terça-feira, maio 23, 2006

Zangam-se as comadres...

Diverti-me imenso ontem ao assistir ao magnífico espectáculo de variedades que foi a edição do Prós e Contras. Então não é que o refinadíssimo Carrilho, armado em bárbaro Kalimero, vem agora levantar o véu da tenebrosa cortina conspirativa que faz e desfaz personagens da Nomenklatura. Há muito habituado a um regime dietético que lhe permitia levitar sobre o incomensurável mar dos mortais ordinários, o marido da bárbara, esqueceu-se que quando se mete demasiada gente na cama o lençol não tapa tudo; se se puxa para a cabeça destapam-se os pés...
Mas é agradável ver estas impertinentes e arrogantes personagens que tanto manipularam a Kultur em Portugal fazerem agora o papel de chorões queixinhas. Tanto foi o fel que algum respingou...

E apontam o dedo ao conluio dos media. É verdade que quando não buscam nos instintos mais rasteiros a fórmula eficaz para captar as audiências, os senhores que controlam os media injectam-nos com informação e espectáculo que pouco têm que ver com as referências culturais intrínsecas da nossa gente. Há muito que se deixou de fazer a promoção da língua e da literatura, da cultura popular, da música erudita e tradicional, etc.. E, das poucas vezes que o tentam, fazem-no quase sempre de forma politicamente polarizada, tratando esses âmbitos culturais mais como um instrumento de captação ou marcação ideológica do que como um fim em si mesmo. A promoção da Kultur é uma permanente feira de vaidades, onde só um bem delimitado conjunto tem entrada. Procurando aguentar-se em circuito fechado, tentam passar a ideia da maior abertura de espírito e tolerância não prescindindo de convidar, por vezes, um ou outro outsider, porventura mais sequioso de visibilidade pública ou de consideração social, como forma de iludir a imagem fortemente restrita do círculo. No sistema político, as formações partidárias agrupadas por matrizes ideológicas de há muito que cederam lugar às plataformas formadas pelo menor denominador comum dos interesses individuais ou de grupos limitados. Os partidos, nomeadamente os que configuram o balancé do Poder, são muitas vezes doutrinariamente intermutáveis, partilhando basicamente as mesmas ideias e orientações, apenas se distinguindo pelas cores clubistas, por um diferente património de memória histórica e, sobretudo, por distintas agregações de grupos de interesse. Tendo por referência a característica imobilidade burguesa dos Blocos Centrais, tendem a estratificar uma Liga de Poder estanque em que pontificam o clientelismo e o caciquismo, bloqueando qualquer iniciativa ou movimento que possa pôr em causa as regras do jogo, em particular, e o status quo, em geral.

Também se tornam cada vez mais evidentes, as abstrusas ligações entre altos responsáveis do Estado e alguns lobbies capazes de movimentar grandes quantidades de dinheiro como o são a construção civil, os fabricantes e distribuidores de medicamentos, os negociantes de armamento, o mundo do desporto profissional, algumas enigmáticas e pseudo-filantrópicas sociedades e Fundações, etc.. As relações entre estes grupos evoluem geralmente em espiral, aumentando o seu Poder potencial através da simples regra do coça as minhas costas que eu coçarei as tuas. E, amiúde, quer o mundo do espectáculo quer o da comunicação social, muitas vezes propriedade sua, ou sob o seu controlo, são usados para denunciar ou para esconder, para desgastar ou promover, para condenar ou incensar os adversários ou os membros afectos ao círculo, respectivamente.

Ao querer despudoradamente promover-se através dos fotogénicos argumentos da mulher, Carrilho esticou o lençol e destapou as partes...que se revelaram insignificantes e vulneráveis à ironia e à crítica.

Olivença, Olivença, Badajoz à vista....

Amigo e simpatizante da causa oliventina, como tenho muitas vezes demonstrado, resolvi transcrever a Carta que o Grupo dos Amigos de Olivença entregou ao embaixador de Madrid, acreditado em Lisboa.

