo. Triunfo do Porcos até à Revolta contra o Mundo Moderno...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

E A NEVE AGASALHOU FÁTIMA....


Ave Maria

Ave Maria
Dos teus andores
Rogai por nós
Os pecadores

Abençoai estas terras morenas
Seus rios, seus campos.
E as noites serenas
Abençoai as cascatas.
E as borboletas que enfeitam as matas

Ave Maria
Cremos em vós
Virgem Maria
Rogai por nós

Ouvi as preces, murmúrios de luz
Que aos céus ascendem
E o vento conduz, conduz a vós
Virgem Maria
Rogai por nós

Vicente Paiva e Jayme Redondo

SONETO A JOSE ANTONIO IV

EPITAFIO A JOSE ANTONIO

Cisne fue. Cisne esbelto que agoniza
y mueve estrellas conmoviendo el aire,
derrumbando las alas de los pájaros
y en la ceniza derrumbando el fuego.

Vivió, clamó y murió verticalmente,
cambiando con el plomo la sonrisa.
Y conmovida en lágrimas, la noche
al alba lo encontró, muerto, a sus plantas.

Su sangre ya salpica las estrellas.
Su sangre enturbia el rumbo de los peces.
Donde su cuerpo, fulminado, yace,

su fuente es acueducto de la Patria
con la cal destilada de sus huesos
fundadores de rosas y laureles.

Adriano del Valle

Esperteza de um filho da Arca

O Sr. Samuel, dirigiu-se ao banco onde tem todos os
>seus depósitos e poupanças, pediu para falar com o Gerente, e
>disse-lhe:
>
>
>- Eu precisava de um crédito de 5 Euros a 30 dias.
>
>
>- Oh, Sr Samuel! ... um crédito de 5 Euros a 30 dias??? ...
>mas ficava-lhe muito menos dispendioso levantar os 5 Euros
>numa das suas contas à ordem - disse-lhe o Gerente, muito
>espantado
>
>
>- Bem, ... se não me concedem o crédito de 5 Euros a 30 dias,
>
>eu acabo com todas as minhas poupanças e depósitos
>neste banco, e vou para outro
>
>
>- Nem pensar nisso, Sr Samuel! ..o seu crédito está concedido
>desde já!
>
>
>O Sr. Samuel começou a preencher a papelada toda, para o
>crédito que pretendia de 5 Euros a 30 dias, e pergunta então
>ao Gerente:
>
>
>-Quanto vou pagar de juros?
>
>
>- Ora, 5 Euros a 30 dias, vai pagar 30 cêntimos de juros -
>responde-lhe o Gerente.
>
>
>- Bem, então eu queria deixar o meu BMW
> > >de garantia.
>
>
>- Oh Sr. Samuel, não é preciso! O Banco confia plenamente!
>
>
>- Bom, ... se não posso deixar o meu BMW como
>garantia de
>pagamento do crédito concedido, eu desisto do
>crédito e acabo com todas as minhas poupanças e
>depósitos neste banco, e vou para outro .
>
>
>- Nem pensar nisso, Sr Samuel! ... claro que nós
>aceitamos o
>seu BMW como garantia! Faça o favor de estacionar o
>seu BMW na nossa garagem, e ele ficará lá durante os
>30 dias do crédito!
>
>
>Chegado
>a casa, diz o Sr Samuel à mulher:
>
>
>- Pronto, já resolvi o problema para estacionar o
>carro durante os 30 dias em que vamos de férias, e
>só pago 30 cêntimos de parque!!!



PS- Num confrangedor processo de auto-censura, retirei do texto a extracção étnica do Sr. Samuel.

SONETO A JOSE ANTONIO III

Será eterna en nosotros tu memoria.
Y puesto en el dorado y alto asiento
defenderás mejor tu patrio suelo.

Fernando de Herrera





JOSE ANTONIO, mi voz acostumbrada
a renovar la duda en la alegría,
tierna y secreta en el umbral del día,
también ha sido fiel a tu llamada.

Para alcanzar la cumbre deseada
quebraba ya su albor mi poesía,
cuando tu aurora coronó la mía
y tuve a España por tu voz granada.

Privilegiando el cielo en la memoria
la forma de su claro mandamiento
tu abierto corazón cumple en la historia.

Y mientras gime mi postrer lamento,
torres de juventud cantan tu gloria
sobre la airada majestad del viento.

Luis Felipe Vivanco

SONETO A JOSE ANTONIO II

Si por murallas, pasión nunca sabida,
voces proclaman tu carne como escena,
¿qué tu boca sin sed, de tierra llena,
responde a nuestro amor y enorme vida ?

¿Escucharás siquiera la florida
rama de encina, por siglos tan serena,
o el vidrio que derrama en dura pena
peña sufriendo ríos sin medida ?

Muerte cegó tus ojos y usó el frío
hierro en tus pies, cadenas destinadas
a privarte del aire y del rocío.

José Antonio, señor, yacen desesperadas,
olvido del invierno y del estío,
las naves mozas por tu canto armadas.

Alvaro Cunqueiro

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Sonetário repassado para o saco do Rodrigo

A 21 dias do aniversário do Rodrigo, resolvi postar um soneto por dia, dedicado ao meu mestre escola político, um ícone que ele tanto adorava : José António Primo de Rivera.

Muita da recolha é do próprio Rodrigo.

SONETO A JOSE ANTONIO

Ese muro de cal, lívido espejo
en que araña su luz la madrugada,
de infame gloria y muerte blasonada
coagula y alucina alba y reflejo.

Para siempre jamás. La suerte echada.
El grito de la boca en flor rasgada
- en el cielo, un relámpago de espada –
y, opaco, en tierra, el tumbo. Después, nada.

Y ahora es el reino de las alas. Huele
a raíces y a flores. Y el decirme,
decirte con tu sangre lo que sellas.

Por ti, porque el aire el neblí vuelve,
España, España, España está en pie, firme,
arma al brazo y en lo alto las estrellas.



Gerardo Diego

A polémica da Guarda Cigana

To my dear philoArmacanus friend

Tenho andado a hesitar mas tenho que te dizer que efectivamente o Azinhal é quem tem razão.

Como tu próprio afirmaste (eu sei onde estavas e, que me recorde, não era por medo), não te encontravas no Camões.

O problema reside na credibilidade do teu informante. Esse menino é tão bom observador que um dia apareceu numa festa nossa acompanhado por um travesti, pensando que tinha feito um engate. Noutra oportunidade, escreveu-me para me pôr de sobreaviso em relação à piquena com que então namorava (e que é hoje minha mulher) pois tinha provas de que era uma infiltrada do PC. Ainda hoje nos rimos bastante os três com essa missiva que guardei religiosamente.

Quanto ao assunto propriamente dito, o facto de um homem se chamar Trancoso e ser de Chaves não faz dele um cigano e muito menos capitão de ciganos (de jagunços, talvez).

Ah ! é verdade. Em determinada altura das porradas liceais, esse teu informante havia anunciado a toda a direitagem do Pedro Nunes que não era preciso ter medo dos apaniguados do Grande Educador porque vinham aí as brigadas da Comissão Operacional do Partido do Progresso. Vim a descobrir dolorosamente que afinal as míticas brigadas de super-homens eram apenas... a minha humilde pessoa. E não fora uma providencial papelaria que por ali havia, tinha levado uma carga de pancada das antigas. Enfim...

Mas nada disso tem que ver com o carinho, a amizade e a camaradagem que a ele me ligam.