Gravíssimas declarações ...na terra gélida do país dos mil lagos.
sexta-feira, outubro 16, 2009
quarta-feira, outubro 14, 2009
Dª Maitê e seu Migueo
Vários foram os amigos que me contactaram a pedir esclarecimentos sobre o tal artigo do Miguel Sousa Tavares. Para evitar mais trabalho, ei-lo:
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e inclinou-se para a frente… Em segundos estava a deliciar-me com um um daqueles bicos que só se fazem em auto-estradas desertas como as nossas. No final suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e inclinou-se para a frente… Em segundos estava a deliciar-me com um um daqueles bicos que só se fazem em auto-estradas desertas como as nossas. No final suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
E o burro sou eu?
Muita gente se interroga sobre o porquê da cuspidela no fim?! Recuperem e leiam o artigo de Miguel Sousa Tavares sobre a A6 e as gentilezas on the road de uma sua amiga estrangeira (era Dª Maitê, pois claro!)e perceberão tudo...
segunda-feira, outubro 12, 2009
O crime de Mondim: A vergonhosa desfaçatez de um Governador Civil
Só num país terceiro-mundista a que esta corja socialista nos condenou é possível a desfaçatez de um homem com a responsabilidade de um Governador Civil mentir com quantos dentes tem na boca. E o candidato do seu partido não lhe fica atrás. Que rica gente esta. E o safardana até foi eleito pelas gentes de Mondim!!!
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O atestado médico ou um país de vómito
O atestado médico
por José Ricardo Costa
Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância. Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa. Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta.
Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la?
Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante. Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias.
A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI. O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente. Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade. Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o 'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões.
O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso Henriques, que Deus me perdoe. A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados. Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade.
Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei. Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja.
Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho. Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.
(Texto escrito por um professor de filosofia que escreve semanalmente para o jornal “O Torrejano”)
Uma ligeiríssima correção: A frase atribuída sistematicamente a Goebbels (ou, por vezes, a Stalin) tem na realidade a sua autoria no cínico Voltaire.
por José Ricardo Costa
Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância. Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa. Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta.
Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la?
Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante. Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias.
A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI. O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente. Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade. Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o 'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões.
O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso Henriques, que Deus me perdoe. A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados. Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade.
Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei. Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja.
Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho. Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.
(Texto escrito por um professor de filosofia que escreve semanalmente para o jornal “O Torrejano”)
Uma ligeiríssima correção: A frase atribuída sistematicamente a Goebbels (ou, por vezes, a Stalin) tem na realidade a sua autoria no cínico Voltaire.
O investimento cultural socialista: Arte de vanguarda
Esta genial tela viria a ser adquirida pelo Joy Bera Ardo, com um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos de 20 000 000 de euros sobre uma hipoteca do próprio bem. Após consulta a Paulo Pedroso, reconhecido especialista sobre o colectivo de autores, a magnificente obra de arte foi, entretanto, entregue à Fundação Serralves para guarda e deleite das luminárias sinistras do Porto e arredores. Enjoy it, pategos!
terça-feira, setembro 29, 2009
segunda-feira, setembro 28, 2009
Sabedoria cuanhama...
Depois de perceber que afinal a vaca é um boi, só um tonto insiste em ordenhá-l(o)...
Kundi Obocuè
(Pastor cuanhama)
Kem kizer ke enfie a karapussa
Kundi Obocuè
(Pastor cuanhama)
Kem kizer ke enfie a karapussa
Olha o venerável Costa, preclaro e honesto citoyen
Pelos vistos o que o meu povo gosta, continua a ser panem et circenses. O pior vai ser ser quando o pão se acabar porque o circo e as romarias essas nem que sejam virtuais vão continuar.
Como beirão sinto uma tremenda vergonha (e não é alheia, creiam)pela votação dos meus patrícios. A única razão que concebo é terem saudades dos banha-da-cobra das feiras das romarias da Senhora do Almurtão.
quinta-feira, setembro 24, 2009
A gripe dos suínos
De embuste em embuste até à Maçonaria final...
Skull & bones and pigs feet
Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada...
Skull & bones and pigs feet
Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada...