Excelentíssimo Senhor
Embaixador do Reino de Espanha

No dia 20 de Maio de 1801, há exactamente 205 anos, os exércitos de Espanha, conluiada com a França napoleónica, invadiram Portugal e ocuparam a vila portuguesa de Olivença.
Manifesta ofensa ao Direito das Gentes, assim foi entendido pelas Potências de então que, no Congresso de Viena de 1815, onde Espanha também teve assento, reconheceram absolutamente a justiça das reclamações de Portugal sobre Olivença.
Por isso ficou consignado no Tratado de Viena, seu Art.º 105.º.
«Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S.
A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt».
Como melhor saberá Vossa Excelência, em 7 de Maio de 1817, há 189 anos, Espanha assinou o Tratado de Viena e reconheceu sem reservas os direitos de Portugal.
Decorridos dois séculos sobre a desonrosa ocupação de Olivença, o Estado que Vossa Excelência representa jamais respeitou o compromisso assumido perante a Comunidade Internacional. Do carácter honrado, altivo e nobre que Espanha diz ser o seu, não houve manifestação e, ao contrário, actuando com ostensivo desprezo pelo Direito e pela palavra dada, Espanha cobriu-se com o labéu da vilania.
Eis, singela, a «Questão de Olivença»: uma parcela de Portugal foi usurpada militarmente pelo Estado espanhol, há 205 anos, extorsão não reconhecida e ilegítima face ao Direito Internacional.
Não obedecendo ao Direito nem respeitando os seus compromissos, é Espanha, de que Vossa Excelência é Embaixador, que se desonra.
Quanto à ofensa que a ocupação de Olivença constitui para Portugal, compete aos Portugueses apreciá-la e julgá-la.
Da ofensa feita à Justiça e ao Direito, bem como da desonra trazida pela quebra da palavra dada, pertence a Espanha e a Vossa Excelência conhecer do seu significado.

Atentamente,
A Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença Lisboa, 20 de Maio de 2006.



Se, no essencial, a Carta transmite uma indignação justa e compreensível já o facto de se ignorar displicentemente que a ofensa da ocupação reside sobretudo na vergonhosa derrota do Duque de Lafões, enfraquece a missiva. Não há guerras justas e injustas; ou somos capazes de nos defender (com todos os meios) ou não... Sacrificámo-nos por Inglaterra, fomos carne de canhão para Wellington, e nem assim conseguimos re-ocupar Olivença (com a força do direito internacional decorrente do Tratado der Viena)na posse de uma Espanha desarticulada, dividida e enfraquecida.
Já chega de Kalimerismo...

A manifestação sistemática de impotência é ela própria uma ameaça à independência nacional, ao expor a fraqueza da alma e uma certa inevitabilidade do facto consumado...

segunda-feira, maio 22, 2006

O Zé Vilela disfarçado de Santo


Vejam lá onde nós chegámos...
O Zé Vilela, a fingir de estátua, embala o Menino Jesus na Quinta da Regaleira.



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Mais uma achega para a transparente biografia do Senza Paura


Perdoem-me o facto de ser um post repetido; mas quero continuar a contribuir para o peditório...

Quem havia de dizer; segundo Jesus Suevos, Humberto Delgado, dotado de grande ambição, pouca paciência e menos prudência, era o fascista mais avançado que conheceu em Portugal...

