segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A QUINTESSÊNCIA DO EMBUSTE

Penso que poucos portugueses conhecerão a origem do termo liberal. A palavra liberal começou a empregar-se em Espanha, nas Cortes de Cadiz, durante as Invasões Napoleónicas. A maioria dos representantes, pró-constitucional, defensora entre outras coisas da liberdade de imprensa, foi chamada liberal enquanto que os seus opositores, que recusaram apoiar o que sentiam ser uma reforma profunda do Antigo Regime, inspirada pelos franceses contra quem então lutavam, foram designados por serviles. E os serviles, ao longo dos tempos, foram caricaturados pelos progressistas como um bando de acéfalos burgessos, acorrentados voluntariamente aos varais da carruagem do Rei, arrastando-a pelas estradas enlameadas. Ontem senti que uma grande parte do povo do meu país se tornara servil. Escravos da ideologia, do estilo de vida e da diluição da consciência, agarraram nas cadeias da servidão e vá de puxar a carruagem, não a do Rei, mas a dos espectros do Cunhal, do egoísmo burguês, do anti-clericalismo serôdio, do nihilismo suicida. Torpemente amparados por uma desavergonhada, medíocre e imoral Comunicação Social que censura os que verticalmente recusam a canga de toda a panóplia de avatares daquilo a que o governo chama progresso e modernidade (que tanto rima com Saúde e Fraternidade!). Em vez da lama, um pavimento de ossos dos pequeninos seres humanos sacrificados em holocausto aos deuses do hedonismo, do materialismo e da concupiscência. Na minha alma, sinto que

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E
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz Não.


Mas se

O navio está na praia, naufragado
esquecido das ondas, do bulício dos portos.
Algas e conchas cobrem-lhe o costado,
as flores dos navios mortos

Senhores de austera compostura
dizem ao vê-lo apodrecer:
A negação do Longe, da Aventura,
de todo o impossível Querer

Mas eles não sabem que à noite o rapazio
junto ao costado poluído vem sonhar
as linhas ideais de outro navio,
em busca de outras praias, em busca de outro mar


Sonhemos com o toque a rebate dos sinos das aldeias que num dia de fero nevoeiro nos juntem a todos em frente das Novas Muralhas de Barad-dûr para a conquista definitiva de Mordor...

Obrigado, Paulo N., Gonçalo M., Rui C.O, Nuno T.V., Roque C.F., Pedro V., Sofia G., Gena R., Amêndoa A., Isilda P., a Joana F., António Maria P.T., Pedro e Ana L.M., João C.N., Alexandra T., Isabel A. C., Luís B.C., Tó Zé S.. Obrigado Francisco G.M., Fernando M., João Paulo M., Margarida N., Isabel G. N., Kátia G., Pedro L., Fernando S., João A., Isabel C.P.. Obrigado Catas, Manel, Joana, Matilde, Jorge, Rodrigo, Maria, Mariana, Vasco, clan S., que a vossa juvenil generosidade medre em novos ramos do futuro. Obrigado Manuel A., Pedro G., Paulo C. P., Vítor R. pela vossa brilhante verve blogosférica. Obrigado às criminosas (segundo a progenitora do ministro A. Costa), Sandra A., Cócegas, Madalena M., Cláudia M., Fernanda L., Maria F. por serenamente nos gritarem todos os dias Viva a Vida! E obrigado Duarte C. e Nuno S. P. pela calorosa orientação espiritual. Obrigado ainda a tantos e tantos portugueses a quem a minha pobre memória comovida me fez esquecer neste elenco. Não é falta de consideração, apenas cansaço e, porventura, desconhecimento. O meu humilde perdão misturado com a mais sincera gratidão e nunca esqueçam que a Razão mesmo vencida não deixa de ser Razão.

8 comentários:

VL disse...

O 'edonismo, o materialismo, a concupiscência e o egoísmo burguês. E eu diria: também as 'soluções fáceis', sempre a tentar enganar a Vida, a diminuir a Inteligência, a Integridade a capacidade de sacrifício e as responsabilidades.
Deixa-me ainda acrescentar estas linhas. Foram mesmo esses 'deuses' que agora triunfaram. Mas só agora? Não.
É aqui que é preciso ter a 'coragem de dizer não'- e explicar porquê.

Dói-nos Portugal - desde que o conhecemos. O 'velho camarada' das nossas esperanças, o 'navio naufragado' à espera de se cumprir. Dói-nos a corrupção e a estupidez, dói-nos a memória dos heróis, dos poetas, dos sábios e dos santos, que os de hoje parecem não os merecer. E dói-nos agora a certeza de ver tantas mães a pedir que lhe matem os filhos, de não os poder, ou pior, de não os querer ter!
Mas temos que passar além desta dor. Temos que ter a serenidade e a força para amanhã tirar calmamente as luvas brancas e mostrar as mãos com que legitimamente levantaremos os ânimos. O povo verá que estão limpas.

Porém, não sei se haverá ainda sinos nas aldeias se tivermos que esperar pelo seu rebate para nos 'juntarmos a todos'.
Enfim, 'Engenheiro', como disseste, é um sonho, mas não é um sonho possível?

Abraço,
VL

o engenheiro disse...

Claro que é um sonho possível! Se não tivesse esperança que outra coisa me motivaria? E como tu sabes não sou dos que fico à espera do Rei nem de Godot!É por isso que senti um orgulho enorme, por osmose, de tantos que se alistaram na Ala dos Namorados desta batalha, dispostos a sacrificar emprego, comodidade, anonimato para lutar pelo primado da Vida. Só que, como tu dizes, o problema tem raízes bem profundas...E por isso eu há muito que tento explicar que o único combate válido é o cultural; é aí que radica o domínio de Sauron.

Euro-Ultramarino disse...

Caro Engenheiro:

Neste crepúsculo civilizacional no qual o que resta de Portugal torna-se cada vez mais "moderno", e onde os direitos do homem são a negação dos Direitos de Deus, queria dar-lhe os parabéns por mais um texto sublime.

Um abraço.

Anónimo disse...

Tio,
Só foi possível porque crescemos às costas de gigantes como o Tio.

Um grande beijinho de obrigada em nome do DQN, pelo apoio sempre presente,

Catas

filho do cerejeira disse...

queira o teu deus que o manuel alegre nao saiba que o misturas nas tuas patranhas.
foi contra gajos como tu que ele escreveu esse poema, longe da sua terra e dos teu amigos salazar e cerejeira que o enxotaram.
ja tinhas idade para ter juizo.

Anónimo disse...

Ó meu rico Salvador!? Qualquer dia, já nem tu sabes quem és nem qual o teu heterónimo! Resta a esperança de Ribafolhes...

Anónimo disse...

Ó anónimo: o gajo se calhar nem é filho do cerejeira; é filho da Res publica

Anónimo disse...

QUEM FARA A CENSURA NACOMUNICACAO SOCIALNESTE MOMENTO EM PORTUGAL? A pideERA MAIS INGEGUA! so atacava meia duzia que nunca ca viverame agora alem dos taxos para asfamilias e grandes reformas estao a gozar c o pessoal. Cambada