Etiquetas:
Gripe A,
mundialismo,
negócios escuros
quarta-feira, maio 27, 2009
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Vatican II
sexta-feira, janeiro 23, 2009
As aventuras do Siô Jacó, retiradas da arca
A propósito das recentes desavenças semíticas, lá para os lados da Santa Terra, lembrei-me de um post de há dois anos, a que nem tive de sacudir o pó. Intitulei-o então de As aventuras do siô Jacó. Relembro-a aqui, como uma gota de água fria na prósápia vitimizante polarizada apenas a um dos lados, que por aí grassa em meios que tinham obrigação de saber mais.
Quando eu era pequeno minha avó contava-me pequenas histórias e fábulas. Nem todas tinham um final feliz o que me fazia, por vezes, chorar. Para além da história da carochinha que muitos sabem de cor, mesmo na versão do ratão Hamas a cair no caldeirão (merecidamente, pelo atrevimento, ora essa!), minha avó contava-me outra, igualmente triste, igualmente trágica. Ei-la:
Era uma vez um senhor chamado Jacó que vivia afanosamente num vetusto prédio, banhado pelo Sol e refrescado pela Lua. Nesse espaço colectivo, degradado pela incúria de sucessivos proprietários absentistas, viviam também o senhor Abdullah e os seus primos Fareed e Ibrahim. Na cave, sub-alugada pelo senhor Zacaria, dormia ocasionalmente Michel Hadad. Uns residentes trabalhavam no comércio, outros na agricultura e alguns (poucos) nas pequenas indústrias que se iam instalando aqui e acolá.
E um dia o senhor Jacó recebeu um aflitivo telegrama de uma prima que lhe relatava, em breves mas dramáticas palavras, a perseguição que toda a parentela estava a sofrer na terra longínqua em que há muito viviam. Tinham que fugir urgentemente e queriam saber se podiam contar com o parente para os acolher. Jacó pensou, pensou e respondeu que sim; que lhe dessem algum tempo...
Interiorizando o atávico apelo familiar, Jacó assumido descendente de gerações de antigos proprietários do imóvel, provavelmente os seus construtores, idealizou um plano para arranjar espaço para a família em aflição.
Um belo dia em que se cruzou sob uma palmeira com Ibrahim, deixou cair, como quem tem relutância em dizer tudo, que talvez fosse melhor o vizinho andar de olho em Hadad porque lhe tinham dito que este parecia andar a rondar a sua filha Aisha com propósitos inconfessáveis. Acrescentou, é claro, que, provavelmente, tudo não passaria de um boato de gente maledicente. Ibrahim espumou de raiva e, na primeira oportunidade, confrontou Hadad que lhe retorquiu incrédulo e mal-disposto que não estava para lhe aturar insolências e que o melhor era ele ver o que se passava com Mohamed, filho de Fareed. Instalada a intriga, as famílias rapidamente hiperbolizaram a desconfiança e as disputas e os confrontos verbais e físicos tornaram-se habituais. Jacó, com risinho misantrópico, mandou a mulher apresentar queixa na Polícia contra os vizinhos que estavam a tornar a sua vida insuportável. E queixou-se igualmente ao senhorio... Preocupado com a visibilidade que o assunto estava a dar ao prédio, Zacaria disse a Hadad que tinha que ir-se porque ele não tinha contratualmente o direito de sub-alugar. Mas antes que Zacaria visse a sua determinação executada, por denúncia de Jacó, já o senhorio estava ao corrente da situação e rescindiu o contrato com Zacaria dando-lhe ordem de despejo. Jacó, através da aproximação ao senhorio e prometendo-lhe uma renda maior, alugou o espaço devoluto e mandou vir o primo Ytzak e a família.
Passado algum tempo, também Ytzak apresentou queixa ao senhorio sobre o comportamento indesejável dos outros inquilinos. Com Jacó tu-cá-tu-lá com o senhorio, a quem prometia rendas mais elevadas se este lhe alugasse os outros apartamentos, o processo foi rápido e contou com a conivência e colaboração da Polícia que, pela força bruta, despejou do prédio os Fareed, os Abdullah e todos os seus parentes e amigos.