Era então dirigente da Legião Portuguesa o jovem e muito inteligente Costa Leite (Lumbrales) que foi depois muitos anos Ministro da Presidência de Salazar. Fomos ele e eu os oradores de um sonante acto público em plena Lisboa. Porém, poucos dias depois, num banquete que a Legião dedicou aos espanhóis, no Casino do Estoril, não tendo Costa Leite podido comparecer por motivo de um afazer inesperado, ofereceu em seu lugar o banquete um capitão da Aviação, comissário da Mocidade Portuguesa, que se chamava Humberto Delgado. Almoçámos, pois, juntos e, como seria natural, falámos todo o tempo de política. O então capitão Delgado era um homem entre os trinta e cinco e os quarenta anos, muito moreno, corpulento e com uma enorme vitalidade. Expressava-se com grande veemência e pareceu-me pouco prudente, pois sem se encomendar a Deus nem ao diabo começou a dizer-me que achava o regime português “pouco fascista”. Confessou-me que admirava Mussolini e que lhe parecia necessário “endurecer” a Legião portuguesa e, sobretudo, a Mocidade. O agora chefe da oposição “democrática” ao Estado Novo edificado por Salazar cria que ainda havia demasiadas reminiscências liberais nas estruturas das instituições e fórmulas do novo regime, e advogava “maior força e severidade”.

Tradução de um artigo de Jesus Suevos, no Arriba de 29 de Janeiro de 1961

sexta-feira, maio 19, 2006

O João Pedro Costa e Silva entrou no sono eterno...

Que o Senhor na Sua infinita misericórdia o acolha no seu séquito!
Era um camarada são, generoso, bem-humorado, valente, dedicado, leal que deixa profundas saudades.


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e os ecos do Monte da Lua respondem:


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quarta-feira, maio 17, 2006

1º de Dezembro de 1953

Memória radiofónica de um 1º de Dezembro de outros tempos. Para que conste e não se perca.


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Bibó o General sem medo!

Embora tenha decidido remeter-me a um saudável período de reflexão e abstinência bloguística, um incontrolável imperativo de consciência obrigou-me a contribuir para as comemorações desse humilde e abnegado democrata que dá pelo nome de Humberto da Silva Delgado, prolixo autor e artista de mérito. A salientar de entre as suas mais conseguidas obras "Da pulhice do Homo Sapiens" e o "Manual da Legião Portuguesa". Contribuindo para a sua tão celebrada biografia, permito-me anexar algumas fotos retiradas da Revista Defesa Nacional. Só tenho pena de não poder acrescentar nenhuma memória vídeo da sonora bofetada que o Cap. Henrique Galvão lhe pespegou a bordo do Santa Maria...






Seria interessante que o seu antigo ajudante de campo, o Coronel Tamagnini escrevesse as suas memórias. A descrição da birra que o sujeito fez quando as autoridades lhe manifestaram a impossibilidade de atribuir o seu nome ao Campo de Aviação das Lages é de chorar a rir. E a recusa em receber a salva de prata com que as forças vivas da Terceira o pretenderam homenagear ? Só depois de lhe tomar o peso é que se decidiu a aceitá-la... Vaidoso, ambicioso e troca tintas este general sem medo...

quarta-feira, maio 10, 2006

Mr. Silver em visita de Estado


Algumas personalidades presentes...

A mãe do Vieira da feijoca celebra a saída de Koeman

segunda-feira, maio 08, 2006

Ainda a propósito do Kamarada Lino...

