quinta-feira, abril 19, 2007

Panem et circenses ou Granadas de fumo

O Pedro G. acordou-me da letargia em que há muito me encontrava.

E resolvir postar sobre esta barracada dos Skins e o PNR. É verdade que o PNR se põe a jeito. Mas o que é mais importante é a forma inaceitável como os cães de fila do governo actuam. A promiscuidade entre o interesse do Estado e as conveniências do PS há muito que é regra. A partidarização das altas e médias instâncias do Estado tem contado (que outra coisa seria de esperar!?) com a plácida conivência do PR, fundamentalista da Estabilidade.

Misturar propositadamente acções de prevenção no âmbito da criminalidade com respingos implícitos para enxovalhar um partido político legalmente constituído é perigoso e desagregador dos princípios democráticos. Alguma vez PSD ou PS foram postos em causa apesar dos múltiplos escândalos que resultarm de condutas ilícitas, ilegais e criminosas de militates seus? Ou haverá princípios aplicáveis à esquerda e outros à direita?

Tolhidos pela formatação do politicamente correcto ninguém protesta, ninguém se indigna. E um destes dias, Marques Mendes, quando placidamente manifestar a sua discordância face às políticas governamentais vê-se agredido pela segurança do Sócrates como recentemente aconteceu em Espanha quando o presidente da associação de amizade canária-sahauri foi matraqueado pelo pessoal do Zapatero porque se atreveu a fazer uma declaração não autorizada numa conferência de imprensa.

Mas quem não percebe que esta recente intervenção sobre elementos marginais mais não é do que o lançamento de cortinas de fumo para tentar permtir ao governo fugir rapidamente do atoleiro da Independente e da Ota? Panem et circenses para a escumalha. E como de costume, a oposição aos costumes disse nada ...

6 comentários:

pedro guedes disse...

"E como de costume, a oposição aos costumes disse nada ..."

Discordo. A oposição, pelas mãos da Sra. D. Zezinha, bateu palmas a mãos ambas e ainda ajudou, tristemente, à festa...

António Lugano disse...

Creio que o problema reside no facto de que o "sistema" necessita manter viva a imagem do "inimigo".
Na ausência, mais do que nunca evidente, de qualquer oposição parlamentar ao regime, este procura efeitos secundários para entretener a "discussão" e reduzir o efeito de certos "fait divers" protagonizados pelo sr Pinto de Sousa e comparsas.
Quando, por informação da UE, se conhece o estado calamitoso da economia nacional, surge, como coelho da cartola, o Banco de Portugal a lançar as culpas sobre a... produtividade, de quem mais horas trabalha na Europa e menor salário usufrui. E quem assina semelhante bacorada (sr Constâncio) tem um vencimento somente equiparado ao do presidente da FED norte-americana.
É tempo de berrar, a plenos pulmões : "O rei vai nu !".

Cordial Saudação

Ricardo Zenner disse...

Oposição? Que oposição? Mas há oposição em Portugal? (A não sermos nós, a população?)

Maria disse...

Concordo plenamente com Ricardo Zenner. E a população, mas não toda. Uma parte dela, a mais humilde e pouco ou nada politizada, ainda teme o "poder" (como se 'isto' fosse Poder..., o que isto tudo efectivamente é, é uma farsa muito bem montada, uma ditadura das mais férreas hipòcritamente apelidada de democracia, o que aliás está à vista desarmada, eles já nem fingem não vale a pena, actuam a seu bal-prazer fazendo troça do Povo descaradamente), outra parte vive do sistema do qual não quer largar mão nem por mais uma, pudera... perderia os altíssimos benefícios (e nojentos vícios) de que usufrui há 3 décadas. Resta a outra parte, a maioria, mas que estando muito embora contra este escandaloso regabofe, não possui armas. E quem não as possui não tem poder algum. E todos sabemos quem controla estreitamente - para que não se sublevem, vigiando os seus mais ínfimos passos e pensamentos - os seus possuidores. Até com chantagens se preciso for (ou conjuntamente) se não forem suficientes as comendas, mordomias, prebendas e benesses de toda a ordem e feitio. Sem exclusão de empregos para a vida não só para eles como para as respectivas famílias. Porventura até à quinta geração...

Maria

Ricardo Zenner disse...

Nem mais, Cara Maria.

Abraço.

Anónimo disse...

E se alguém se atreve a questionar nestes moldes do engenheiro -- mesmo que essa pessoa até seja mais de "esquerda" do que muitos esquerdelhos deste país -- é-se logo apelidado de "fascista"... sabem lá eles o que é o Fascismo.