Revoltados, resolveram acampar em frente do prédio, inicialmente como forma de protesto. Como os recém chegados primos e amigos de Jacó tivessem tomado conta de toda a economia local, para sobreviver, muitas mulheres tiveram que ir trabalhar a dias paras as casas em que antes habitavam. Nas suas brincadeiras infantis, os seus filhos carregavam o ódio e aversão aos que haviam ocupado o prédio em que antes as suas famílias haviam vivido e, por vezes, apedrejavam os filhos dos actuais inquilinos que respondiam com tiros de caçadeira invocando o direito de resposta e de defesa. Mercê da vocação (e poder) empreendedor dos seus novos residentes o prédio havia adquirido um novo look, tornara-se mais apresentável e tinha mesmo um heliporto no telhado. Pela gestão de influências, pela firme e contundente forma como respondiam às invectivas dos anteriores residentes foram ficando. Invocando o usocapião, assumiram a posse efectiva de tal forma que o proprietário se viu obrigado a deixar-lhes o prédio em herança... Consolidados nessa posse, ainda hoje manifestam surpresa e indignação por terem de continuar a defender-se das pedradas (hoje, já actualizadas pelas novas tecnologias) dos filhos e netos de Abdullah e seus amigos.
Quando eu era pequeno minha avó contava-me pequenas histórias e fábulas. Nem todas tinham um final feliz o que me fazia, por vezes, chorar. Para além da história da carochinha que muitos sabem de cor, mesmo na versão do ratão Hamas a cair no caldeirão (merecidamente, pelo atrevimento, ora essa!), minha avó contava-me outra, igualmente triste, igualmente trágica. Ei-la:
Era uma vez um senhor chamado Jacó que vivia afanosamente num vetusto prédio, banhado pelo Sol e refrescado pela Lua. Nesse espaço colectivo, degradado pela incúria de sucessivos proprietários absentistas, viviam também o senhor Abdullah e os seus primos Fareed e Ibrahim. Na cave, sub-alugada pelo senhor Zacaria, dormia ocasionalmente Michel Hadad. Uns residentes trabalhavam no comércio, outros na agricultura e alguns (poucos) nas pequenas indústrias que se iam instalando aqui e acolá.
E um dia o senhor Jacó recebeu um aflitivo telegrama de uma prima que lhe relatava, em breves mas dramáticas palavras, a perseguição que toda a parentela estava a sofrer na terra longínqua em que há muito viviam. Tinham que fugir urgentemente e queriam saber se podiam contar com o parente para os acolher. Jacó pensou, pensou e respondeu que sim; que lhe dessem algum tempo...
Interiorizando o atávico apelo familiar, Jacó assumido descendente de gerações de antigos proprietários do imóvel, provavelmente os seus construtores, idealizou um plano para arranjar espaço para a família em aflição.
Um belo dia em que se cruzou sob uma palmeira com Ibrahim, deixou cair, como quem tem relutância em dizer tudo, que talvez fosse melhor o vizinho andar de olho em Hadad porque lhe tinham dito que este parecia andar a rondar a sua filha Aisha com propósitos inconfessáveis. Acrescentou, é claro, que, provavelmente, tudo não passaria de um boato de gente maledicente. Ibrahim espumou de raiva e, na primeira oportunidade, confrontou Hadad que lhe retorquiu incrédulo e mal-disposto que não estava para lhe aturar insolências e que o melhor era ele ver o que se passava com Mohamed, filho de Fareed. Instalada a intriga, as famílias rapidamente hiperbolizaram a desconfiança e as disputas e os confrontos verbais e físicos tornaram-se habituais. Jacó, com risinho misantrópico, mandou a mulher apresentar queixa na Polícia contra os vizinhos que estavam a tornar a sua vida insuportável. E queixou-se igualmente ao senhorio... Preocupado com a visibilidade que o assunto estava a dar ao prédio, Zacaria disse a Hadad que tinha que ir-se porque ele não tinha contratualmente o direito de sub-alugar. Mas antes que Zacaria visse a sua determinação executada, por denúncia de Jacó, já o senhorio estava ao corrente da situação e rescindiu o contrato com Zacaria dando-lhe ordem de despejo. Jacó, através da aproximação ao senhorio e prometendo-lhe uma renda maior, alugou o espaço devoluto e mandou vir o primo Ytzak e a família.
Passado algum tempo, também Ytzak apresentou queixa ao senhorio sobre o comportamento indesejável dos outros inquilinos. Com Jacó tu-cá-tu-lá com o senhorio, a quem prometia rendas mais elevadas se este lhe alugasse os outros apartamentos, o processo foi rápido e contou com a conivência e colaboração da Polícia que, pela força bruta, despejou do prédio os Fareed, os Abdullah e todos os seus parentes e amigos.