Não sou daqueles que têm por hábito barafustar contra tudo o que é ou cheira a espanhol. Entendo que estamos condenados a entendermo-nos quanto mais não seja por razões geográficas. É verdade que Portugal se está a tornar um vazadouro de produtos espanhóis de baixa qualidade; mas a culpa reside, provavelmente, mais na subserviência, pusilanimidade e terceiro-mundismo dos agentes do nosso Estado do que em Espanha. Há muito que se sabe que as Nações e os países agem em função dos interesses e não das amizades. Mas creio que já basta de tanta arrogância ignorante dos nossos governantes.
No passado, não pude deixar de me indignar quando ouvi a ex-Ministra dos Negócios Estrangeiros do país do lado afirmar perante as Cortes que os espanhóis estão em Ceuta desde 1415! A gaffe até seria desculpável se ela não correspondesse à informação que os espanhóis têm já inculcada. A título de exemplo, é possível ler-se numa publicação da RBA Coleccionables que Ceuta e Tânger, entre outras, foram conquistadas durante a regência de Fernando, o Católico. Se, como se comprova no resto da obra, o autor Gabriel Cardona é absolutamente medíocre, já mais dificuldade se tem em perceber como é que o tradutor (Miguel Côrte-Real) e os Revisores(Fernando Moser e Pedro Alçada Baptista) deixaram passar estas alarvidades. Tanto mais que não são únicas. Noutro fascículo, a intervenção fundamental das tropas portuguesas comandadas por D. Afonso IV, na batalha do Salado é completamente ignorada. A publicação acompanha soldadinhos de chumbo de colecção e foi vendida em quase todas as bancas de jornais por esse país fora.
A talho de foice e estimulados por estas atitudes, não podemos deixar de falar do caso de Olivença. Se a sua posse efectiva não constitui hoje um crítico problema para a Segurança Nacional, já a reivindicação da nossa Soberania, para além de uma justa questão de Direito, é um ponto fulcral na coesão anímica que consolida a nossa Identidade Nacional. Abdicar dessa acção, por pusilanimidade, falta de convicção ou subserviência aos Espanhóis, é não só uma tremenda deslealdade para com a Nação como um erro grave em Política Internacional. Olivença pode não ser hoje uma terra portuguesa, pela vontade dos seus habitantes, como certamente Gibraltar não é espanhola mas o que não pode haver dúvidas é que ela é de Portugal tanto quanto o Rochedo o pode ser de Espanha. Ceder nesse ponto é, na prática, entregar simbolicamente a nossa Alma à insinuante vizinha. E não nos esqueçamos de que Espanha está em Olivença há cerca de cem anos menos do que Inglaterra está em Gibraltar...

terça-feira, maio 02, 2006

La canción del ausente

Para Ricardito, em homenagem ao seu bravo e desassombrado livro que tanto honra a memória do pai assassinado pela ETA. Obrigado pela dedicatória; podias tê-la posto no texto, sin problema...

Letra de Sergio Fiallo e música de De Raymond, com um agradecimento muito especial ao Nonas e ao Zé Carlos C.L..



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O cair das máscaras...

Intervenção do Ministro Mário Lino na Galiza:


Mientras España lleva meses sacudida por los debates sobre los estatutos de autonomía o si el Estado se desmembra y se "rompe" como nación, el ministro de Obras Públicas, Transportes y Comunicaciones de Portugal se confesó ayer en Santiago profundamente "iberista",convencido de que España y Portugal tienen por delante un futuro en común porque su historia es también común y su lengua, similar. Ante unas 150 personas, en su mayoría cargos directivos de la Caixa Geral de Depósitos y de su filial el Banco Simeón, Mario Lino impartió una conferencia obre "El papel de las infraestructuras en el desarrollo del Noroeste Peninsular" y el eje de su discurso fue resaltar la importancia de las relaciones que Portugal debe mantener con España para diseñar su red de infraestructuras.
"Soy iberista confeso. Tenemos una historia común, una lengua común y una lengua común. Hay unidad histórica y cultural e Iberia es una realidad que persigue tanto el Gobierno español como el portugués. Y si hay algo importante para estas relaciones son las infraestructurasde transporte", comentó el ministro, tres horas después de reunirse con Pérez Touriño y en un almuerzo-conferencia.
Mario Lino justificó la demora en definir los plazos del AVE entre Vigo-Oporto porque es "absolutamente necesario" asegurar que esta infraestructura "sea un éxito", por lo que se trabaja con el "máximo rigor". Pero no dio más detalles. Alguien del público le preguntó por los plazos y el ministro se puso a la defensiva: "Ésta es la pregunta de un periodista para ver si doy un plazo y me equivoco. La respuesta se sabrá a final de año, en la cumbre luso-española". Pero la cuestión no fue planteada por ningún periodista, sino por un directivo del Grupo Caixa Geral de Depósitos.
Otro cargo de la multinacional financiera portuguesa intentó poner en apuros al ministro al inquirirle por qué el AVE Vigo-Oporto no se llamaba Vigo-Braga si es un proyecto portugués y la mayor parte del trazado discurre por Portugal.
Mario Lino dio vueltas a los argumentos, que si la línea principal era Lisboa-Oporto, que si se buscaba enlazar al mayor número de poblaciones...
pero dejó sin contestar la pregunta.
Lino defendió la competencia entre todas las infraestructuras gallegas y las del norte de Portugal, pero advirtió de que se deben "concebir en conjunto para sacar mayores provechos" para ambos territorios. Acompañando a ministro estuvieron el delegado del Gobierno en Galicia, Manuel Ameijeiras, la conselleira de Política Territorial, María José Caride, o el presidente de la patronalgallega, Antonio Fontenla.

