sexta-feira, janeiro 27, 2006

A polémica da Guarda Cigana

To my dear philoArmacanus friend

Tenho andado a hesitar mas tenho que te dizer que efectivamente o Azinhal é quem tem razão.

Como tu próprio afirmaste (eu sei onde estavas e, que me recorde, não era por medo), não te encontravas no Camões.

O problema reside na credibilidade do teu informante. Esse menino é tão bom observador que um dia apareceu numa festa nossa acompanhado por um travesti, pensando que tinha feito um engate. Noutra oportunidade, escreveu-me para me pôr de sobreaviso em relação à piquena com que então namorava (e que é hoje minha mulher) pois tinha provas de que era uma infiltrada do PC. Ainda hoje nos rimos bastante os três com essa missiva que guardei religiosamente.

Quanto ao assunto propriamente dito, o facto de um homem se chamar Trancoso e ser de Chaves não faz dele um cigano e muito menos capitão de ciganos (de jagunços, talvez).

Ah ! é verdade. Em determinada altura das porradas liceais, esse teu informante havia anunciado a toda a direitagem do Pedro Nunes que não era preciso ter medo dos apaniguados do Grande Educador porque vinham aí as brigadas da Comissão Operacional do Partido do Progresso. Vim a descobrir dolorosamente que afinal as míticas brigadas de super-homens eram apenas... a minha humilde pessoa. E não fora uma providencial papelaria que por ali havia, tinha levado uma carga de pancada das antigas. Enfim...

Mas nada disso tem que ver com o carinho, a amizade e a camaradagem que a ele me ligam.

5 comentários:

O Jansenista disse...

Duas ressalvas:
1. Eu estava no Camões (na placa, junto à esquina da Rua do Alecrim), junto ao automóvel, só não entrei no Calhariz. Eu vi a rapaziada e toda a gente achou que eram ciganos, agora não andei a pedir BIs. Lembro-m que sairam compactos de junto da estátua do Chiado e chegaram ao ponto onde hoje é a entrada do parque de estacionamento no momento em que a contra-manif. quase atingia a estátua.
2. Não subestimes assim tanto o nosso amigo comum, porque eu referi 2 cenas que vi: a primeira em que ele e um outro amigo nosso foram resgatar um "fascista" que tinha sido sequestrado; a segunda que acabou na papelaria, e na qual tive também eu participação directa. Não foi nada de que ele se gabasse (ele tem-se gabado, sim, de ter coordenado a contra-ofensiva supra).
Um destes dias vamos jantar com ele e tirar tudo a limpo.

O Jansenista disse...

Relendo: temos mesmo que falar com esse nosso amigo, e com aquele que esta nos tropicos quando ca vier. Se nao me engano, o dia comecou cedo na Praca de Londres, a comprarmos umas "sandes", e terminou muito tarde a despejarmos papelada numa mata. Ia ate jurar que fomos juntos, no mesmo veiculo, para o Camoes, pelo que nao percebo que nao te lembres da minha presenca la, ou que julgues que estava noutro lado.
Quanto ao descredito da testemunha (tecnica forense de alcance discutivel), ele la tera os seus pecados, que sao menos do que os meus, mas eu referi apenas coisas que VI, que presenciei, nao coisas que ele me tenha contado. As do Pedro Nunes tem de resto diversas outras testemunhas que estao de boa saude e disponiveis.
Por isso ate poderia prescindir da testemunha, visto que so falo de coisas QUE PRESENCIEI. Mesmo assim, nao prescindo.
Quanto ao Trancoso de Chaves, nao percebo a alusao, nao o conheci naqueles tempos, comecei a ouvir falar dele nalguns meios conspirativos pouco depois, e so verdadeiramente o associo a historias de agente infiltrado que vieram na imprensa muitos anos depois. Seria ele, Trancoso, que juntou os irregulares do galvao de Melo? Admito que sim. E do Zby e da malta do PPD, nao te lembras?

o engenheiro disse...

Meu caro

Quem sou eu para duvidar de ti !
Mas porra, já lá vão 28 anos e a memória já não é o que era !
Estava convencido de que tinhas sido destacado para facilitar a guarda do carro alugado numa garagem junto a tua casa,. Perdoa-me pelo equívoco.
É óbvio que não substimo o nosso comum amigo; pelo contrário estimo-o muito...
Quanto à matéria de facto e sabendo tu o meu papel na orgenização do evento, não tive conhecimento de nenhuns romani na Manif. Como se procurou implementar um esquema piramidal em que cada um dos convocados trouxesse pelo menos seis amigos é possível que, à semelhança do que aconteceu com o Zby e os PPD, trazidos ou pelo Jarbas ou pelo nosso comum amigo,na altura mulitante desse partido,os ciganos tivessem vindo pela mão do Manel G. de Melo que também lá esteve. Ou do Trancoso ?
Não sei mas a ser verdade só posso ficar satisfeito pelo carácter multicultural que caracterizava o nosso nacionalismo de então (e para mim de sempre...)

O Jansenista disse...

É isso.
Just for the record, tenho a impressão de que o surgimento do Jarbas é ligeiramente posterior, mas admito estar enganado.
O facto é que me lembro bem dele:
1) nos desfiles do 1º de Dezembro e numa cena de pancadaria muito selvagem diante do Avante, na qual se destacou também um dos tipos mais incríveis do Pedro Nunes, que reencontrei há poucos anos (talvez ainda te lembres dele, casou em Moura);
2) numa cena não menos perigosa no Campo Pequeno, a única vez que vi ambulâncias preparadas à nossa espera - mas neste caso não consigo localizar o episódio no tempo, pode ser que te lembres tu.
Eu deixei de ser nacionalista, já sabes, mas continuo multicultural.
Um abraço e não te descaias (hihihi!).

o engenheiro disse...

Ainda gostava de perceber porque é que deixaste de ser nacionalista. Não acitas que a Nação seja, enquanto comunidade de destino, um elemento esbilizante da cena internacional ? Ou se é nacionalista (mais quente ou mais frio) ou internacionalista (federalistas europeus, quase todos de inspiração maçónica, cheios de inevitabilidades que só podem derivar ou de uma necessidade, ou pulsão acomodatícia de mainstream, ou de um esquecimento dos ensinamentos da História bem como os camaradas do punho murcho, rasteiros e igualmente ignorantões).
Haverá seguramente mais eixos definidores da localização política de um sujeito (eu tenho mais dois que defini em textos anteriores) mas no que diz ao nacionalismo... sempre o fui (mesmo antes de saber que o era) e continuo a sê-lo, mesmo correndo o risco de ser emporcalhado pelos trogloditas que se pretendem assenhorear do qualificativo.