Revoltados, resolveram acampar em frente do prédio, inicialmente como forma de protesto. Como os recém chegados primos e amigos de Jacó tivessem tomado conta de toda a economia local, para sobreviver, muitas mulheres tiveram que ir trabalhar a dias paras as casas em que antes habitavam. Nas suas brincadeiras infantis, os seus filhos carregavam o ódio e aversão aos que haviam ocupado o prédio em que antes as suas famílias haviam vivido e, por vezes, apedrejavam os filhos dos actuais inquilinos que respondiam com tiros de caçadeira invocando o direito de resposta e de defesa. Mercê da vocação (e poder) empreendedor dos seus novos residentes o prédio havia adquirido um novo look, tornara-se mais apresentável e tinha mesmo um heliporto no telhado. Pela gestão de influências, pela firme e contundente forma como respondiam às invectivas dos anteriores residentes foram ficando. Invocando o usocapião, assumiram a posse efectiva de tal forma que o proprietário se viu obrigado a deixar-lhes o prédio em herança... Consolidados nessa posse, ainda hoje manifestam surpresa e indignação por terem de continuar a defender-se das pedradas (hoje, já actualizadas pelas novas tecnologias) dos filhos e netos de Abdullah e seus amigos.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
terça-feira, setembro 23, 2008
segunda-feira, setembro 08, 2008
A primeira remessa dos novos equipamentos para o Exército
A fim de re-equipar as F.A. Portuguesas, apetrechando-as com os mais modernos equipamentos que lhes possibilitem o cumprimento das novas missões pós-Império, os socretinos, com pompa e circunstância, fizeram as primeiras entregas à Brigada Mixta de Intervenção super-rápida. Entre as massas populares que abrilhantaram o acto fizeram furor os novos meios para a cavalaria, inteligentemente adequados ao Afeganistão.


Descaridade...
Mais um brilhante artigo do Pe. Nuno Serras Pereira. (Das poucas coisas que nos dias que correm me obrigam a blogar)
A Sagrada Escritura e a história da Igreja mostram à saciedade que a auto-crítica e auto-correcção públicas foram uma constante no povo de Deus, principalmente até ao século XVI. Com a impropriamente chamada “Reforma” protestante desenvolveu-se uma nova apologética que na ânsia de proteger a Igreja não só colocava os seus membros a salvo de toda e qualquer crítica pública como mascarava muito do que necessitava conversão. Esta atitude que surgiu como reacção ao imenso cerco dos inimigos e às enormes falsidades que propalavam se é compreensível teve, não obstante, os inconvenientes de por vezes diminuir a humildade, raiz de todas as virtudes, e de deixar perpetuar erros e pecados que de algum modo endureceram os corações de muitos, inclusive na hierarquia.
O Papa João Paulo II com aquela celebração que ficou conhecida para o grande público como o “pedido de perdão” não fez mais que retomar a Tradição (não tradicionalismo). Por seu lado o Papa Bento XVI num dos seus diálogos com o clero louvou a crítica de algumas santas aos Bispos do seu tempo como um factor importante na reformação da Igreja. Santo António de Lisboa chamado no seu tempo “martelo dos hereges” deveria antes, segundo P. Fr. Henrique Pinto Rema, reconhecido estudioso do santo, ser intitulado “martelo dos prelados” (Prelados eram os Bispos, Abades, Priores e Superiores de Ordens religiosas) tal era a insistência e veemência com que os criticava não se inibindo, por exemplo, de lhes chamar “cornudos”, devido à sua – deles - soberba e arrogância. Rabelais, sacerdote franciscano que abandonou a Ordem, copia extensamente, diria desavergonhadamente, nas suas obras, sermões usados pelos pregadores desta Ordem nas suas críticas à Igreja do seu tempo.