Texto Original
X. A. Taboada / SANTIAGO


Há quem pense que estas declarações são uma infracção às leis portuguesas. Sê-lo-ão ?
Artigo 308.º (CP)
Traição à Pátria

Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania:
a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou
b) Ofender ou puser em perigo a independência do País; é punido com pena de prisão de 10 a 20 anos.



Como diria o Misantatropo Calmado: Ihihihihihihihihihihihihih!

quarta-feira, abril 19, 2006

A NOSSA PÁTRIA


"Se amanhã, os espúrios filhos bastardos de raça tentassem, como ciganos de alborque, vender o património santo que nos legou o montante invencível de D. Afonso Henriques, Os Lusíadas seriam um tremendo libelo acusatório, trovejando cóleras épicas, estigmatizando a traição, chorando perpetuamente sobre as ruínas da nossa glória..."
Olímpio César


Abandonando o seu velhinho "berço",
Na vetusta e histórica Guimarães,
A Pátria de nossos pais,
De nossas mães,
De nossos avós,
De todos nós,
Caminha, alquebrada
(De idade secular),
Ao longo de montes e vales,
E pára, exausta e triste,
Junto ao mar.
Ali uma vez,
Perscrutando o horizonte atlântico,
O que foi o Mar Português,
Ajoelha, e recolhe-se a rezar...
E, quando ao Sol posto,
Se ergue lentamente,
E se queda, de olhar vago, distante,
Naquele nostálgico e imenso areal
- Correm-lhe pelas faces,
Enrugadas
E retesadas,
Lágrimas amargas como o sal!...


João Patrício(1979)

terça-feira, abril 11, 2006

Chama-me camarada

Identificada muitas vezes no Cancioneiro fetista pelo título em epígrafe, tem letra de José María García-Cernuda Calleja e música de Agustín Paíno Mendicoague.

Cubre tu pecho de azul



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Maria da Fonte

Mais um subsídio para a história da resistência ao PREC.
O Zé de novo, com letra de D. Vasco Teles da Gama



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En el pozo Maria Luísa

Santa Bárbara bendita
patrona de los mineros...

Mais uma canção popular usada pelos anarquistas das Astúrias. Não deixa de ser irónico que ao mesmo tempo que penduravam católicos em ganchos de carne, apelassem a santa Bárbara...



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segunda-feira, abril 10, 2006

Eu tinha um camarada...

De novo: Ich hatt'einen Kameraden de ludwig Uhland8 (1786-1862)



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Até amanhã, em Jerusalém...