Tudo isto que aqui vai desenhado a largos e mal amanhados traços como um rascunho serve como introdução para facilitar a compreensão da reviravolta - quer em relação à Tradição da Igreja quer ao período que se seguiu ao século XVI - que se deu nas atitudes e comportamento de tantos durante e após o Concílio Vaticano II. Aquando do anúncio do Concílio pelo Bem-aventurado João XXIII, logo as forças inimigas de Cristo, em particular o marxismo comunista, a maçonaria, o humanismo ateu, o eugenismo e o socialismo/liberal-capitalista (esta associação está muito bem documentada nos movimentos favoráveis ao controlo demográfico, por ex.) procuraram infiltrar-se e influenciar o mesmo (para além da vasta literatura sobre o assunto tenho aqui em conta também as informações que colhi de minha tia paterna, Maria Manuel Serras Pereira, única jornalista portuguesa presente neste grande evento da Igreja). Apesar do gigantismo das pressões, das conjuras e manipulações não há dúvida nenhuma de que se tratou de um verdadeiro acontecimento suscitado pelo Espírito Santo na continuidade radical com aquilo que o Mesmo tinha suscitado ao longo da história da Igreja. Descontentes com o resultado logo uma legião de membros da comunidade eclesial cumpliciados com a comunicação social, braço “omnipresente” das forças antes referidas, como uma sanha petulante distorceram e perverteram o Concílio em nome de um “espírito”, contrário aos documentos, que não era senão um pretexto para camuflar as suas verdadeiras intenções e objectivos: uma ruptura com o passado e uma refundação da Igreja à medida dos projectos humanos. Não já uma Igreja fundada e construída por Jesus Cristo mas uma fabricada inteiramente pelo homem, isto é um ídolo.
Esta mentalidade com maior ou menor intensidade disseminou-se largamente em amplos sectores da Igreja quase por todo o mundo.
Tornou-se então habitual, em nome de pressupostos fundados em preconceitos e não na verdade, e de um subjectivismo alheio à razão e à Fé, uma crítica cerrada e implacável à autoridade e à hierarquia enquanto tais (como se não foram instituídas por Cristo) e uma oposição contumaz ao seu ensino. Importa muito entender que esta crítica nada tem a ver com a que referimos anteriormente como fazendo parte da Tradição (não tradicionalismo). De facto, dá-se aqui uma inversão total. Enquanto antes partindo da doutrina sobre a Fé e a moral, do Evangelho, se procurava purificar e converter o povo de Deus agora procura-se uma conformação a “este mundo” (no sentido que S. Paulo e S. João lhe dão: realidade que se opõe a Deus e aos Seus desígnios). A ascendência de que estes filhos da Igreja, feitos filhos de Satanás, gozaram sobre as mentalidades inclusive dos membros do povo de Deus nos seus diversos níveis foi impressionante, e ainda perdura em muitos espíritos. Um dos sinais eloquentes disso é o facto de muitos membros da Igreja não verem a Verdade que esta anuncia como tal mas somente como uma opinião entre tantas que se pode em boa consciência descartar. O seu poder intimidatório é de tal ordem que nalgumas nações há sacerdotes fiéis na sua doutrina à Igreja que por esse motivo são desqualificados por Bispos enquanto outros, rigorosamente hereges, fazem tremer Conferências Episcopais que em Notas Pastorais fazem vénias e juras de acatamento a alguns dos seus ditos ou escritos.
Mais, se espancam a doutrina da Igreja, ensinam em Faculdades de Teologia preparando os futuros sacerdotes, enquanto aqueles que os criticam são acoimados, marginalizados, tidos como leprosos.
Esta trupe ou súcia tem como grande descaridade toda e qualquer observação crítica em relação a eles próprios, aos inimigos do género humano e aos da Igreja, considerando-as mesmo intoleráveis, um ataque maligno à união e concórdia na Igreja, e têm como uma enorme obra de misericórdia ignorar, perseguir, censurar, “excomungar”, desdenhar dos que procuram, não obstante toda a sua fraqueza, ser fiéis à Verdade e à Fé Católica e Apostólica.
Coadjuvar os promotores do crime é para eles uma virtude cristã; silenciar quem o denuncia e indignar-se contra ele é de justiça e uma obra de caridade.
Enganar o povo de Deus falseando a verdade que a Igreja anuncia para nosso bem e salvação quer omitindo partes da mesma quer dando interpretações que distorcem o seu significado autêntico quer exprimindo-a de um modo equívoco, são, no seu entender, obras de misericórdia e atitudes pastorais; anunciá-la com clareza e sem ambiguidades, chamando as coisas pelos seus nomes (João Paulo II), é uma bestialidade. Opor a verdade à caridade é uma atitude sensata, compreensiva, misericordiosa; afirmar que o anúncio da verdade é uma forma eminente de caridade (Paulo VI) é um fundamentalismo brutal.
Profanar a Sagrada Eucaristia distribuindo-a sacrilegamente a obstinados pecadores públicos é sinal de grande misericórdia; salvaguardar a Sacralidade deste Sacramento Santíssimo, impedir o sacrilégio e evitar que o povo de Deus seja induzido em pecado é de uma insuportável descaridade.
De modo que o Diabo nos dias de hoje assume esta aparência de benignidade, de mansidão, de benevolência, de caridade para nos fazer suspeitar e ver como inimigo quem nos indica o caminho recto e nos induzir às maiores crueldades, catástrofes e infelicidades, tal como se verificaram nestes cem últimos anos – do nazismo ao comunismo, da contracepção ao aborto, da reprodução artificial à experimentação em embriões e à clonagem, do “casamento” de sodomitas à eutanásia: tudo em nome da caridade e da misericórdia.
Não deixemos que nos roubem as palavras nem que se altere o seu significado. Há que dizer-se das coisas aquilo que elas são.
Engana-se quem pensa que os maiores inimigos da Igreja estão fora dela e que criticar “os de dentro” é fomentar a discórdia e a desunião. Os maiores horrores dos últimos cinquenta anos não se teriam realizado sem a cumplicidade dos “de dentro”: “A Igreja de Deus está rodeada por toda a classe de inimigos, como um lírio entre espinhos (Cânt 2, 2); mas o mais perigoso e doloroso para ela é ver-se despedaçada interiormente por aqueles que traz no seu seio e alimenta a seus peitos. São esses que lhe arrancam aquele grito de dor e de pranto: Os meus amigos e parentes me rodeiam e atentam contra mim (Sl 37, 12). Não há peste mais desastrosa e mortal que um familiar convertido em inimigo.” (S. Bernardo de Claraval, carta 330 - Ao Papa Inocêncio contra Pedro Abelardo).
A Sagrada Escritura e a história da Igreja mostram à saciedade que a auto-crítica e auto-correcção públicas foram uma constante no povo de Deus, principalmente até ao século XVI. Com a impropriamente chamada “Reforma” protestante desenvolveu-se uma nova apologética que na ânsia de proteger a Igreja não só colocava os seus membros a salvo de toda e qualquer crítica pública como mascarava muito do que necessitava conversão. Esta atitude que surgiu como reacção ao imenso cerco dos inimigos e às enormes falsidades que propalavam se é compreensível teve, não obstante, os inconvenientes de por vezes diminuir a humildade, raiz de todas as virtudes, e de deixar perpetuar erros e pecados que de algum modo endureceram os corações de muitos, inclusive na hierarquia.
O Papa João Paulo II com aquela celebração que ficou conhecida para o grande público como o “pedido de perdão” não fez mais que retomar a Tradição (não tradicionalismo). Por seu lado o Papa Bento XVI num dos seus diálogos com o clero louvou a crítica de algumas santas aos Bispos do seu tempo como um factor importante na reformação da Igreja. Santo António de Lisboa chamado no seu tempo “martelo dos hereges” deveria antes, segundo P. Fr. Henrique Pinto Rema, reconhecido estudioso do santo, ser intitulado “martelo dos prelados” (Prelados eram os Bispos, Abades, Priores e Superiores de Ordens religiosas) tal era a insistência e veemência com que os criticava não se inibindo, por exemplo, de lhes chamar “cornudos”, devido à sua – deles - soberba e arrogância. Rabelais, sacerdote franciscano que abandonou a Ordem, copia extensamente, diria desavergonhadamente, nas suas obras, sermões usados pelos pregadores desta Ordem nas suas críticas à Igreja do seu tempo.