Meu caro Jans

Hesitei em escrever este postal, sobretudo para evitar contrariar os teus desejos de não voltar a mexer no assunto. Mas o sentido da Justiça e da Verdade está de tal maneira inculcado em mim que não pude resistir ao ímpeto.
*Sabes como ninguém que nunca fui, não sou, não quero ser (e tenho pó a quem o é) nacional-socialista. Não precisei, contudo, para assumir essa convicção de ser influenciado pelas revelações de genocídios provocados pelos alemães; bastava-me a ideologia apregoada, nomeadamente a sua essência e substância...
*Far-me-ás a justiça de acreditar de que tampouco sou anti-semita; sendo militantemente não racista e procurando fazer crescer no meu coração a semente que o Deus de Abraão, pela vida e paixão, do seu Ungido, lá me colocou só por pura miopia poderia ter uma posição contrária.
*Os genocídios provocados pela Guerra, tenham sido pelos alemães, russos, romenos, japoneses, ingleses ou americanos são factos históricos e só uma pequeníssima franja de historiadores (ou equiparados) os contesta (sobretudo no que diz respeito aos alemães e romenos porque quantos aos outros ninguém abre a boca). Parece-me normal se atendermos à chamada distribuição uniforme do tratamento da informação.
É natural que a indignação provocada pelo desequilíbrio ético na condenação de todos os fenómenos de repressão, segregação, humilhação, tortura e execução de seres humanos leve a atitudes exacerbadas que tocam o limiar do admissível.
*Lamento (como poderia ser de outra forma?) o assassínio de grande quantidade de judeus (os seis milhões não são mais do que um cliché como o é o milhão de mortos da GCE), como de ciganos, de católicos e sobretudo de eslavos que pereceram às mãos dos alemães. Como não posso deixar de lamentar os seres humanos que foram violados, torturados e assassinados por comunistas, por ingleses e por franceses. Na morte, não lhes destingo o sangue, a fé, a cor ou as razões.
Dito isto, como prœmio, e face ao manifesto exagero que tem havido na monopolização das vítimas dos genocídios como sendo eminentemente judaicas (como se a vida de um judeu valesse mais do que a de um não judeu) não posso deixar de manifestar a minha repulsa, em nome da Justiça e da Verdade pelo facto de terem transformado num crime a simples reflexão sobre se o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra mundial foi resultado das circunstâncias adversas da guerra e, obviamnete, dos vectores ideológicos que enformavam o regime nazi ou correspondeu de facto a uma sistematizada e projectada Solução Final para o chamado problema judaico do Centro da Europa. Para os mortos e seus familiares e para os sobreviventes a questão é porventura despicienda mas para o registo histórico honesto ela é importante. Impor dogmas em História é, à partida, permitir a mentira e o triunfo do Oblivion.
Porque é que se não pode perguntar porque é que que Rudolf Hess que praticamente não fez a guerra, foi condenado como criminoso de guerra? Ou terá sido por delito de opinião ?
Porque se fala à boca pequena de Katyn, de Trieste e da entrega dos exércitos de Vlasov? Dos criminosos bombardeamentos de Dresden e Hamburgo ? Da sistemática violação de mulheres alemãs, austríacas, polacas, romenas e húngaras pelos russos e pelos americanos (as francesas que o digam)? Justiça Væ Victis?
Muita dessa insistência na Shoa como essencialmente orientada para os Judeus acaba por se virar contra eles como muito bem percebeu Norman Finkelstein e o denunciou na Indústria do Holocausto.
E depois, pela empatia com as vítimas assinadas do genocídio nazi, se concluir que tudo lhes é devido e permitido, parece-me um disparate igualmente grave. Os palestinianos, igualmente semitas e seres humanos, têm o mesmo direito a existir que os judeus como estes o tinham em relação aos alemães.
Tenho-me (ponho de lado qualquer falsa modéstia) por ser um entendido curioso nas coisas judaicas que sempre me apaixonaram (provavelmente por ascendência de que muito me orgulho)e seria dos últimos a considerar-me anti-judaico. Mas não aceito racismos velados nem duplicidade de pesos e medidas.
E creio que nem tu nem o P.C.P. gostariam de estar na mesma fotografia que o caricato Rato mas por vezes o vosso raciocínio é demasiado maniqueista para o meu gosto.

Brevemente iniciarei a postagem de canções da diáspora judaica portuguesa...

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA !

sexta-feira, abril 07, 2006

Quando se têm dois amores...si us plau

Com Alfonso XIII, à espreita, Hitler à esquerda e Iossif Vissarionovitch Djugatchvilli à direita...



A síntese irónica do marketing da imagem


Buñuel e o pintor numa pose muito almodoveriana...


o Pintor e o amante...