Tudo isto que aqui vai desenhado a largos e mal amanhados traços como um rascunho serve como introdução para facilitar a compreensão da reviravolta - quer em relação à Tradição da Igreja quer ao período que se seguiu ao século XVI - que se deu nas atitudes e comportamento de tantos durante e após o Concílio Vaticano II. Aquando do anúncio do Concílio pelo Bem-aventurado João XXIII, logo as forças inimigas de Cristo, em particular o marxismo comunista, a maçonaria, o humanismo ateu, o eugenismo e o socialismo/liberal-capitalista (esta associação está muito bem documentada nos movimentos favoráveis ao controlo demográfico, por ex.) procuraram infiltrar-se e influenciar o mesmo (para além da vasta literatura sobre o assunto tenho aqui em conta também as informações que colhi de minha tia paterna, Maria Manuel Serras Pereira, única jornalista portuguesa presente neste grande evento da Igreja). Apesar do gigantismo das pressões, das conjuras e manipulações não há dúvida nenhuma de que se tratou de um verdadeiro acontecimento suscitado pelo Espírito Santo na continuidade radical com aquilo que o Mesmo tinha suscitado ao longo da história da Igreja. Descontentes com o resultado logo uma legião de membros da comunidade eclesial cumpliciados com a comunicação social, braço “omnipresente” das forças antes referidas, como uma sanha petulante distorceram e perverteram o Concílio em nome de um “espírito”, contrário aos documentos, que não era senão um pretexto para camuflar as suas verdadeiras intenções e objectivos: uma ruptura com o passado e uma refundação da Igreja à medida dos projectos humanos. Não já uma Igreja fundada e construída por Jesus Cristo mas uma fabricada inteiramente pelo homem, isto é um ídolo.
Esta mentalidade com maior ou menor intensidade disseminou-se largamente em amplos sectores da Igreja quase por todo o mundo.
Tornou-se então habitual, em nome de pressupostos fundados em preconceitos e não na verdade, e de um subjectivismo alheio à razão e à Fé, uma crítica cerrada e implacável à autoridade e à hierarquia enquanto tais (como se não foram instituídas por Cristo) e uma oposição contumaz ao seu ensino. Importa muito entender que esta crítica nada tem a ver com a que referimos anteriormente como fazendo parte da Tradição (não tradicionalismo). De facto, dá-se aqui uma inversão total. Enquanto antes partindo da doutrina sobre a Fé e a moral, do Evangelho, se procurava purificar e converter o povo de Deus agora procura-se uma conformação a “este mundo” (no sentido que S. Paulo e S. João lhe dão: realidade que se opõe a Deus e aos Seus desígnios). A ascendência de que estes filhos da Igreja, feitos filhos de Satanás, gozaram sobre as mentalidades inclusive dos membros do povo de Deus nos seus diversos níveis foi impressionante, e ainda perdura em muitos espíritos. Um dos sinais eloquentes disso é o facto de muitos membros da Igreja não verem a Verdade que esta anuncia como tal mas somente como uma opinião entre tantas que se pode em boa consciência descartar. O seu poder intimidatório é de tal ordem que nalgumas nações há sacerdotes fiéis na sua doutrina à Igreja que por esse motivo são desqualificados por Bispos enquanto outros, rigorosamente hereges, fazem tremer Conferências Episcopais que em Notas Pastorais fazem vénias e juras de acatamento a alguns dos seus ditos ou escritos.
Mais, se espancam a doutrina da Igreja, ensinam em Faculdades de Teologia preparando os futuros sacerdotes, enquanto aqueles que os criticam são acoimados, marginalizados, tidos como leprosos.
Esta trupe ou súcia tem como grande descaridade toda e qualquer observação crítica em relação a eles próprios, aos inimigos do género humano e aos da Igreja, considerando-as mesmo intoleráveis, um ataque maligno à união e concórdia na Igreja, e têm como uma enorme obra de misericórdia ignorar, perseguir, censurar, “excomungar”, desdenhar dos que procuram, não obstante toda a sua fraqueza, ser fiéis à Verdade e à Fé Católica e Apostólica.
Coadjuvar os promotores do crime é para eles uma virtude cristã; silenciar quem o denuncia e indignar-se contra ele é de justiça e uma obra de caridade.
Enganar o povo de Deus falseando a verdade que a Igreja anuncia para nosso bem e salvação quer omitindo partes da mesma quer dando interpretações que distorcem o seu significado autêntico quer exprimindo-a de um modo equívoco, são, no seu entender, obras de misericórdia e atitudes pastorais; anunciá-la com clareza e sem ambiguidades, chamando as coisas pelos seus nomes (João Paulo II), é uma bestialidade. Opor a verdade à caridade é uma atitude sensata, compreensiva, misericordiosa; afirmar que o anúncio da verdade é uma forma eminente de caridade (Paulo VI) é um fundamentalismo brutal.
Profanar a Sagrada Eucaristia distribuindo-a sacrilegamente a obstinados pecadores públicos é sinal de grande misericórdia; salvaguardar a Sacralidade deste Sacramento Santíssimo, impedir o sacrilégio e evitar que o povo de Deus seja induzido em pecado é de uma insuportável descaridade.
De modo que o Diabo nos dias de hoje assume esta aparência de benignidade, de mansidão, de benevolência, de caridade para nos fazer suspeitar e ver como inimigo quem nos indica o caminho recto e nos induzir às maiores crueldades, catástrofes e infelicidades, tal como se verificaram nestes cem últimos anos – do nazismo ao comunismo, da contracepção ao aborto, da reprodução artificial à experimentação em embriões e à clonagem, do “casamento” de sodomitas à eutanásia: tudo em nome da caridade e da misericórdia.
Não deixemos que nos roubem as palavras nem que se altere o seu significado. Há que dizer-se das coisas aquilo que elas são.
Engana-se quem pensa que os maiores inimigos da Igreja estão fora dela e que criticar “os de dentro” é fomentar a discórdia e a desunião. Os maiores horrores dos últimos cinquenta anos não se teriam realizado sem a cumplicidade dos “de dentro”: “A Igreja de Deus está rodeada por toda a classe de inimigos, como um lírio entre espinhos (Cânt 2, 2); mas o mais perigoso e doloroso para ela é ver-se despedaçada interiormente por aqueles que traz no seu seio e alimenta a seus peitos. São esses que lhe arrancam aquele grito de dor e de pranto: Os meus amigos e parentes me rodeiam e atentam contra mim (Sl 37, 12). Não há peste mais desastrosa e mortal que um familiar convertido em inimigo.” (S. Bernardo de Claraval, carta 330 - Ao Papa Inocêncio contra Pedro Abelardo).
terça-feira, agosto 05, 2008
Um arauto da liberdade com saudade da grande estepe

Nascido numa família de Cossacos do Don, Aleksandr Soljenitsyn partiu para o país da grande estepe. Praticante coerente da Fé, da Esperança e da Caridade mas também da Justiça, da Força e da Temperança, o velho capitão Soljenitsyn deixou um marco profundo nas consciências mais preocupadas com a Justiça, a Liberdade e a Verdade. As outras ainda agora manifestam o seu incómodo e a sua desfaçatez. Incontornável, lembram-no como adversário do estalinismo (sic) não do comunismo em todas as suas facetas. Aliás, esses sempre preferiram o contemporizador Sakharov ao indomável Aleksandr. Falar da sua obra e sobretudo da sua vida, de Um dia na vida de Ivan Denisovitch, ou do Arquipélago Gulag, cuja edição foi concluída há exactamente 30 anos, não cabe aqui neste espaço nem provavelmente nesta altura. Agora, há apenas que recordar a força tremenda do seu exemplo de Homem de Fé.
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sexta-feira, agosto 01, 2008
Quando los cojones se traduziam por tomates
Já no fim da sua enriquecedora vida tive oportunidade de conhecer e conviver amiúde com esse grande actor português que dá por nome de António Vilar. Na altura, com cerca de 70 anos ainda andava a ver se engatava a Maria Paula, jovem de sessenta e alguns. Meio cego, guiava o seu Alpha Romeo amarelo torrado com uma genica só equiparada ao frenesim que punha no seu projecto de fim de carreira: Fernão de Magalhães.(É verdade! Lembrei-me dele por causa do Zezinho PC de Magalhães, afilhado da Intel). E não pude deixar de me emocionar ao recordar a cena do filme Embajadores en el Infierno em que encarna a personagem representada na vida real pelo santanderino capitão Palácios cuja saga, e a dos seus companheiros durante 11 anos de cativeiro na URSS, Torcuato Luca de Tena pintou no livro Un embajador en el infierno, recentemente editado em Espanha.
No livro, a resposta a que partido pertence, Adrado responde: Falange Espanhola Tradicionalista; no filme, Vilar afirma anti-comunista....
No livro, a resposta a que partido pertence, Adrado responde: Falange Espanhola Tradicionalista; no filme, Vilar afirma anti-comunista....
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